Em tempos de água contaminada no Rio de Janeiro, a estreia de ‘O Preço da Verdade’ nos faz refletir sobre como as medidas adotadas lá e aqui foram (e continuam sendo) terrivelmente diferentes.

Baseado em fatos reais, o longa conta a impressionante história da pequena cidade de Parkersburg, onde uma poderosa empresa, DuPont, se instalara e vinha despejando dejetos tóxicos de maneira inapropriada nos rios da região, além de a DuPont enterrar produtos químicos que, em pouco tempo, também contaminaram o solo. Um dia o fazendeiro, Wilburt Tennant (o ótimo Bill Camp) contacta o advogado Robert Billiot (o famoso Hulk, Mark Ruffalo) e pede seu auxílio. O que de início parecia apenas uma ajudinha para um morador local rapidamente se transforma numa das maiores ações judiciais contra uma poderosa empresa estado-unidense, literalmente encabeçada por um único (e corajoso) advogado.

A história de ‘O Preço da Verdade’ é melhor do que as atuações apresentadas ou que seu título em português. Com exceção de Bill Camp, todo o resto do elenco parece estar dessintonizado, como se não tivessem tido preparação ou orientação em conjunto. Mark Ruffalo passa o filme inteiro com cara de sofrimento, o que não ajuda quando seu personagem de fato sofre no longa; Anne Hathaway, que é anunciada como um dos principais nomes do longa, na verdade faz uma figuração de luxo, e até metade do filme seu rosto sequer aparece na telona; o resto do elenco masculino anunciado faz o que tem que ser feito, sem oferecer nada além do básico.

Porém, como falamos, o principal destaque é a história absurda de ‘O Preço da Verdade’: o fato de a empresa DuPont ter contaminado toda uma cidade com um composto químico chamado C-8 (carbono 8, ou seja, 8 moléculas de carbono agrupadas), que eles convenientemente mudaram de nome nos relatórios e chamaram de PFOA para disfarçar. Para vocês terem uma noção, o C-8 é um bioacumulador, uma substância que entra no organismo do ser humano ou do animal e fica nele para sempre! É, é isso mesmo. Como sintoma, há o endurecimento dos dentes, que a médio prazo ficam pretos, o enlouquecimento de animais e o desenvolvimento de nove tipos diferentes de câncer no organismo humano. O C-8 é um ácido químico não regulado, fortemente monitorado hoje em dia pelo governo dos EUA.

O processo iniciado por Tennant e Billiot levou quase vinte anos nos tribunais, e expandiu para mais de três mil casos diretamente atingidos pela imprudência da DuPont. E sabem onde o C-8 pode ser encontrado desde aquela época? Em quase tudo que usamos: o C-8 é o composto químico base do teflon – a tecnologia que permite as panelas serem antiaderentes. Ou seja, comemos C-8 desde sempre, e ele basicamente está presente no organismo de todo ser humano do planeta, tendo a gente consumido o ácido direta ou indiretamente ao longo de nossas vidas. Legal, né?

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Em tempos de contaminação do lençol freático carioca, que há mais de um mês vem recebendo água suja para consumo humano, é doloroso ver como uma situação semelhante foi tratada nos EUA (com ações judiciárias milionárias) e como tem sido no Rio de Janeiro (com o presidente da Cedae falando que a água está apta para consumo, só não está confortável). Filmes como esse nos fazem abrir os olhos não só sobre os perigos das multinacionais preocupadas unicamente com o lucro e não com o meio-ambiente, mas também sobre como o nosso país não se preocupa nem um pouco com os recursos naturais e com a própria população brasileira.

O Preço da Verdade’ é exatamente o que o título anuncia: um filme que você vê para saber a verdade, porque ela precisa ser contada, mas que deixa uma tristeza profunda dentro da gente, afinal, esta verdade é terrível e, infelizmente, imutável.

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