O que talvez seria a combinação mais inusitada dos cinemas, se apresenta aqui para nós como aquela inesperada surpresa que instantaneamente nos cativa. Emily Blunt e Dwayne Johnson comumente se encontram em espectros opostos do cinema, mas em Jungle Cruise: A Maldição Nos Confins da Selva, a sutileza e delicadeza de uma se une ao arquétipo heroico do outro, gerando o que talvez seja um dos filmes mais prazerosos do ano. E sob toda essa premissa “feel good”, a nova aventura da Disney se introduz como um novo clássico familiar que vai hipnotizar os amantes de Indiana Jones, A Múmia e Tudo por Uma Esmeralda.

Jaume Collet-Serra transcendeu o gênero de terror para uma formato completamente diferente. Aqui, o diretor por trás de A Casa de Cera nos entrega uma jornada lúdica e quase bucólica, de tão apaixonante. A nossa amada Floresta Amazônica ganha ares mágicos, com sua vegetação e suas águas trazendo traços mais delicados e sensíveis, que criam este visual romântico, idealista e ufanista. E para a nossa surpresa, Jungle Cruise se passa nas terras tupiniquins. Inadvertidamente e sem qualquer aviso prévio, o longa da Casa do Mickey inicia sua verdadeira aventura em Porto Velho, Rondônia, para o susto do público brasileiro. Trazendo uma cidade que ainda era precária em seu desenvolvimento, o longa faz uma doce homenagem ao nosso Brasil e leva a audiência por um eletrizante passeio pelas águas do Rio Amazonas, que muito se assemelha com a própria atração Jungle Cruise, presente nos parques da Disney e que serviu de inspiração para a história.

E aqui, a Floresta Amazônica se apresenta como essa misteriosa e rica selva, que guarda em si muitas lendas, contos inimagináveis e mitos que são a cara do nosso país (inclusive aquele do Boto Cor-de-Rosa!). E à medida em que aflora o imaginário infantil de forma criativa, Jungle Cruise: A Maldição Nos Confins da Selva convida o público mais velho para uma viagem nostálgica com ares de Sessão da Tarde, fazendo referências aos clássicos aventureiros mais amados pela geração millennial, conforme se curva diante da original atração que trouxe o filme à vida. E nessa mistura, cenas de ação tornam a experiência cinematográfica ainda mais cativante, em meio a efeitos visuais que – em geral – são muito bem executados (salvo alguns momentos).



Com vários plot twists, Jungle Cruise peca por estender um pouco demais sua narrativa. Com a possibilidade de tornar a trama mais enxuta, Collet-Serra têm dificuldade de reduzir alguns instantes do filme, fazendo com que a produção quase se arraste. Mas abusando – e com razão – da maravilhosa dinâmica Johnson-Blunt em tela, ele consegue se esquivar do fator “cansativo” e sustenta seus 15 minutos a mais com leveza e destreza. E a dupla ainda é incrementada por Jack Whitehall, que brilha em um personagem caricato que extrai um humor diferenciado para o publicado. E com essa mesma perspectiva, o diretor transforma seu próprio protagonista, The Rock, em uma espécie de alívio cômico, que flerta com as piadas de tiozão de forma proposital, adicionando um charme ainda maior para o ator.

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Com figurinos de época que são um deleite à parte, a nova comédia da Disney é uma deliciosa aventura que aquece os corações mais nostálgicos, à medida em que encanta as novas gerações. Trazendo lições valiosas, o filme não se furta à oportunidade de falar sobre respeito à diversidade de gênero, a importância da família, preservação ambiental e companheirismo. Com a promessa de se tornar a próxima grande franquia aventureira das telonas, Jungle Cruise chega preenchendo um vazio deixado por filmes icônicos como Piratas do Caribe e se verdadeiramente encontrar o entusiasmo do seu público, deve e irá seguir uma longa e inesgotável jornada de contos inspiradores onde, dessa vez, quem nos toma pela mão é uma delicada e determinada mulher.

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