Parte do imaginário infantil de infindáveis gerações de crianças, os contos de fadas marcaram sucessivas eras do cinema e da cultura POP de forma geral. Entre suntuosos vestidos de gala e princesas frágeis e indefesas, essas histórias moldaram também uma identidade social equivocada, incompleta e muitas vezes incoerente. Mas à medida que o ano de 2020 se aproxima também do fim de mais uma década, dezembro traz consigo um novo conto de fadas. Às avessas, Fada Madrinha é a reinvenção do clássico “felizes para sempre”, com uma mensagem que – ainda que seja óbvia – nunca foi tão necessária.

A era da tecnologia, com sua indústria de influencers alimentados por seguidores robôs e compras de likes, têm ajudado a perpetuar uma ideia mais contemporânea do verbete “felizes para sempre”. Em um mundo onde o Instagram se tornou o novo conceito de perfeição, ainda parece que patinamos em encontrar a beleza do realismo da vida comum, sem filtros excessivos e fotos manjadas demais para serem verdades. E nesse sentido, Fada Madrinha – dirigido por Sharon Maguire – já se comunica muito bem com o público.



Se apoiando nos pilares que teoricamente sustentariam a vida perfeita: O príncipe encantado e um vestido de gala, a nova comédia original Disney+ revisita a atmosfera alegórica e caricata dos seus próprios clássicos contos de fadas, trazendo-os à tona apenas para desconstruí-los diante da audiência. Aqui, Eleanor (Jillian Bell) é uma jovem fada madrinha que – a fim de salvar a sua Terra Mãe – precisa provar que as pessoas ainda acreditam no combo “felizes para sempre”. Mas ao decidir atender os anseios de uma antiga carta escrita por uma pequena sonhadora, ela descobrirá que neste novo tempo, não há mais espaço para os velhos e perfeitos contos que não condizem com a realidade humana.

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E este confronto entre o fantabuloso universo das fadas e o complexo mundo real é um dos aspectos que torna Fada Madrinha uma das comédias natalinas mais prazerosas dos anos mais recentes. Mesmo cercada por inúmeros clichês Disney, ela é uma experiência cinematográfica deliciosa. O seu humor promove o riso frouxo na audiência, que vai se divertir com anedotas cômicas que são a cara da comédia pastelão. Fazendo um delicioso choque de cultura entre o universo fantástico das fábulas e as tretas da vida adulta no mundo em que vivemos, a produção é leve, envolvente e ainda faz uma espécie de mea culpa pela insistente idealização de felizes para sempre tão calcada no imaginário infantil feminino.

Permeando o filme com referências POP que vão desde às trilhas sonoras de alguns dos longas mais amados da história do cinema – como O Picolino e A Noviça Rebelde, a comédia ainda se torna um deleite por flertar com os melhores aspectos das animações antigas da Casa do Mickey. Com uma atmosfera natalina que ainda traz aquele vigor delicioso e super clichê das produções desse subgênero, Fada Madrinha une a vibe apaixonante do fim do ano ao formato mais caricato da sua comédia, entregando uma combinação que é puro cinema-conforto, ideal para o momento em que vivemos.



Trazendo um elenco forte de mulheres protagonistas, encabeçado por Isla Fisher e Jillian Bell, Fada Madrinha olha para o retrovisor da Disney com respeito ao tempo de cada uma das suas mais icônicas animações de princesas, conforme reitera a necessidade de um novo momento – onde a vida real, suas mazelas e delicadezas frágeis também possam ser celebradas com honra e leveza. Tratando algumas questões mais sensíveis como a perda e as diversas formas de lidar com o luto em família, a comédia redefine o conceito de contos de fadas de maneira simplista, mas o faz com tanto carinho e carisma, que é impossível não se deixar levar por mais essa magia Disney.

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