Crítica | Eu Vi: América Latina – Série de TERROR da Netflix vai mesmo tirar seu sono

CríticasACrítica | Eu Vi: América Latina – Série de TERROR da Netflix vai mesmo tirar seu sono

Depois de duas temporadas bem-sucedidas realizadas em diferentes cidades dos Estados Unidos, a produção da série ‘Eu Vi’ (‘Haunted’, no original) decidiu expandir seu universo assustador da vida real para os territórios hispanohablantes das Américas. Assim, numa derivação do original, chegou agora à Netflix a versão ‘Eu Vi: América Latina’ – que está dando o que falar!

Dividida em apenas cinco episódios com durações que variam entre 47 minutos (o primeiro) e menos de trinta minutos (todos os outros), os enredos são baseados em histórias reais que teriam ocorrido com os protagonistas de cada um dos episódios. Porém, salientamos que, embora se chame ‘América Latina’, mais da metade dessa primeira temporada é composta por histórias oriundas do México apenas, o que sinaliza que a proposta de expansão não visava de fato, neste primeiro momento, abranger muitos outros países.

Dos cinco episódios, os três primeiros são protagonizados por mulheres, e todos obedecem um mesmo formato enjoado: o relator da história está sentado em uma cadeira e, ao seu redor, amigos e familiares (que tenham se envolvido na trama ou não) ouvem o relato. Essa estrutura cerimoniosa de apesentar o plot do episódio é extremamente entediante, chata mesmo. O protagonista fica ali no centro, contando o seu trauma aaaanos depois de ocorrido, e fala tudo cheio de dedos, fazendo pausas dramáticas, enquanto os amigos e familiares ficam sentados ali, olhando com uma cara de quem está ouvindo tudo pela primeira vez, fingindo, até que alguém vira e fala algo do tipo “eu ouvia você reclamar disso na época, mas eu não tinha ideia de que você estava passando por algo assim” etc. É tudo tão encenado, tão mecânico, que enche o saco. É a parte em que se recomenda usar o recurso de acelerar o vídeo, e aumentar para a velocidade 1,5.

Tirando essa narrativa plantada em uma sala semelhante à do Conde Vlad em ‘Vamp’, o que de fato é maneiro em ‘Eu Vi: América Latina’ é as histórias aterrorizantes – ou melhor, a ficcionalização das histórias. Com ótimos efeitos especiais que recriam bem a ambientação de terror crescente e uma interpretação bem convincente dos atores que dão vida aos episódios, essa é a parte que faz realmente valer a pena assistir à essa série. Para os fãs de terror, tem de tudo: casa mal-assombrada com gente morta que atormenta pra sempre, boneca possuída com ciúme e adoração pela dona, lendas urbanas locais que remontam à clássicas lendas dos povos originários, presença maligna na casa e até mesmo…. o capiroto!

Remetendo o espectador àquelas conversas às escondidas que costumamos ter com os amigos, contando baixinho histórias assustadoras para fazer o outro perder o sono, ‘Eu Vi: América Latina’ tem um formato meio enjoado, mas uma realização bem maneira na construção gráfica e estética do suspense e do terror – que é, de fato, o que vai levar o público a assistir a série. É uma boa dica para ver à noite… sozinho… no escuro… e depois ficar paranoico com todo barulho que ouvir e não conseguir mais dormir até o sol raiar.

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

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