Quando pensamos em cinema, nem sempre o caminho mais fácil é aquele que envolve o público. Baseado na obra Medley ou Os Dias em Que Aprendi a Voar, da escritora Keka Reis, o longa-metragem Medley é uma junção de momentos de uma jovem adolescente em busca de respostas. Convencional até a última linha do roteiro, a obra dirigida pela cineasta Ana Luiza Azevedo mastiga uma porção de temas sem deixar marcas de reflexões.
Exibido no Festival do Rio 2026 e focando em um público adolescente, a obra apresenta uma montagem que faz a história fluir, mas que não apresenta grandes momentos. O projeto aborda as consequências de tabus familiares, a primeira vez e o despertar de um amadurecimento de forma leve e superficial, se acomodando nas conveniências, colocando na gaveta provocações importantes que poderiam enriquecer debates para todas as idades.

Lola (Mel Maia) é uma garota introspectiva e uma fera da natação. Ela vive numa grande cidade com a mãe, Catarina (Mariana Lima), uma professora que não tem tempo de dar atenção à filha. Lola se sente bem somente no refúgio das águas, um habitat onde encontra a paz para organizar as ideias e pensar sobre os conflitos, principalmente aqueles relacionados com a distante mãe. Um dia, resolve passar uns dias na casa de um tio, no interior, e lá começa a passar por situações e revelações sobre o pai que pouco conheceu, que a fazem compreender de novas formas seu momento presente.

A protagonista é o centro das atenções e pelo olhar dela que se desenrolam os pouco mais de 90 minutos de projeção. Sua jornada, repleta de sentimentalismo, conta com uma série de situações encaixadas envolta de um passado com espaços a serem descobertos. Essa necessidade de encontrar as respostas é a base do seu desenvolvimento. Pena que, ao optar por não sugerir ou provocar o público a pensar além dos fatos que se apresentam, a narrativa segue pela estrada do ‘água com açúcar’, sem a ousadia de se lançar nas infinitas possibilidades que a linguagem oferece e, principalmente, explorar de forma mais profunda os conflitos.

Da deixa romântica à competição, passando por momentos de silêncios onde respira alguma tentativa de romper camadas, parece que estamos assistindo a um filme previamente decifrável, que, desde seu início, se estrutura no conforto da previsibilidade.


