Uma sensação inesperada e um frenesi gigantesco entre a faixa etária mais jovem de usuários da Netflix, a adaptação do livro A Barraca do Beijo veio como uma avalanche sem precedentes, se tornando uma comédia teen amada por muitos, mas também detestada por vários. Com uma trama regada dos mais diversos clichês do gênero, adaptados aos moldes contemporâneos, a produção se inspira no formato de clássicos atemporais como Meninas Malvadas, 10 Coisas que Eu Odeio em Você e O Clube dos Cinco. Se sustentando em uma narrativa pouco construída, a produção é um experimento despretensioso que garante o seu sucesso na leveza de um roteiro sem pressão. E assim, o ciclo se repete com a aguardada sequência A Barraca do Beijo 2, que traz todo o carisma despojado de Joe King de volta à Netflix.

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O ano é novo, mas a trama nem tanto. A continuação da jornada da adolescente Elle Evans ganha os dissabores de um relacionamento à distância e a dureza de tomar a decisão escolar que vai redefinir os rumos da sua vida, em meio a vários questionamos particulares permeados por complexos de identidade – natural dessa fase de transição. E com um enredo que é basicamente a essência de inúmeros títulos teens que ajudaram a coroar o subgênero nos anos 90 e 2000, A Barraca do Beijo 2 se consolida ainda mais como um prazer culposo, justamente pela divertida combinação que é o seu elenco principal. Como uma espécie de alquimia juvenil, King se une mais uma vez a Jacob Elordi e Joel Courtney, com o acréscimo do novato ator Taylor Zakhar Perez, que garante o fator novidade da narrativa, embora seu papel seja pouco original.

Com uma dinâmica entre os personagens que funciona de maneira ainda mais cativante, o longa acaba se sustentando do começo ao fim exatamente neste único ponto, fazendo com que a trama em si se torne menos importante do que de fato as amizades ali retratadas. Conseguindo conquistar a atenção da audiência a partir de sua atmosfera desbocada e um tanto debochada – constantemente impressa na desenvoltura relacional dos protagonistas, A Barraca do Beijo 2 é um longa cheio de falhas, que erra – quase que – de forma proposital, abraça o subgênero de Prazeres Culposos e se firma como um clássico mais-do-mesmo, que sempre vai deixar um gostinho de quero mais em seu público.



E embora a continuação possua inúmeras falhas técnicas em sua produção, principalmente na construção de seu roteiro, suas piadas bobas e pouco elaboradas superam as expectativas e extraem da audiência o envolvimento e identificação necessários para garantir o sucesso do filme. Se apoiando intensamente em um humor ora pastelão, ora pseudo conceitual (vinculado mais aos diálogos conduzidos por Joe King), a comédia consegue extrair o riso com facilidade, ainda que sua previsibilidade integral nos permite destrinchar todo o desenrolar do filme antes mesmo do fim dos primeiros 30 minutos do longa.

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Voltado para uma audiência despretensiosa e disposta a se divertir sem parâmetros e expectativas, a continuação tem sua maior falha em seu tempo de duração, que estica uma narrativa tão simples e fácil de ser resolvida em 1h30 de filme para pouco mais de duas horas. Beirando o repetitivo e o cíclico, a produção 2 se perde um pouco em si mesma, se empolga demais nos dilemas dos seus próprios personagens e depois tenta resolvê-los em uma fração de minutos. Mas com um elenco tão cativante e que é capaz de segurar as pontas em seus momentos mais exaustivos, A Barraca do Beijo 2 consegue sim ser aquela comédia teen para fazer corações pueris suspirarem e mentes jovens devanearem. E pode até não trazer nada de novo, mas dependendo do seu bom humor, até vale a pena ver de novo.

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