Crítica | Nise – O Coração da Loucura

É incrível o poder que o cinema tem para nos emocionar e nos apresentar personalidades de grande importância de uma maneira que nunca havíamos conhecido. E não estamos falando das Kardashians ou essas celebridades instantâneas, e sim de uma das mulheres mais marcantes e poderosas do último século.

Nise – O Coração da Loucura’ nos conta a história real de Nise da Silveira, uma das primeiras mulheres brasileiras a se formar em medicina. Ela morreu em 30 de outubro de 1999, mas deixou um grande legado que poucos conheciam: dedicou sua vida a tratar os pacientes de um hospital psiquiátrico como clientes, tentando dar uma vida digna àqueles que foram diagnosticados com esquizofrenia e eram vistos pela sociedade como uma escória.

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A emocionante trama do filme acompanha um período da vida de Nise. Ao sair da prisão, ela retorna aos trabalhos num hospital psiquiátrico no subúrbio do Rio de Janeiro e se recusa a empregar o eletrochoque e a lobotomia no tratamento dos esquizofrênicos. Isolada pelos médicos, resta a ela assumir o abandonado Setor de Terapia Ocupacional, onde dá início a uma revolução regida por amor, arte e loucura.

O roteiro extremamente bem estruturado nos mostra a batalha desta mulher contra a sociedade machista e os princípios duvidosos de outros psiquiatras, conseguindo emocionar e nos tocar de uma maneira profunda.

Aliado à direção sensacional e sufocante de Roberto Berliner, está a atuação majestosa de Gloria Pires como a protagonista. A atriz incorpora a psiquiatra e nos entrega uma das melhores performances de sua carreira, já conhecida por grandes papeis.

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O elenco de apoio está fantástico, com destaque para o esquizofrênico vivido por Fabrício Boliveira e a enfermeira de Roberta Rodrigues. É incrível a entrega dos atores para o projeto, que transparece em cena nos momentos em que somos transportados para o hospital psiquiátrico dos anos 40.

Apesar do clima tenso e asfixiante, ‘Nise – O Coração da Loucura’ consegue emocionar e nos apresentar de maneira digna essa médica brasileira de renome, que poucos conhecíamos. Uma obra-prima do cinema nacional, que nos mostra um mundo muito maior daquele que conhecemos, aonde toda a loucura deve ser respeitada e perdoada.

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Renato Marafon
Renato Marafon
Criador do CinePOP em 1999 e apaixonado por cinema.