Filmes inspiradores, baseados em histórias reais, geralmente são produzidos para levar uma mensagem que toque o coração do espectador. São histórias universais, cujas tramas podem ser refletidas em qualquer cultura do mundo e causam uma sensação de bem-estar no espectador, e geralmente são ancorados em alguma religião (a bem da verdade, a maioria deles se passa no universo cristão), como ocorre em ‘Enquanto Estivermos Juntos’, atualmente em cartaz nos cinemas brasileiros.

Jeremy Camp (K.J. Apa) é um rapaz que está vivendo uma nova fase em sua vida, pois está saindo de casa e entrando para a faculdade. Embora tenha talento musical, Jeremy nunca antes havia pensado em correr atrás disso até conhecer Jean-Luc (Nathan Parsons), um cantor gospel famosinho no meio universitário que passa a lhe dar dicas sobre como seguir na carreira. Certa noite, em um dos shows de Jean-Luc, Jeremy conhece Melissa (Britt Robertson), por quem tem certeza estar apaixonado. Porém, o que era para ser uma bela história de primeiro amor juvenil acaba se transformando numa provação de fé e do destino.



Baseado no livro escrito pelo próprio Jeremy Camp – cantor de rock cristão que ganhou repercussão nos Estados Unidos justamente por sua história de amor com a esposa Melissa e as canções que criou para ela –, o roteiro de Jon Erwin e Jon Gunn, constrói bem o início/meio/fim da história, embora acelere partes essenciais do enredo (em quinze minutos de filme o plot já está todo apresentado e ainda sobra espaço para duas canções inteiras) para abrir bastante espaço para as muitas cenas musicais, em detrimento da narrativa. A consequência é um longa que causa a sensação de que as coisas acontecem rápidas demais, sem muito envolvimento com os episódios.

Apesar disso, alertamos sobre a linha narrativa de ‘Enquanto Estivermos Juntos’, que estimula a crença de que tudo na vida é comandado pela vontade de Deus – e, nesse ponto, precisamos entender a responsabilidade da arte e do entretenimento, ao longo das décadas, em construir determinadas linhas de pensamento. Com todo o respeito à fé e à crença das pessoas, é possível, sim, fazer filme religioso que não desestimule a responsabilidade social de cada um. Na trama [ALERTA DE SPOILER] Melissa descobre ter um câncer terminal que se espalha por seu organismo rapidamente e Jeremy pede às pessoas que rezem por um milagre para sua noiva – que se cura. E Melissa fala que foi Deus que a curou, que foi sua fé, etc – mesmo tendo ela passado por tratamento médico. Em seguida o câncer volta e a caracterização da personagem está sempre linda e arrumada, como se a doença não a atingisse esteticamente – aliás, sua fé e positivismo inabalável faz a personagem quase sorrir com a notícia do câncer, o que é inverossímil. Lá pelas tantas Melissa começa a proferir que só está passando por isso porque Deus tem grandes planos para ela, que isso a torna especial, e, mesmo após sua morte, Jeremy reforça o discurso de que está tudo bem porque esse era o plano de Deus. Qual o alerta nessa linha narrativa? É que ela ajuda a construir a falsa ideia de que o ser humano não tem responsabilidades sobre seus atos sociais, pois “Deus está no comando” e, por isso, acha que, por exemplo, pode andar na rua sem máscara porque quem protege é Deus, não a máscara. [FIM DO SPOILER].

Aproveite para assistir:



Enquanto Estivermos Juntos’ é uma história emocionante, com uma mensagem problemática, mas que entrega o esperado pelo seu público alvo.

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