Crítica | Demolidor – 2ª Temporada

Nenhuma boa ação fica sem punição.

Ainda com dois heróis a serem apresentados em suas próprias séries – Luke Cage e Punhos de Ferro –, Daredevil está de volta à ação para o segundo round. Além do cego justiceiro, Jessica Jones foi a única outra heroína a dar as caras no catálogo da Netflix – que, por sua vez, já está renovada para o segundo ano. O grande fato é que a Netflix está tentando lidar com sua programação original – que cresce cada vez mais todos os meses –, e está tentando encaixar seus lançamentos em parceria com a Marvel. Atualmente, a previsão é que a primeira temporada de Luke Cage estreie no final de 2016, enquanto Punhos de Ferro segue sem previsão – apesar de ser provável que ele finalmente ganhe sua própria série em 2017, junto com o retorno de Jessica Jones.

Neste ano, as definições entre “bom” e “mal” não estão definidas tão claramente quanto na primeira temporada. Depois de sua aparente vitória, o Demolidor tenta lidar com as consequências de seus atos, que, por melhor de suas intenções, acabou trazendo o caos à cidade. Diante de cenários de pura carnificina, o herói terá que combater o Justiceiro, um vigilante sangrento que tem uma maneira definitiva de lidar com os seus inimigos. Ao mesmo tempo, Matt encontrará com problemas do seu passado – que se recusam a permanecerem esquecidos –, enquanto tenta manter sua vida profissional, amorosa e vigilante em equilíbrio. No entanto, todas essas questões ficarão na balança quando o Demolidor tiver que se aliar com aqueles que luta para combater um mal maior…

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Crítica | Demolidor – 1ª Temporada 

Não posso dizer que a expectativa não era grande para esta segunda temporada. Além do elevado nível da primeira, o segundo ano seria responsável por introduzir duas figuras muito importantes para os fãs das HQs: o Justiceiro e a Elektra. Ironicamente, um deles representa o maior triunfo da temporada, enquanto o outro, um dos pontos mais baixos. A segunda temporada, apesar de estar longe de ser ruim, também fica muito abaixo da primeira. Um dos motivos certamente é a introdução de muitos anti-heróis, enquanto a série clama por um antagonista à altura de Fisk. A trama e o ritmo da série não são mais constantes, mas sim quebradiços em vários plots no decorrer dos 13 episódios, com um “inimigo” misterioso sendo apresentado na reta final – somente para que seja o foco da terceira temporada.

O Justiceiro é um personagem incrível e certamente foi muito bem representado por Jon Bernthal. Sua participação foi inegavelmente o ponto alto da temporada; movimentando a trama e elevando o nível de violência. Destaco a sensacional sequência na prisão – uma das melhores, mais empolgantes e sangrentas cenas da temporada. A interação do personagem com a Karen também foi muito bem desenvolvida e eu gostaria de ter visto mais entre eles dois. Por outro lado, Elektra foi uma enorme decepção. Não conheço muito da história da personagem nas HQs, mas na série ela afundou o Daredevil em um caminho de autodestruição que foi difícil de acompanhar. Considerando o fato de que a atriz escolhida não passou qualquer carisma em tela, não posso dizer que me importei com ela e muito menos que anseio pelo seu retorno.

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Por falar em carisma, a interação entre o trio Matt, Foggy e Karen havia sido um dos pontos altos do primeiro ano, mas neste eles quase não interagem. Com o afastamento do Matt, o maior afetado foi o Foggy, que foi jogado para escanteio; um desperdício de personagem. Karen, no entanto, consegue se sobressair em sua jornada solo de investigação. A personagem cresceu desde o primeiro ano; está muito mais independente, tem suas próprias tramas e definitivamente não está à sombra do Demolidor. Ironicamente, os momentos mais falhos da personagem foram justamente os que envolvem a tentativa de um romance com o Matt. Sei que o envolvimento dos dois é importante nas HQs, mas a construção do relacionamento deles pareceu forçada e falsa na série. Toda declaração ou cena romântica era desacreditada na cena seguinte, com a aparição de Elektra e o seu controle sobrenatural sobre o seu ex. Essa aproximação entre o Matt e a Karen poderia ter sido explorada mais no futuro, uma vez que a personagem já tinha suas próprias tramas e não dependia disso.

Em termos de lutas, violência e ambientação, a série continua acertando em cheio. Temos muitas outras sequências com plano único – ou seja, sem cortes –, especialmente o confronto em que o Daredevil usa uma corrente para lidar com os seus inimigos. A surpresa fica por conta de rostos conhecidos fazendo pequenas – mas significativas – participações. Não falarei mais a respeito para não estregar o momento, mas este segundo ano certamente reforça conexões com outras produções, em especial Jessica Jones. O desfecho deixa muita coisa para ser explicada em uma terceira temporada, assim como também abre o caminho para que o Justiceiro ganhe sua própria série – uma especulação antiga que provavelmente deve ganhar força com a boa recepção do personagem. Apesar dos altos e baixos, a segunda temporada de Daredevil entrega uma diversão de qualidade, ainda que esteja abaixo da primeira.

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Nefferson Taveira
Nefferson Taveira
Formado em Letras - Português/Literaturas pela UFRJ, apaixonado por cinema e obcecado por filmes de terror.