Crítica | Hokum: O Pesadelo da Bruxa – Interessante Folkie Terror com Adam Scott, Astro de Ruptura

CríticasCrítica | Hokum: O Pesadelo da Bruxa – Interessante Folkie Terror com Adam Scott, Astro de Ruptura

Fãs de terror, uma novidade chega em breve nos cinemas brasileiros, uma pequena variação do mais do mesmo que andamos recebendo nas telonas. Trata-se de um título no estilo folkie terror – em outras palavras, terror com base em características culturais folclóricas de uma localidade, e que, neste caso, é o interior da Irlanda. Esses elementos já são suficientes para despertar a atenção da turma do terror, certo? E é exatamente o que será encontrado em ‘Hokum: O Pesadelo da Bruxa’, novo filme do gênero que chega dia 21 de maio nos cinemas brasileiros.

Ohm Bauman (Adam Scott, astro da série ‘Ruptura’) é um escritor de suspense e terror que, na vida real, é bastante ranzinza e questionador. Ele acaba de chegar a uma pousada super antiga no meio da floresta no interior da Irlanda, onde seus pais passara a lua de mel. Agora, Ohm quer espalhar no local as cinzas de ambos, e seguir com seus planos apesar de seus traumas familiares do passado. Entretanto, tanto os hóspedes quanto os funcionários do local não parecem muito amigáveis, e, quando conversa com a recepcionista Fiona (Florence Ordesh, deFundação), a única simpática do lugar, Ohm descobre que a pousada é assombrada por uma antiga bruxa. Mesmo sem dar confiança à história, o escritor fica desconfiado, e, quando algo sinistro ocorre no meio da noite, ele passa a entender que há forças ocultas que nem mesmo a ficção consegue dar conta.

Escrito e dirigido por Damian Mc Carthy (de ‘Oddity – Objetos Obscuros’), ‘Hokum: O Pesadelo da Bruxa’ traz um quê de cinema autoral com o cinema de gênero – ou melhor, de subgênero (e não no sentido menor, mas no sentido de ser uma categoria específica dentro do terror). Isso torna o filme simpático porque equilibra um astro de reconhecimento internacional com um elenco majoritariamente local e desconhecido do grande público, dando-lhes a oportunidade do reconhecimento. Além disso, parte do entretenimento para ambientar o público ao folclore irlandês, tão conhecido por seus contos de fadas e de bruxas.

Assim, as locações se destacam nesta produção, tanto a floresta densa e de um verde vibrante quanto a pousada, toda revestida de madeira escura, materiais pesados e ambientes fechados. O contraste de ambos os ambientes faz com que a gente se sinta ora encantado pelo imaginário irlandês, ora imerso no mistério que o filme propõe através da figura da bruxa. Entretanto, é aí também que o roteiro de Damian Mc Carthy dá uma vacilada, por não se aprofundar um pouco mais nas explicações, nas origens dessa entidade. Ficou um gosto de que se criasse um vínculo maior com as lendas locais, pensando no público leigo.

hokum

Adam Scott surge bastante diferente neste filme, mesmo que não esteja super caracterizado. Há qualquer coisa de diferente na sua interpretação que faz a gente demorar reconhecê-lo em cena, e isso é positivo, pois não vemos aqui aquele cara inseguro de ‘Ruptura’. Em ‘Hokum: O Pesadelo da Bruxa’ é depressivo, mal-educado, ranzinza, crítico.

Já na parte do terror, a ambientação cria um clima de suspense constante, envolvente, sedutor quase (já que estamos na floresta cheia de neblina), mas os efetivos sustos são poucos. Então, a ideia do terror é maior do que o terror efetivo no filme, muito mais eficiente em criar uma atmosfera do que assustar. Para quem gosta do gênero mas não curte acelerar o coração, ‘Hokum: O Pesadelo da Bruxa’ é uma aposta segura.

Diferente, envolvente e bem-realizado, ‘Hokum: O Pesadelo da Bruxa’ oferta uma opção alternativa para quem já cansou dos filmes de terror de franquia que ocupam as salas sem oferecer nada de novo. ‘Hokum: O Pesadelo da Bruxa’ é como ler um bom livro, que faz você querer virar página depois de página.

hokum0

Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.

Inscrever-se

Notícias

Revival de ‘Scrubs’ é RENOVADO para a 2ª temporada

A ABC renovou oficialmente o revival de 'Scrubs', série...