Assistido com exclusividade antes da estreia

Em um mundo cada vez mais conectado, é difícil mensurar a dinâmica social contemporânea sem algumas das pequenas grandiosas tecnologias que invadiram a nossa rotina, como é o caso do reconhecimento facial, mais presente do que nunca até nos smartphones. Mas as profundezas dessa ferramenta, seus contragolpes e seus reais objetivos permanecem distantes da população. Tentando esmiuçar o lado sombrio desse algoritmo que continua transformando o mundo, Coded Bias chega como um documentário necessário, preciso e pontual, que convida os assinantes da Netflix para um profundo debate sobre a liberdade de expressão e a segurança individual na era do compartilhamento de dados.



A cineasta Shalini Kantayya é cirúrgica em Coded Bias de forma surpreendente. Diante de um assunto delicado e complexo pro público de massa compreender, ela se apropria do próprio design dos filmes de ficção científica para narrar suas descobertas. Acompanhando uma mulher PhD e estudante de tecnologia do MTI, ela nos mostra como o algoritmo da inteligência artificial de reconhecimento facial foi construído sobre uma antiga estrutura histórica que envolve racismo, misoginia e outros preconceitos de gênero.

Didática em cada relato, ela reúne um grupo de pesquisadoras de alto escalão especialistas no assunto, que muito mais que validar essa aclamada pesquisa científica, contribuem com sua expertise em entrevistas leves, mas cheias de conteúdo. Nos levando a uma jornada reveladora, Coded Bias consegue crescer ao longo de 1h30 de documentário, nos mostrando camadas ainda mais profundas de uma tecnologia que impacta diretamente na vida rotineira da população mundial. Trazendo exemplos práticos e explicações regadas por um visual dinâmico e facilmente compreendido, a produção se comunica com maestria com todos os públicos e levanta grandes alertas na audiência, confrontando-na a ir além do famoso “li e concordo com todos o termos”, que tantas vezes não lemos.

De uma riqueza documental avassaladora, o documentário de Kantayya nos leva a uma trajetória reflexiva e desbravadora como O Dilema das Redes (também da Netflix) o faz. Lançado no Festival de Sundance, sob a aclamação de 100% no Rotten Tomatoes, Coded Bias é um irreversível abrir de olhos, que nos motiva a ficar mais atentos e menos alienados quanto à forma como o poder e o domínio da tecnologia avançada são capazes de nos tornar reféns de um sistema gerado sob uma vasta lente de estereótipos socioeconômicos e raciais.

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