Cão Herói

Tentar questionar os feitos inacreditáveis do cão Buck nesta superprodução é uma tarefa inútil. É preciso ter em mente que este é um filme de entretenimento mirado para a família toda. E quando falamos em uma produção deste porte atualmente, ela é sinônimo de efeitos especiais, ação desenfreada e muito mirabolismo – algo como os filmes de super-heróis que lotam as salas de cinema mundiais. Dentro deste parâmetro, ainda é possível encontrar mais humanidade neste O Chamado da Floresta do que em muitas das produções do gênero citado acima.

Trata-se da terceira adaptação para as telonas do clássico livro escrito por Jack London, depois de O Grito da Selva (1935), com Clark Gable, e Catástrofe nas Selvas (1972), com Charlton Heston. Isso sem falar de um filme feito para a TV ainda em 1976, outra produção televisiva em 1997 (protagonizada pelo saudoso Rutger Hauer), uma série em 2000, e até uma produção em 3D levemente baseada na obra original. Ufa. Este é praticamente um Adoráveis Mulheres canino.

Primeira produção a ser lançada com o logo 20th Century Pictures (sem Fox) após a compra da Disney, a trama aqui é dividida em dois atos. Na primeira parte, o híbrido das raças São Bernardo e Scotch Shepherd, Buck, é o “terror” de uma pequena cidade americana na década de 1890. Grandalhão, desastrado, sempre faminto, mas muito inteligente, Buck é o animal de estimação do juiz Miller (papel de Bradley Whitford). Acostumado a viver entre humanos, o cachorro é sequestrado da Califórnia e vendido na gelada Yukon, Canadá, onde logo vira um cão puxador de trenó. Neste primeiro momento seu dono é interpretado por Omar Sy e sua tarefa é entregar correspondência por terrenos perigosos.

É neste primeiro trecho que se encontra o maior brilho do filme, em especial ao traduzir com propriedade e insight o “espírito da matilha”, de como funciona a hierarquia animal – não muito diferente da selva humana. Buck, o novato na equipe, começa a se tornar uma ameaça para Spitz, o líder dos cães, um Husky Siberiano. Até de fato se impor e se tornar o novo líder. Aqui também temos levemente adereçada a síndrome dos tempos modernos, onde homens começavam a perder seus empregos para máquinas.

O segundo ato traz Harrison Ford à frente do elenco, intervindo pelo cão quando este é comprado por um ganancioso e caricato almofadinha (papel de Dan Stevens), o vilão do filme. O objetivo do sujeito é o pano de fundo da história, a corrida do ouro do período, onde muitos tiraram suas fortunas dos rios repletos de pepitas do reluzente minério. É aqui que O Chamado da Floresta desacelera, decaindo em subtramas desinteressantes e menos desenvolvidas. A relação de Buck com seus ancestrais, por exemplo, é prenunciada durante a projeção, mas só é inserida de fato nos quarenta e cinco do segundo tempo.

10 filmes de terror no Amazon Prime Video para fugir dos problemas…

Aproveite para assistir:

10 Séries de Comédia para Maratonar nas Próximas Semanas

O que impressiona de verdade é o efeito que traz Buck à vida em tela. Sim, o cachorro aqui é completamente gerado por computadores – com uma tecnologia que usa um cão de verdade como molde, capturando seus movimentos e os reproduzindo através de efeitos visuais. Há alguns anos vivíamos afirmando que tais efeitos estavam quase lá. Bem, hoje é seguro dizer que já estamos lá neste quesito. Em algumas cenas é difícil imaginar que não estamos vendo um cachorro de verdade diante de nossos olhos, tamanho o realismo empregado na técnica. Fora isso, o roteiro cria Buck como um dos melhores protagonistas caninos da história do cinema. Seu carisma é palpável. Suas ações louváveis.

O capricho na parte técnica e efeitos, e o dinamismo do longa se deve pela direção de Chris Sanders, um especialista no quesito, em seu primeiro filme com atores reais. Anteriormente, o cineasta esteve no comando de sucessos da animação como Lilo & Stitch (2002), Como Treinar o Seu Dragão (2010) e Os Croods (2013).

O Chamado da Floresta, assim como seu protagonista, é um híbrido: entre o antigo e o moderno. Em seu núcleo usa como material fonte uma história publicada em 1903, respeitando sua essência e se comportando como uma aventura de matinê à moda antiga – onde os principais predicados eram a inocência e valores primordiais (talvez perdidos numa era cada vez mais cínica). Por outro lado, usa a forma dos blockbusters atuais, repleto dos elementos confeccionados especialmente para prender a atenção da garotada dispersa de hoje – a qual tende a se desinteressar por menos de cinco eventos ocorrendo ao mesmo tempo.

Dessa amálgama nasce uma obra que transita bem entre os dois mundos, nunca utilizando a tecnologia como único atrativo. Muito pelo contrário, aqui ela é um artifício em prol da história, sem que em qualquer momento nos tire desta narrativa. O Chamado da Floresta é um filme redondinho, perfeito para os pais levarem seus filhos nesta época de férias escolares.

15 Séries da Netflix Para Maratonar

15 Séries da Globoplay Para Você Maratonar

15 Séries da Amazon Prime Para Maratonar neste mês

10 reality shows insanos pra você que amou The Circle e Casamento às Cegas

Não deixe de assistir:

SE INSCREVA NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE