Filme assistido durante o Festival de Sundance 2021

Emoções à flor da pele e a intensidade dos sentimentos sempre em esferas hiperbólicas descrevem tanto o amor juvenil, como a escrita de Shakespeare. Sempre no cume mais alto da dor e da euforia, ambos possuem muito mais em comum do que talvez jamais diríamos. E o drama teen R#J faz essa inusitada – porém exata – combinação entre extremos que nunca se pareceram tanto. Trazendo uma releitura impecável do clássico romance Romeu e Julieta, Carey Williams faz do seu filme a versão mais original da trágica história de amor mais celebrada no mundo.

Voltando os seus olhos para a contemporaneidade da tecnologia avançada, Williams reitera a atemporalidade do dramaturgo e escritor britânico, com um conto sobre um amor condenado ao fim. Aqui, as principais mídias sociais da atualidade se desabrocham como instrumentos narrativos para relatar a trama, sob uma perspectiva criativa que se inspira diretamente no aclamado thriller Buscando…. Mas R#J trata a paixão adolescente pelos ângulos dessa própria geração, mesclando conversas acaloradas e visuais de grupos de WhatsApp, à likes e comentários em publicações do Instagram. Tudo é visto pelo olhar deles e pela forma como eles enxergam o mundo – obviamente sempre com um smartphone na mão para registrar tudo.

Impecável em seu argumento, o drama teen consegue ser ainda mais ousado, com um roteiro performático que une as gírias contemporâneas com o rebuscado inglês arcaico – que garante o selo de Shakespeare de maneira original e brilhante. Em meio a discursos poderosos que parafraseiam e apimentam alguns dos melhores trechos de Romeu e Julieta, R#J é uma experiência cinestésica imersiva, prazerosa e garante um frescor diferenciado a esse clássico, à medida em que se constrói como uma autêntica história sobre diferenças socioculturais, imigração e comunidade.



Com um Romeu negro (Camaron Engels) e uma Julieta latina (Francesca Noel), R#J não é aquele filme que força a representatividade para fins comerciais, mas adapta o conto de Shakespeare de forma profundamente atual, levando a dolorosa história de amor para os átrios das brigas de gangues divididas por raças e bairros, e desentendimentos entre famílias que movimentam e comovem toda uma comunidade local. Intrigante e envolvente, o drama torna a experiência shakespeareana em algo diferenciado, dando à audiência a sensação de estar diante da história de Romeu e Julieta pela primeira vez.

Mostrando ainda o quão versátil o clássico de época continua sendo, a produção sabe reter a nossa atenção e fôlego, nos levando ao nível de intensidade dos personagens. Com uma direção e montagem bem ajustadas e precisas, o longa conta com um figurino incrível, que flerta com a moda vigente, enquanto brinca com tecidos diversos e texturizados que fazem referência ao design de figurino de Romeu+Julieta, de Baz Luhrmann. Com atuações que navegam entre a caricatura dramática – tradicional assinatura de Shakespeare – e a suavidade e leveza de performances naturais, R#J é um olhar completamente revigorante, que renova o fôlego de um dos maiores contos da história.

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