Crítica | Jurassic World: Acampamento Jurássico – 2ª temporada segue a mesma estrutura de sucesso da primeira

Quando a primeira temporada de ‘Jurassic World:Acampamento Jurássico’ estreou na Netflix ano passado, os fãs da franquia ‘Jurassic Park’ ficaram maravilhados com a incrível técnica para recriar os dinos mais famosos do cinema, dessa vez numa versão animada da história. Com uma trama que se inclinava surpreendentemente pro terror, inevitavelmente o público ficou ansioso pela chegada da segunda temporada – que, felizmente, veio bem rapidinho e já está disponível na plataforma da Netflix.

Depois da tentativa frustrada do grupo de tentar escapar da Ilha Nublar quando os dinossauros escaparam e de terem se separado de Ben (Sean Giambrone, na voz original) e Bolota, os jovens tentam apenas conseguir sobreviver no que restou do Parque e do ‘Jurassic World: Acampamento Jurássico’, embora o sentimento de perda e de desolação esteja imperando entre eles. Enquanto procuram não serem devorados pelos predadores, Darius (Paul-Mikél Williams), Yasmina (Kausar Mohammed), Brooklyn (Jenna Ortega), Kenji (Ryan Potter) e Sammy (Raini Rodriguez) vão descobrir que os dinossauros não são a única ameaça que terão que enfrentar antes de conseguirem voltar para casa.

O roteiro escrito majoritariamente por Josie Campbell, Michael Crichton, Sheela Shrinivas, Rick Williams e M. Willis baseado no livro original de Michael Crichton obedece ao mesmo formatinho da temporada inicial: igualmente com oito episódios, o arco se divide em três momentos cruciais, que se desenrolam entre o primeiro e o terceiro episódio; o terceiro e o quinto; e deste até o fim. Novamente, no começo temos um maior foco na relação interpessoal entre os jovens, para depois desenvolver melhor alguns dramas e apresentar o problema principal da temporada para, por fim, encerrar com uma pegada mais adulta, afastando-se do ar juvenil dos protagonistas.

A direção geral de Shih Ming Tay alcança resultado similar com essa segunda temporada, embora passe a sensação de ter colocado um pouco o pé no freio dessa vez. Apesar de seguir o mesmo formato da anterior – o que demonstra um planejamento bem organizado da série como um todo – essa segunda temporada é mais solar que a outra, por mais contraditório que pareça. Desta vez, as perseguições e suas respectivas soluções são mais simples, geram menos nervoso no espectador; a ameaça animal se resume basicamente à T-rex, de modo que os outros carnívoros aparecem pouco e, portanto, parece haver menos ameaças.

Por outro lado, há cenas bem mais pesadas que na temporada anterior e um debate que demonstra o amadurecimento desses personagens infantis. O traço e os efeitos especiais imprimidos nos animais são de tirar o fôlego e preenchem a tela; a gente chega a duvidar se não estamos vendo a mais um live-action de ‘Parque dos Dinossauros, ainda mais com o som incrível, que quase estoura nossos ouvidos de tão real. Tecnicamente, é um dos desenhos mais bem-feitos dos últimos tempos.

Jurassic World: Acampamento Jurássico’ continua sendo uma ótima série, especialmente para os fãs da franquia que aguardam ansiosamente o novo capítulo dos filmes. Por conseguir alcançar todos os quesitos do que é uma produção de entretenimento, ambas as temporadas são divertidas e cumprem com as expectativas.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.