Na última segunda-feira teve fim a mais histórica edição do programa Big Brother Brasil. Desde então, muitas pessoas que acompanharam os brothers – fosse porque gostavam do reality, fosse porque estavam em quarentena – estão se sentindo meio órfãos, sem ter o que assistir que seja alienante o suficiente para tirá-los da realidade do corona vírus. Bom, se este é o seu caso, seus problemas acabaram, pois está disponível na plataforma da Netflix a primeira temporada do reality ‘Brincando com Fogo’.


O reality – de apenas 8 episódios com cerca de 40 minutos de duração cada – tem um argumento bastante similar a qualquer outro: pessoas que não se conheciam previamente são isoladas em um ambiente controlado e, ali, elas devem interagir para ganhar o grande prêmio, de U$100 mil dólares. Só que um detalhe o diferencia dos demais programas, e é um detalhe que faz TODA a diferença: em ‘Brincando com Fogo’ (‘Too Hot to Handle’) os participantes – todos viciados em sexo – aceitaram participar de um retiro sem saber das regras, e, ao chegarem numa praia paradisíaca e conhecerem seus colegas de retiro – todos lindos e maravilhosos – descobrem que não poderão ter nenhum tipo de contato físico com eles.

Isso mesmo: não pode beijar, não pode mão boba, não pode nenhum tipo de autossatisfação, não pode sexo. Sabemos que isso não vai dar certo, né?


A cara que eles fazem quando descobrem as regras é simplesmente hilária, e o cerne do reality vai se desenvolvendo de modo a testar os personagens o tempo todo se conseguirão cumprir a abstinência sexual ou não. E todas as movimentações dos personagens são monitoradas por Lana, um robô com inteligência artificial que interage com eles, dando-lhes funções, informações e analisando o perfil de cada participante de modo a forçar aqueles que têm mais compatibilidade a se aproximem e interagirem entre si.

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A estrutura do roteiro de ‘Brincando com Fogo’ é um pouco confusa, pois, com poucos episódios, a gente não chega a conhecer profundamente nenhum dos participantes, não temos muita noção da duração do programa e sobre como atividades básicas funcionam ali dentro (como comem? Quem cozinha? Eles têm acesso à internet? etc). Além disso, os participantes são colocados em uns workshops meio doidos, e o próprio objetivo do jogo – quando você fica sem sexo você consegue construir conexões mais profundas – é meio nebuloso, afinal, quem chegou à essa conclusão?

Brincando com Fogo’ se destaca pelo estereótipo de seus personagens: Chloe, no Reino Unido, é viciada em se exibir em apps de sexo; Sharron, de Nova Jersey, chama a atenção de todas as mulheres; Haley, da Flórida, uma típica garota que faz parte das fraternidades de faculdade estadunidense; Harry, de Queensland-Austrália, o típico babacão de filme pastelão; David, do Reino Unido, o mais sensível dos rapazes; Francesca, do Canadá, a influencer de internet e super viciada em sexo; Matthew, do Colorado-EUA, o sábio mentor; Rhonda, da Geórgia-EUA, a típica patricinha, dentre outros.


Os diálogos travados por eles e certas atitudes são tão, tão absurdas, que a gente chega a se questionar se tudo aquilo não é ficção. O ego e a autoconfiança de todos são tão elevados, que não nos resta outra reação senão rir toda vez que um deles confessa ser tão absurdamente irresistível que é impossível ficar um dia sem fazer sexo, ou que nunca teve que correr atrás de ninguém na vida, etc. Sério, é quase inimaginável pensar que existem pessoas assim, mas elas são reais e estão aí para vocês seguirem nas redes sociais.

Brincando com Fogo’ é um reality show viciante, hilário e absurdo, e dá para maratonar a temporada todinha em uma só tarde, e matar as saudades de se alienar com assuntos banais.

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