Crítica | Silêncio na Floresta – Série de Suspense da Netflix é Sólida, porém Arrastada

O escritor de romances policiais Harlan Coben acaba de ter mais um de seus livros adaptados pela Netflix. Com uma literatura ágil e instigante, suas histórias são facilmente transpostas para o formato audiovisual, e, após os sucessos das séries ‘Safe’ e ‘Não Fale com Estranhos’, chega agora à plataforma de streaming a primeira temporada de ‘Silêncio na Floresta’ – mais um suspense criado pelo escritor estadunidense.

Como é típico em suas tramas, a história dessa nova série entrelaça diversos núcleos. Em ‘Silêncio na Floresta’ focamos nossa atenção em Pawel Kopinski (Hubert Milkowski), um jovem adolescente responsável por fiscalizar outros adolescentes durante um acampamento de verão no meio da floresta, administrado por sua família. Só que, como é natural em todo adolescente, Pawel faz amizade com outros jovens e se apaixona por Laura Goldsztajn (Wiktoria Filus), filha de um dos monitores do acampamento.

As férias de verão iam muito bem até o último dia, quando dois corpos são encontrados no meio da floresta e dois jovens são dados como desaparecidos, incluindo a irmã de Pawel. Então, vinte e cinco anos se passam, Pawel (Grzegorz Damiecki) é hoje um procurador da justiça, mas algo desse passado não resolvido volta à tona ao mesmo tempo em que Pawel recebe o caso de uma jovem que está acusando dois rapazes poderosos de tê-la estuprado.

Através da colaboração de cinco pessoas, o roteiro alterna duas linhas temporais distantes uma da outra em vinte e cinco anos: agosto de 1994 e setembro de 2019. No tempo atual, o núcleo de Pawel se subdivide entre o caso da violentada e a investigação de Pawel referente ao verão de 1994. Apesar de (ou talvez por causa disso) ter essas três linhas de condução e de ficar constantemente indo e vindo no tempo, ‘Silêncio na Floresta’ tem um ritmo arrastado, pouco avançando em cada um dos seus seis episódios de cerca de cinquenta minutos de duração.

A dupla de diretores Leszek Dawid e Bartosz Konopka constrói uma boa atmosfera de suspense, embora o destaque maior seja o núcleo jovem, com um elenco mais à vontade cuja trama tem maior desenvoltura. As tomadas aéreas de drone chamam a atenção conjuntamente com uma fotografia por vezes poética, porém o capricho da edição às vezes desliza com uns cortes abruptos de cena.

Dividida em poucos episódios, ‘Silêncio na Floresta’ é uma boa série de suspense cujo um dos atrativos é o fato de ser uma produção polonesa, e falada em polonês, embora o autor do livro seja estadunidense. Isso demonstra a capacidade não só da história de ser universal, como também evidencia o alcance da Netflix no mundo, conectando histórias e criadores de países diferentes.

Com uma boa história, ‘Silêncio na Floresta’ não captura o dinamismo dos livros de Harlan Coben. É uma série de entretenimento interessante que surpreendentemente fecha a história por completo em seu último episódio, portanto, se não for renovada para uma nova temporada, fica tudo bem.

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Janda Montenegro
Janda Montenegrohttps://cinepop.com.br
Janda Montenegro é doutora-pesquisadora em Literatura Brasileira no Programa de Pós-Graduação em Letras da UFRJ com ênfase nas literaturas preta e indígenas de autoria brasileira contemporâneas. De origem peruana amazônica, Janda é uma palavra em tupi que significa “voar”. Desde 2018 trabalha como crítica de cinema nos portais CinePOP e Cabine Secreta. É curadora, repórter cultural, assistente de direção e roteirista. Co-proprietária da produtora Cabine Secreta e autora dos romances Antes do 174 (2010), O Incrível Mundo do Senhor da Chuva (2011); Por enquanto, adeus (2013); A Love Tale (2014); Três Dias Para Sempre (2015); Um Coração para o Homem de Lata (2016); Aconteceu Naquele Natal (2018,). O Último Adeus (2023). Cinéfila desde pequena, escreve seus textos sem usar chat GPT e já entrevistou centenas de artistas, dentre os quais Xuxa, Viola Davis, Willem Dafoe, Luca Guadanigno e Dakota Johnson.