As primeiras lutas por igualdade de gênero ganharam força no início do século XX, nas manifestações pelo sufrágio feminino, embora os primeiros levantes tenham ocorrido ainda no século XIX. Entre as décadas de 1960 e 70 o movimento ganhou uma nova onda com uma geração que pedia liberdade sexual, direitos humanos e por mais mulheres nas empresas. De lá para cá, essas mulheres cresceram e envelheceram, e agora, no início do século XXI, as filhas e netas desse mulheril está travando suas próprias batalhas, como é trazido em ‘Moxie: Quando as Garotas vão à Luta, novo filme juvenil da Netflix.

Vivian (Hadley Robinson) é uma jovem comum do 1º ano do Ensino Médio que acaba de voltar para a escola das férias de verão. Embora sua melhor amiga seja Claudia (Lauren Tsai), já no primeiro dia de aula Vivian conhece Lucy (Alycia Pascual-Peña), uma jovem preta que bate de frente com o professor por considerar ‘O Grande Gatsby’ um livro que exalta o privilégio branco e patriarcal. A partir daí, o universo de Vivian se expande, e ela começa a observar como a estrutura de sua própria escola é totalmente desigual e opressora com relação às estudantes. Num impulso de tentar dar um basta nisso tudo e fazer alguma coisa a respeito, ela secretamente cria o ‘Moxie’, uma silenciosa revolução que busca impulsionar outros estudantes a lutar por direitos iguais para todos.



Baseado no livro homônimo de Jennifer Mathieu, o grande mérito do filme é inspirar um sentimento de reflexão e revolta nos adolescentes de hoje – em especial nas adolescentes –, para que não aceitem como normal as formas abusivas com que muitas escolas gerenciam os alunos. Se colocarmos a mão na consciência, podemos citar diversos filmes de High School nos quais esse comportamento abusivo é normatizado e até exaltado, como o popular ‘Meninas Malvadas’.

Recheado de boa intenção, o roteiro de Tamara Chestna e Dylan Meyer tenta equilibrar as muitas pautas levantadas pelo longa, porém, às vezes escorrega na própria bandeira. Os primeiros dois arcos são trabalhados de maneira consistente, mas, ao nos aproximarmos para o terço final de ‘Moxie’, o roteiro dá uma acelerada, como quem de repente se dá conta de que ainda precisava falar de um monte de coisa em pouco tempo, e começa a jogar cenas e diálogos aleatoriamente, sem construir de maneira coerente a base desses debates, deixando, inclusive, um final sem solução. Também no papel da mãe de Vivian, a diretora Amy Poehler deveria ter peneirado um pouco mais o livro para que seu filme focasse mais nos temas centrais do enredo.

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Embora o mote do filme seja o feminismo jovem, é simplesmente adorável ver a relevância do personagem Seth (Nico Hiraga), um garoto fofo, gentil, consciente da importância da igualdade dos gêneros e que apoia a luta das mulheres. É claro que ter as jovens na luta é primordial, mas é tão ou mais necessário que os meninos sejam educados a serem respeitosos com as mulheres, pois só assim a coisa toda irá de fato mudar. E, em pleno século XXI, é bom ver filmes como ‘Moxie: Quando as Garotas vão à Luta’, que mostram que a igualdade de gêneros é uma responsabilidade tanto de mulheres quanto dos homens, e é preciso entender isso desde muito jovem.

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