Quando o primeiro ‘Dupla Explosiva’ estreou, em 2017, o público se deleitou com uma história um bocado surreal sobre um matador de aluguel e um guarda-costas sentimental, interpretados pelos incríveis Samuel L. Jackson e Ryan Reynolds, respectivamente. A química e a improbabilidade de esses dois personagens se virem obrigados a colaborar um com o outro em prol de um objetivo em comum é o que deu o tom cômico e conduziu o sucesso do primeiro filme. Agora, quatro anos depois, chega aos cinemas a continuação, intitulada ‘Dupla Explosiva 2: E A Primeira-Dama do Crime’.

Michael Bryce (Ryan Reynolds) perdeu sua licença como guarda-costas, e, uma vez que não consegue superar essa perda, ele se consulta com uma psicóloga, que lhe aconselha a tirar um ano sabático e tentar desfrutar da vida como um cidadão comum. É isso que ele tenta fazer, até ser arrancado de suas férias na Itália por Sonia Kincaid (Salma Hayek), que lhe pede ajuda para resgatar o marido, Darius Kincaid (Samuel L. Jackson), que fora sequestrado e lhe pedira que conseguisse ajuda de Bryce. Contrariado e meio que sem opção, Bryce topa embarcar nessa desventura, mas sem ter a mínima ideia de que lidar com seu antigo rival acabaria se tornando o menor de seus problemas.



O mote de ‘Dupla Explosiva 2’ é completamente fraco. Para elaborar a continuação baseada nos personagens criados por Tom O’Connor, o roteiro de Phillip Murphy e Brandon Murphy insere um novo elemento com função de desestabilizar o equilíbrio desequilibrado dos protagonistas: a tal dama do crime, esposa de Kincaid. Isoladamente, é a pior personagem do longa, constantemente atrasando a evolução do enredo e quebrando o clima jocoso entre os protagonistas, pois literalmente o tempo todo fica reclamando com Kincaid sobre uma lua-de-mel prometida por ele mas que não está sendo cumprida por conta da treta em que se meteram; quando não é isso, Sonia se queixa sobre o quanto quer ter um filho e que Kincaid não está se esforçando para engravidá-la. Em um filme de ação galhofa, isso é muito, muito chato. Para piorar, Salma Hayek confere à sua personagem uma atuação tão vergonhosamente caricata e engessada, que não convence. Parece se esforçar em fingir ser uma bad girl descolada malvadona, mas o resultado fica mais próximo de uma tia chata que fica falando palavrão o tempo todo para provar que é da turma, mas não é. Não tem uma cena em que ela se encaixe no longa.

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Uma boa surpresa é o elenco chamado para os novos personagens, que inclui nomes como Antonio Banderas, Gary Oldman e Morgan Freeman, que abrilhantam a produção. Felizmente as edições do longa de Patrick Hughes permanecem como o grande destaque, conferindo dinamismo, agilidade e sincronia nas cenas de ação que se encaixam perfeitamente com a trilha sonora escolhida a dedo, com direito à música brasileira nos créditos finais.

Descompassado, ‘Dupla Explosiva 2: E A Primeira-Dama do Crime’ fica aquém de seu predecessor, mas provoca risadas graças à dupla de protagonistas cuja química ácida continua a funcionar. Disponível em pré-estreias nos cinemas brasileiros a partir dessa semana, é o tipo de filme de ação absurdo que vale o ingresso pelo improvável da história encabeçados por atores tão competentes quanto Ryan Reynolds e Samuel L. Jackson.



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