Crítica | ‘Um Dia de Sorte em Nova York’ – Um retrato humano onde o silêncio também grita

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CríticasCrítica | ‘Um Dia de Sorte em Nova York’ – Um retrato humano onde o silêncio também grita

A imigração é um tema recorrente no universo da sétima arte. Esses olhares frequentes sobre uma situação vivida por muitas pessoas mundo afora sempre trazem reflexões, aproximando a ficção de um cenário constante e atual da realidade.

O primeiro longa-metragem da carreira do cineasta Lloyd Lee Choi, Um Dia de Sorte em Nova York, atravessa esse universo sob um olhar intimista, focando nos detalhes cotidianos e se blindando com uma melancolia aguda que dilacera os confrontos morais ligados às inconsequências disponíveis. Simultaneamente, sugere a crueldade do destino que encontra a trajetória de um homem buscando a vida na mais badalada cidade do mundo.

Man in a dark jacket sits in a dim, blue-lit alley, looking down with a weary expression.

Lu JiaCheng (Chang Chen) é um imigrante chinês que vive nos Estados Unidos há alguns anos e trabalha como entregador por aplicativos. Juntando dinheiro para trazer sua família para perto, vive os dias focado no trabalho. Próximo de conseguir o seu maior sonho – ter sua esposa e a filha (que mal conhece) morando com ele -, vê sua ferramenta de trabalho, uma bicicleta elétrica, ser roubada. Desesperado, e rodando pelas ruas nas horas que se seguem após o roubo em busca de soluções, percebe que sua situação se transforma em um labirinto de poucas oportunidades.

Two people in heavy winter coats sit outside, with bare trees in the background, looking concerned.

Exibido no Festival de Cannes do ano passado, o título original do filme, Lucky Lu, sugere uma ironia afiada e vamos percebendo isso com os acontecimentos que seguem. O discurso do roteiro – assinado pelo próprio diretor – parte de mostrar algumas horas na vida de um sofrido e azarado protagonista que, sem muitas opções, se vê perdido em dilemas em uma cidade que, muitas vezes, mais afasta do que aproxima.

A concepção visual, com cores frias remetendo à tristeza e um vazio existencial, potencializam a razão emocional desse protagonista, que vai cedendo as tentações morais, se entregando às próprias percepções limitadas da realidade em que está.

Imersa nessa narrativa introspectiva e com ritmo lento, buscando um profundo recorte humano onde o silêncio também grita, a obra desfila suas críticas sociais de forma contundente e encontra amplitude em uma linha filosófica existencialista. Nesse contexto, a solidão e os lampejos de liberdade saltam na tela, com o acréscimo da cidade de Nova York como um personagem.

Tocante, e também angustiante, Um Dia de Sorte em Nova York apresenta muitas realidades a partir de um olhar profundo sobre uma situação importante e que sempre podemos tirar boas reflexões.

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Raphael Camacho Crítico de Cinema
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.

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