Um clássico é um clássico, e não recebe esse nome à toa. Por isso, a nova adaptação de ‘Les Misérables’ – baseado na obra de Victor Hugo – em formato de série, que estreia agora na plataforma de streaming Starzplay, chega ao público no momento certo.

Com oito episódios e média de 44 minutos de duração cada, dividir em o livro de quase trezentas páginas é um dos acertos da produção da BBC, pois, com mais tempo, o drama épico ganha mais espaço para aprofundar os personagens. E, por ser uma produção da BBC, é preciso destacar o cuidadoso trabalho de direção de arte, em recriar uma Paris do século XIX através de técnicas de CGI, com especial preocupação ao figurino de época e aos acessórios utilizados pelos personagens.


Para quem não conhece, a história gira em torno de Jean Valjean (Dominic West), um detento que, embora esteja submetido a duras penas no trabalho forçado, continua a ser um homem bom e generoso, e isso provoca a inveja e a cobiça do chefe de segurança, o Tenente Javert (David Oyelowo). Depois que Jean Valjean escapa, Javert passa o resto da trama perseguindo o ex-detento, transformando-o em objetivo de vida. Em paralelo, Fantine (Lily Collins) é uma jovem sonhadora que se envolve com um rapaz e acaba tendo com ele uma filha, Cosette (Ellie Bamber), a quem deixa aos cuidados de Madame Thénardier (Olivia Colman) e de Thénardier (Adeel Akhtar), um casal de trambiqueiros dono de uma taberna. Anos de passam no desenrolar da história desses personagens, que tem início em 1815, após a derrota da França na batalha de Waterloo e com Napoleão isolado, de modo que, como pano de fundo, temos a restauração francesa, a luta pelo fim do império e as primeiras movimentações em direção à democracia.

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Por ser uma história já bastante conhecida e inúmeras vezes adaptada para o audiovisual, é preciso atentar-se para as diferenças trazidas no roteiro de Andrew Davies. O primeiro episódio, aquele que apresenta a trama, é pouco cativante; entretanto, a história avança para seus dois grandes ápices: o episódio 3, com a trajetória de Fantine, e o 6º, em que ocorre a revolução. Embora esses dois episódios sejam os mais marcantes (como é de se esperar), tem-se a sensação de que a carga dramática poderia ter sido um pouco mais intensa, menos apressada. Ou seja, apesar de possuir mais tempo por ser uma série, o roteiro opta por dar muito mais enfoque no duelo Jean Valjean-Javert do que nos outros personagens, de modo a faltar uns minutinhos a mais nos grandes eventos do enredo.

Não passa despercebido a inserção de atores negros no elenco, o que é bem legal, sim, afinal, já naquela época muitos negros viviam na França. Além disso, com exceção de Javert, todo o resto do elenco parece ter sido escolhido para se assemelhar ao filme homônimo de 2012. As atuações entregam dedicação à altura de seus personagens, com destaque para Lily Collins, que construiu uma Fantine frágil e desesperada, bem diferente dos papéis que costuma aceitar; e Olivia Colman, que foi de rainha da Inglaterra, em ‘The Crown’, à dona da taberna em tão pouco tempo.

Sem se aprofundar na violência física ou gráfica, o diretor Tom Shankland propõe uma sérieLes Misérables’ mais humana e menos partidária. Ainda assim, o resultado é um lindo projeto de recriação de um dos mais influentes episódios da história mundial, que, ao ganhar o formato de série, comprova a necessidade de ser uma história atemporal que precisa ser apresentada às novas gerações através das novas linguagens consumidas por elas.

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