Quando Lady Gaga se determina a criar baladas, sejam elas românticas ou reflexivas, é muito difícil que ela erre a marca. Podemos tomar como exemplo boa parte da trilha sonora de Nasce Uma Estrela, dentro da qual ela assinou canções extremamente aclamadas e condecoradas pelos especialistas e pelo público – como “Shallow”, que viria a se tornar a música mais premiada da história, “Always Remember Us This Way”“I’ll Never Love Again”.

A explicação? Ora, Gaga sempre teve uma paixão inerente à sua própria personalidade em transformar dor em música e em hinos de empoderamento não apenas para ajudar os outros, mas também para se ajudar. Em 2015, ela lançou a tocante “Till It Happens To You”, que lhe garantiu a primeira indicação ao Oscar e que delineou uma delicada e profunda narrativa sobre abuso sexual e físico (que ela própria sofrera quando tinha apenas 19 anos); em 2017, pouco antes de estrelar o remake do filme supracitado, ela deu vida à antêmica “The Cure”, agradecendo aos fãs, carinhosamente apelidados de little monsters, pelo apoio que lhe deram desde o começo de sua carreira.

Agora, no auge de sua maturidade artística, Gaga foi escalada para escrever a música-tema do aguardado Top Gun: Maverick. Dito e feito, a performer divulgou hoje, 03 de maio, o áudio oficial da canção, intitulada “Hold My Hand” – e, para a surpresa de ninguém, a irretocável faixa apenas se consagra como mais uma das belíssimas entradas de sua invejável carreira. Seguindo os passos de “Take My Breath Away”, que comandou o filme original de 1986, a track se volta à estética oitentista e, ao mesmo tempo, se mantém fiel à identidade única de Gaga.



Dessa vez, Gaga resolve não se juntar a uma infinidade de colaboradores e assina os versos da música ao lado de BloodPop, com quem trabalhou no elogiado álbum ‘Chromatica’, de 2020. E, se nos recordarmos do resultado do compilado (uma amálgama French-house de pura dança e diversão), é interessante vê-los unir forças para uma balada tão poderosa quanto esta. A esperançosa narrativa ergue-se em formosura envolvente e apaixonante, misturando elementos do power-pop e do power-rock em um mergulho ao passado que reafirma o lugar atemporal da artista no cenário fonográfico.

Cada engrenagem funciona com perfeição, desde a inesperada distorção nos primeiros segundos (que alude com sagacidade à interferência radiofônica de um avião) às conhecidas fórmulas que tanto Gaga e BloodPop quanto o produtor Benjamin Rice usam a seu favor. Alguns podem equivocadamente taxar a música como “datada”, mas percebe-se que a faixa se finca com afeição a uma progressão mais familiar, dialogando com o tom do longa-metragem e com tantas bandas referenciadas (AerosmithGuns N’ Roses e, é óbvio, Berlin). A mimética instrumentalização, com as batidas bem demarcadas e o crescendo que prenuncia o explosivo refrão, destila-se dentro de um propósito claro e específico: dizer que, apesar dos problemas, tudo ficará bem no final.

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