Homem busca vingança pela terrível perda de sua esposa” é quase um combo clássico do gênero de ação. Apoiando a virilidade masculina na sensibilidade de uma tragédia, filmes desse cânone frequentemente sapateiam em um território confortável, buscando ousar sempre naquilo que faz a audiência salivar: Suas arquitetadas e ultra performáticas cenas de luta. E Justiça em Família segue o fluxo, com uma trama que em essência reside nos clichês deste formato. Mas trazendo uma pequena e prazerosa surpresa, o longa de Brian Mendoza foge um pouco da curva, com uma reviravolta que transforma o que poderia ser algo genérico em uma ótima experiência pipoca.

Justiça em Família aparenta seguir uma linha pontilhada, mas consegue cruzar suas próprias limitações de forma cativante. Explorando a psique humana e a dissociação como consequência de um trauma inextinguível, a produção se apropria do suspense e da ação para falar sobre como o comportamento psicossocial de alguém pode ser completamente transformado diante da perda. E ainda que não se aprofunde tanto nesse aspecto, o longa nos entrega o suficiente para mudar a nossa percepção ao longo da narrativa – principalmente quando a sua primeira hora começa a fadigar.

Outro aspecto que atrai os olhos é o seu alicerce. Embora pequeno e nada muito complexo, o roteiro de Philip Eisner e Gregg Hurwitz acerta por cutucar a indústria farmacêutica e todo o lobby que lhe envolve. Usando isso como a grande isca para as sucessões de cenas de ação, Justiça em Família pondera efemeramente sobre o eterno embate entre política, poder e produção de medicamentos de alto custo, fazendo uma crítica aos corruptos moldes usados para manter o monopólio de uma gigante empresa do ramo. Categórico ao apresentar a indústria e figuras políticas como os grandes vilões da trama, o filme tenta ser mais do que um filme de ação, ainda que navegue em águas rasas.



Mas como um puro entretenimento, Justiça em Família é aquilo que todo assinante busca na grade de programação da Netflix: Uma boa e intensa experiência, que instiga a atenção até o fim. E muito disso se dá pela ótima dinâmica entre Jason Momoa e Isabela Merced, que encaram os papéis de pai e filha com tranquilidade e serenidade. Nem sempre contracenando juntos, ambos se destacam em tela e entregam o necessário em níveis dramáticos e físicos. A jovem atriz ainda nos surpreende, mostrando habilidades acrobáticas que revelam um lado bem diferente de suas performances anteriores.

Com alguns erros de continuidade e pequenas falhas em sua montagem, o suspense de ação não deixa de ser uma eletrizante aposta para quem busca se revigorar com uma dose de adrenalina. Com o seu ponto forte sendo a sensibilidade de explorar as mazelas que um trauma é capaz de causar em alguém, Justiça em Família honra a audiência, surpreende com seus plot twist e chega à Netflix mais como um grande acerto do que como um inesquecível erro.

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