Crítica | ‘Yellow Cake’ – Uma sonolenta caça a mosquitos radioativos (CIneBH 2026)

Rapidamente definido como um experimento que logo se transforma em um desastre, o longa-metragem Yellow Cake é um sci-fi brasileiro que tenta conduzir o público por alguns debates que cercam as pesquisas científicas e os interesses políticos em uma região do nosso país conhecida por seus ricos minerais. Para tal, avança pelo universo fantástico, buscando lapidar a narrativa com um alívio cômico focado na regionalidade.

Em seu segundo longa-metragem, o cineasta Tiago Melo apresenta uma trama que tem uma pegada Arquivo-X, mas estaciona no conforto do peculiar inserido no universo da ficção científica, deixando espaçamentos em um roteiro repleto de boas ideias que ficam sem aprofundamento. Outro fator que chama a atenção são os planos finalizados de forma inconsistente, fazendo com que o filme dependa da ousadia de sua proposta para causar um impacto que nunca chega.

Bilingue em alguns momentos e ambientado na cidade de Picuí, acompanhamos Rúbia (Rejane Faria), uma física nuclear que faz parte de um experimento internacional chamado Yellow Cake, cujo o principal objetivo é esterilizar os mosquitos transmissores da dengue. Em busca de um elemento importante pro sucesso da operação, o urânio, os cientistas focam nessa região do sertão paraibano. Em meio a interesses políticos e expondo conflitos éticos e morais, o experimento dá errado, provocando o terror causado por mosquitos radioativos que precisam ser exterminados rapidamente.

A apresentação dos personagens é feita de maneira direta, pegando o bonde andando em um experimento já em andamento – e que precisa ser explicado, mas acaba refém de um preciosismo visual –, algo que atrapalha a força dos conflitos que surgem e se distanciam do público. Pelos olhos da protagonista, vamos conhecendo, de forma superficial, a região, seus moradores e mistérios.

A narrativa busca fugir da previsibilidade, reunindo um composto interessante visualmente, mas incapaz de desenvolver a história de forma atraente. Sem muito ‘fisiquês’ (ainda bem), os confusos cortes entre cenas dificultam demais nossa compreensão, como se as peças estivessem desconectadas o tempo todo, sem encontrar um caminho. Algo que reforça que a montagem e a edição são pontos aquém do que a história necessitava.

Em resumo, Yellow Cake, que deve chegar aos cinemas brasileiros em breve, apresenta uma trama que explora o universo da energia nuclear e utiliza a ficção científica como uma proteção para se jogar em uma série de possibilidades que se mostram pouco eficientes, nos fazendo franzir a testa em muitos momentos e nos perguntarmos: ‘O que está acontecendo?’

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Raphael Camacho
Raphael Camachohttps://guiadocinefilo.blogspot.com.br
Raphael Camacho é um profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado cinematográfico. Ao longo de sua trajetória, atuou como programador de salas de cinema, além de ter trabalhado nas áreas de distribuição e marketing de filmes. Paralelamente à sua atuação na indústria, Raphael sempre manteve sua paixão pela escrita, contribuindo com o site Cinepop, onde se consolidou como um dos colaboradores mais antigos e respeitados deste que é um dos portais de cinema mais queridos do Brasil.