Crítica | Cooties: A Epidemia – crianças zumbi em filme de terror com Elijah Wood estreia na Netflix

CríticasCCrítica | Cooties: A Epidemia – crianças zumbi em filme de terror com Elijah Wood estreia na Netflix

Os Pestinhas

Quem disse que zumbis não sofrem? Achamos que as criaturas mortas-vivas só aparecem para transformar nossa vida num inferno, em alguma realidade apocalíptica, mas esquecemos do sofrimento que nós humanos, em especial os executivos dos estúdios hollywoodianos e produtores de cinema, causam a estas criaturas. As pobres são exploradas até não poderem mais, em todo tipo de filme, enquanto retiramos a última moeda de seus desempenhos.

Desde que foram aperfeiçoados e transformados em astros pelo icônico George Romero, lá em 1968 com A Noite dos Mortos Vivos (você ainda não viu? Largue sua avó no hospital e corra para a TV mais próxima – você precisa assistir agora!), os zumbis não descansaram mais, aparecendo em todo tipo de mídia, de seriados televisivos até os infames zombie walk. No cinema, fizeram de tudo: protagonizaram comédias, já foram galãs em romance, filha de Schwarzenegger e até perseguiram escoteiros. Ah, é claro, e também apareceram num bando de filmes de terror.

O mais novo produto a utilizar os zumbis como foco é este Cooties – A Epidemia (sempre este subtítulo), que estreou em janeiro de 2014 no Festival de Sundance, e na maioria dos mercados no mundo (inclusive nos EUA) em 2015. O longa aporta agora no Brasil, direto em vídeo, na Netflix.

Com história e roteiro de Leigh Whannell, a mente por trás de franquias de sucesso como Jogos Mortais e Sobrenatural, que aqui também trabalha como ator, e direção da dupla Jonathan Milott e Cary Murnion, Cooties é uma tiração de sarro com o subgênero dos zumbis. A proposta, no entanto, nem sempre funciona – muitos diriam nunca funciona – em especial por termos um passado de obras muito melhor trabalhadas, que mesclaram o humor e este tipo específico de terror de forma satisfatória, vide Todo Mundo Quase Morto (2004) e Zumbilândia (2009), pequenas obras-primas que fazem Cooties perder muito em comparação.

Aqui, a ideia é uma espécie de Prova Final (1998) invertido, onde o corpo docente de uma escola primária é alvo dos alunos, crianças que ainda não entraram na puberdade. A epidemia se espalha usando elementos de crítica aos abatedouros de frangos, enquanto uma menina abocanha o pedaço de nugget mais nojento que você vai ver em sua vida, sem saber a procedência (só a fabricação da guloseima já é de causar náuseas). Desta forma, logo os pimpolhos abrem o apetite para carne humana, fazendo de seus infelizes tutores o prato principal.

Outra sacada aqui do roteiro de Whannell, que interpreta o abobalhado professor Doug, é justamente criar uma galeria pra lá de excêntrica com estes mestres, os personagens principais que iremos acompanhar ao longa da jornada de sobrevivência. O principal deles é Clint, o perdedor vivido por Elijah Wood (e sim, temos piada com Hobbit aqui, meio óbvia, mas tudo bem), o novato na escola, que chega como substituto e sonha em ser escritor. Temos seu interesse amoroso, Lucy, papel da ótima Alison Pill. Ela é namorada de Wade, o instrutor de educação física cheio de si e machão de plantão vivido por Rainn Wilson. Completando o time principal, Jorge Garcia, o Hurley de Lost, fica com o papel do ‘emaconhado’ Rick, o sujeito que fica com a placa de stop para controlar o trânsito na frente da escola.

A ideia e o conceito de Cooties são mais interessantes do que seu desenvolvimento em si. Os personagens nunca ultrapassam seus rascunhos, se contentando com os estereótipos. O que seria aceitável caso pudessem criar humor em cima de suas personas, mas a comédia nunca chega a acertar, ficando meio fora de tom, sem ser esperta ou afiada o suficiente. Whannell já mostrou no passado que consegue inserir humor para aliviar a tensão em filmes de terror. Mas segurar um filme todo à base da comédia mostrou ser um desafio ainda muito grande para o roteirista. O que mostra o quão difícil é fazer humor.

Cooties é diversão passageira, recomendada exclusivamente para os aficionados pelo gênero, que fazem questão de ver tudo. Os demais, que queiram se divertir de verdade com obras criativas e originais, devem optar pelos citados Todo Mundo Quase Morto (Shaun of the Dead) e Zumbilândia – que ainda permanecem irretocáveis como ápices do subgênero.

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