O fim é sempre um recomeço. Passado, presente, futuro. Será que a mesma história pode ser escrita diversas vezes? Baseado no romance A Trança de Inês de Rosa Lobato de Faria, o longa-metragem português Pedro e Inês navega na idade média, nos tempos atuais, na distopia, usa da poesia, das linhas instigantes das metáforas para de alguma forma mexer com as nossas percepções sobre o que é o amor, ou pelo menos um dos recortes desse tão concorrido mas também conflitante sentimento. Dirigido pelo cineasta Antonio Ferreira, em seu terceiro longa-metragem como diretor, o filme conta com ótimas atuações de grandes artistas portugueses, e parte do princípio da história do Infante (depois Rei) Pedro I, conhecido como Justiceiro, filho do rei Afonso IV e Beatriz de Castela que desenterrou sua amante Inês de Castro para torná-la rainha depois de morta.

Na trama, conhecemos a saga em vários tempos de Pedro (Diogo Amaral) e Inês (Joana de Verona). Duas almas que parecem conectadas além tempo, mudando histórias, trajetórias e gerando choques de pensamentos dos que os circulam em todas essas linhas temporais impostas pela história. A dor e o desespero dos sentimentos acompanham esses amantes que em todas as fases desse amor enfrenta o conflito entre a felicidade completa aos seus respectivos olhos e a tragédia, esse último quase um fio condutor de qualquer ação que eles tomem para se manterem unidos.



Enxergamos a história pela ótica de Pedro. Inconsequente, é o que menos sabe lidar com todo o sentimento que é lhe colado em sua frente, deixando de saber conviver com isso, as razões objetivas, críticas e egoístas viram quase um estado de iminência. Aos olhos dos outros, seu amor por Inês sempre fora algo não bem visto por gerar diversas barreiras em seus respectivos entendimentos, esses conflitos trazidos pelo maior dos sentimentos ganham contornos dramáticos, com imposições e outras questões.

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Exibido na Mostra de São Paulo e no Festival do Rio anos atrás, o projeto busca explicações para seus porquês dentro da estrada sempre muito interpretativa do amor atemporal. Há um grande poder criativo nessa adaptação de um romance de sucesso da literatura portuguesa. A partir do que aconteceu na história, toda a dramática saga do Infante D. Pedro I é vista por inúmeras direções, trazendo pelo tempo suas descosturas o que faz refletir sobre o amor e as relações. Competente e bonito trabalho. Estreia em 8 de julho nos cinemas.

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