Crítica | Tsili: 38ª Mostra de Cinema de SP

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CríticasCrítica | Tsili: 38ª Mostra de Cinema de SP

AMOS GITAI FOCALIZA O DRAMA DOS REFUGIADOS NA SEGUNDA GUERRA

 

Em Tsili (Tsili), o israelense Amos Gitai escolhe abordar a segunda guerra mundial do ponto de vista dos refugiados. O filme começa com a protagonista Tsili (Sara Adler), vestida de branca, em um fundo preto, fazendo passos de dança moderna. Em seguida, encontramos a mesma personagem lançada em uma floresta da Ucrânia.

Somando dança e as primeiras cenas na floresta, são quase 20 minutos sem diálogos. Nessa parte inicial, veremos Tsili, já sem ninguém, em um confronto pela sobrevivência. Sara Adler transmite toda a dor da personagem, seja pela expressão facial, seja pelo gestual. As primeiras falas surgem quando Tsili encontra Marek (Adam Tsekhman). Ambos estabelecerão uma relação complicada, como uma guerra.

No segundo ato do filme, Tsili afasta-se de Marek e se junta a um grupo de judeus refugiados. Mais dificuldade e chegamos à parte final, na qual vemos Tsili em um hospital destruído. Em um dos instantes mais emocionantes da película, acompanharemos um monólogo interno dela. A sequência irá encerrar com um close do rosto de Tsili, em uma síntese de dor e esperança.

O filme ganha camadas com as imagens de arquivos usadas na parte final. São filmagens de crianças refugiadas sorridentes, mas com marcas dos sofrimentos decorrentes da guerra. O filme torna-se a narrativa da capacidade da inocência resistir à brutalidade.

Por sua forma, Tsili não é fácil de assistir. Com muitos silêncios e com um tema forte, o filme, livremente inspirado no livro de Aharon Appelfeld, pode não agradar a todos.

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Georgenor Franco Neto

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