[ANTES DE COMEÇAR A MATÉRIA, FIQUE CIENTE QUE ELA ESTÁ RECHEADA DE SPOILERS]

Se você ainda não assistiu ao primeiro episódio de What If…? e à série Loki, não leia esta matéria para não receber spoilers.

A Marvel está empenhada em construir seu próprio universo compartilhado no Disney+, isso é nítido. Até o momento, a plataforma já lançou três séries que impactam diretamente no MCU dos cinemas e agora começam a abrir novas portas também no streaming. Com o final de Loki, em que a Sylvie (Sophia Di Martino) cria incontáveis ramificações no Multiverso, a Marvel deixa em aberto diversas novas velhas histórias a serem exploradas em diferentes realidades. E é nesse contexto que surge What If…?, a primeira série animada do MCU.

O primeiro episódio começa com uma narração explicativa de Uatu, o Vigia (Jeffrey Wright), que já tinha feito uma pontinha em Guardiões da Galáxia Vol.2 (2017). Ele introduz o conceito básico da série, que é justamente explorar versões alternativas das histórias já contadas no Universo Cinematográfico Marvel. O primeiro capítulo, então, trabalha o que aconteceria se a Agente Carter (Hayley Atwell) tivesse passado pelo Projeto Renascimento no lugar de Steve Rogers.



Ao encarnar a Capitã Carter, a antiga agente flerta em debater temas como protagonismo feminino, igualdade e preconceito de gênero, mas é tudo absurdamente superficial e fica resumido a algumas frases de efeito. No entanto, é interessante ver como desenvolveram a diferença dela para Steve. Como o garoto do Brooklyn era apenas um rapaz com muita boa vontade, ele gastou um tempo se submetendo ao treinamento militar. Já Peggy, respeitada militar, era uma agente especial com anos de treinamento. Então, ao receber esse upgrade físico, ela já sabe o que fazer com seus novos poderes. Dessa forma, ela resolve problemas do primeiro filme do Capitão América com mais rapidez e menos danos que o Capitão do universo regular. Ou seja, ela se demonstra mais eficiente.

Como ela recupera o Tesseract logo no início do episódio, a HIDRA trabalha de formas diferentes, assim como o governo americano. Em posse do cubo, Howard Stark (Dominic Cooper) energiza um projeto que parece muito com a mistura da Mark I, de Homem de Ferro (2008), com os uniformes da HIDRA. Então, o magrelinho Steve Rogers vira um tipo de Homem de Ferro em plena década de 1940. Esse avanço tecnológico vai impactar bastante o futuro desse universo, assim como o uso do Tesseract, que é bem diferente. Enquanto o Caveira Vermelha do universo regular, segundo a TVA, tentava usar a Joia do Infinito para energizar seu exército, o de What If…? acaba desenvolvendo uma energia própria e dedica seus esforços para trazer àquela realidade um vilão interdimensional para ajudá-lo a se tornar o líder supremo.

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A reta final do episódio coloca a Capitã Carter contra um polvão espacial que lembra uma versão do terrível Shuma-Gorath, que, segundo rumores, estaria sendo cotado para ser o vilão do segundo filme do Doutor Estranho. No fim, a Capitã faz um último sacrifício e empurra a criatura para dentro do portal, ficando presa nele até ser libertada pelos futuros Vingadores em 2012.

Esse final é a parte mais interessante do episódio porque flerta com essa incerteza da própria série. Ela foi vendida como algo isolado do MCU, porém, a própria Hayley Atwell já comentou rumores de que a Capitã Carter poderia aparecer nos filmes do MCU. E com Doutor Estranho no Multiverso da Loucura programado para sair em 2022, mostrando uma verdadeira viagem pelas diferentes linhas do tempo, fica a sensação de que alguns dos novos personagens apresentados em What If…? podem mesmo aparecer nos cinemas futuramente. Se isso for consolidado, a Marvel terá transformado essa série animada em um grande laboratório de testes, que poderá testar personagens alternativas e aproveitar aqueles que tiverem melhor recepção do público.



Quanto à questão das atuações, é preciso destacar a versão original e a dublada em português. Enquanto a Disney acertou em cheio ao trazer alguns atores de volta para reprisarem seus papéis na versão animada, é um pouco incômodo que não tenham conseguido trazer todos os atores para isso. Por exemplo, a atuação de Hayley Atwell é a melhor coisa do episódio, porque fica nítido que ela não só entende, como também ama a personagem. Já Steve, que não é interpretado por Chris Evans, passa a sensação de estar apenas com um outro ator tentando imitar a atuação de Evans. É estranho. Já na versão dublada, alguns dubladores dos filmes originais foram reescalados, o que afasta o público de alguns personagens. Afinal, o estilo artístico utilizado na animação é um 3D personalizado que não tenta exatamente replicar o rosto dos atores de forma relista, então fica difícil de associar certos personagens sem a identidade vocal que fora apresentada anteriormente.

Em questões narrativas, esse primeiro episódio trouxe uma preocupação. Como os capítulos serão baseados em filmes que já foram feitos, existe um risco de que os roteiros caiam na armadilha de tentarem replicar estruturalmente esses longas em vez de buscarem histórias novas. Durante certos momentos, a estreia de What If…? cede a essa repetição e fica um pouco cansativa. Então, vale ficar de olho para ver se os próximos episódios ficarão presos ao material original ou realmente ousarão ao contar novas histórias, explorando tudo o que o Multiverso tem a oferecer.

Os novos episódios de What If…? estreiam no Disney+ toda quarta-feira.

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