Os filmes de gênero estão cada vez mais ganhando espaço e público nos cinemas brasileiros, e isso é muito, muito bom. É importante para a indústria nacional fazer filmes de todos os tipos, e, se conseguir descentralizar a produção do eixo Rio-São Paulo, melhor ainda, pois gera emprego e estimula a produção regional do cinema. Em uma parceria bem bacana, a distribuidora O2 fechou a distribuição de cinco longas-metragens da produtora Raça Ruim Filmes – produtora esta que faz muito sucesso no Maranhão, onde está localizada – e o primeiro deles chega essa semana aos cinemas brasileiros daquela região, intitulado ‘Curupira: O Demônio da Floresta’.

Quando um casal e sua filha desaparecem misteriosamente na Ilha do Medo, os jornais rapidamente anunciam que o desaparecimento pode ser coisa do Curupira, pois o fato não tem explicação. Desavisados do perigo, um grupo de seis jovens imprudentes – Diana (Rosanna Mualem), Cauã (Ruan do Vale), Marcos (Al Danuzio), Carol (Luna Gandra), Jéssica (Carol Cunha) e Beto (André Bakka) – vai de barco até a ilha para farrear. A primeira coisa que os rapazes fazem ao desembarcarem na ilha é brincar com um pobre jabuti que estava por ali, e isso provoca a ira do Curupira (Flávia Barroso), que espreita o movimento de longe. É assim que misteriosamente o barco do grupo é desamarrado e eles se veem presos nesta ilha, sem sinal de celular e com a nítida sensação de que alguém não os quer vivos por ali.

Escrito e dirigido por Erlanes Duarte, ‘Curupira: O Demônio da Floresta’ tem seus pontos positivos, mas parte de um argumento problemático que já vem causando polêmica: sem comunicar se há algum indígena na produção e na escritura do longa, o filme simplesmente conta a história de um espírito sagrado como o Curupira e o distorce, retratando-o como um demônio (que está literalmente no título), um ser malvado que está ali para prejudicar a vida dos pobres humanos que só queriam se divertir. Essa distorção da cultura indígena é desrespeitosa, ainda mais quando, já nas primeiras cenas, o grupo pega um jabuti de verdade e brinca de jogá-lo de um para o outro. Ainda que uma mensagem inicial diga que nenhum animal foi maltratado na produção, dá para ver quando um dos rapazes literalmente dá um tapa no casco do bicho – e isso é, sim, maus tratos.



Isto apontado, ‘Curupira: O Demônio da Floresta’ tem a vibe de filme trasheira de festival de cinema alternativo. Deve ter sido divertido para o elenco gravar as cenas cheias de sangue escorrendo e tripas saindo pra fora numa pegada gore – mas sem exageros. A maquiagem utilizada para retratar a entidade é interessante, e os efeitos utilizados para lhe conferir poderes são bem-feitinhos, posto o baixo orçamento da produção. Ainda assim, uns errinhos de continuidade (cena em que as meninas estão secas e, em seguida, estão molhadas; pernas cheias de lama que em seguida não têm lama alguma, etc) poderiam ter sido evitados se Erlanes Duarte desse uma caprichada na versão final de seu filme.

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Curupira: O Demônio da Floresta’ é um filme de terror bem fraquinho, mas que dá início para impulsionar novos filmes do gênero produzidos no Maranhão no futuro e que estreiem em salas de cinema de todo o país. Tomara!



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