Ao começar a entender sobre o que girava a trama de Sobrevivência, novo filme de Ben Affleck que chegou à Netflix nesta semana, pensei: eu já vi esse filme antes! E não estava tão errado assim, já que uma obra lançada na Apple Tv tempos atrás, Luta de Classes, ia na raiz de uma importante questão também apresentada aqui: um sequestro com desenrolares parecidos e com o mesmo dilema moral. Mesmo com essa pulga atrás da orelha, segui em frente e me deparei com recheios que diferem uma obra da outra.
Mark Kimball (Ben Affleck) é um político que vem buscando se manter vivo nas eleições para prefeitura de Los Angeles. Ele vive com a esposa, Abigail (Kerry Washington), e o filho, Denny (Christopher Woodley), em uma luxuosa mansão. Sempre ao lado do seu gerente de campanha, Sam (Steven Yeun), busca se movimentar para convencer o máximo de eleitores. Um dia, seu filho acaba sendo sequestrado, levando Mark a precisar se associar a pessoas influentes e perigosas, como a enigmática Dayle (Gillian Anderson). Quando o garoto misteriosamente reaparece, Mark descobre que os criminosos o confundiram com outra criança, que agora está em poder dos criminosos. Precisando definir o que fazer, se ajuda ou não a outra criança, ele se vê diante de segredos de família e decisões que precisam ser tomadas sem tempo de amadurecimento de ideias.

Buscando estabelecer, em um primeiro momento, uma base bem próxima ao cotidiano contemporâneo de um país em ebulição política constante, que projeta na questão dos imigrantes um fator que divide opiniões e escancara verdades preconceituosas, Sobrevivência busca no decifrar o instinto humano seu desenvolvimento, focando nos conflitos que se somam na frente de personagens que vão cruzando as linhas da ambiguidade moral.
Seu MAIOR ERRO hoje pode ser não assistir a um destes 10 filmes!
Seguindo por essa estrada, provoca e coloca princípios em xeque, seja através do que acontece quando se abre as portas das verdades escondidas, como o segredo da esposa, seja pelas mentiras sobre o investimento de uma vida em uma campanha política que se diz independente, ou mesmo o acordo com uma pessoa poderosa que cobra seu preço. Entretanto, quando o roteiro começa a tirar os pés do chão e embarca em uma ação desenfreada, marcada pela conveniência, o filme perde totalmente o fôlego, nos levando para um desfecho pouco inspirado, que posiciona o protagonista como um anti-herói validado por ações mirabolantes, perdendo totalmente a capacidade de sugerir profundas reflexões.

Em seu quinto longa-metragem como diretor, Ben Affleck continua sua busca em trazer ao público situações que nos colocam à beira de dilemas contemporâneos, naquela linha do ‘o que eu faria?’, algo visto em algumas de suas outras obras atrás das câmeras. Pena que, em Sobrevivência, a segunda parte da história deixa muito a desejar.


