Miguel Falabella é um ator e apresentador que durante anos foi um rostinho bastante conhecido na televisão brasileira, mais lembrado por seus comentários inspiracionais no programa ‘Vídeo Show’ e por sua atuação como Caco Antibes, em ‘Sai de Baixo’. Entretanto, quando ele vai para trás das câmeras – seja escrevendo roteiros, seja dirigindo – é que Falabella encontra a forma de canalizar sua voz.

Em ‘Veneza’ – adaptação cinematográfica da peça teatral homônima do escritor argentino Jorge Accame –, Falabella delineia um roteiro que ao mesmo tempo que faz um retrato lúdico das mulheres impedidas de sonhar, também presta homenagem ao cinema europeu, em trazer uma Veneza intimista e bela como a retratada nos trabalhos de Fellini, e também por centrar sua história em mulheres fortes e maltratadas pela vida, que buscam forças na matriarca central, como o faz Almodóvar em seus longas.

Veneza’ conta a triste história de Gringa (Carmen Maura, também conhecida como a musa de Almodóvar), uma espanhola que trabalhava em casa de entretenimento adulto nos anos 1940 quando conhece Giácomo, um italiano por quem se apaixona. Giácomo oferece dinheiro à cafetina do bordel e “compra” Gringa, pedindo-a em casamento. Apesar de apaixonada, Gringa não aceita se tornar posse de ninguém e acaba fugindo, vindo parar no Brasil. Muito tempo depois, já velha e cega, Gringa é também uma cafetina de bordel no interior brasileiro, porém, amarga o arrependimento de ter deixado escapar seu grande amor. Desiludida, insiste para que suas “meninas” realizem seu sonho e a levem para Veneza, onde tem um encontro marcado com seu querido Giácomo.



Para compor o time de Gringa, um elenco de peso: a gerente Rita (a sempre ótima Dira Paes); a romântica Madalena (Carol Castro, que ganha destaque por seu desembaraço com as cenas de nudez), que vive uma história de amor alternativa com Julio (Yuri Ribeiro), filho do coronel; e Jerusa (Danielle Winits, já figurinha carimbada nas produções de Falabella). Junto com Tonho (Eduardo Moscovis) elas vão buscar realizar o sonho de Gringa, nem que para isso tenham que trazer Veneza até ela.

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Com pinceladas estilo ‘Adeus, Lênin’, ‘Veneza’ é um filme com tantas nuances de cores que elas literalmente preenchem a tela e enchem os nossos olhos. Sem perder o tom do teatro, o longa brasileiro encontra espaço para apontar as dificuldades dessas profissionais em conseguirem realizar suas ambições pessoais, mas, mesmo assim, ainda que na dificuldade, elas ainda encontram na sororidade uma forma de sobrevivência.



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