Resguardados por uma aura cautelosamente idealizada, os primeiros astronautas norte-americanos foram – inevitavelmente – um experimento social e idealista de como a América pretendia se projetar para os seus e, obviamente para os de fora – principalmente os russos. Mas o que a primeira produção do Nat Geo para o Disney+, intitulada Os Eleitos, logo nos apresenta em seus primeiros minutos, é exatamente a contrariedade existente em cada um desses homens. Mostrando os bastidores da construção do famoso “sonho americano” a partir da corrida espacial norte-americana, a série produzida por Leonardo DiCaprio mescla a complexidade tecnológica de tentar enviar o homem para a lua, com os dilemas emocionais e relacionais que cada um desses “heróis” enfrentou ao longo da suas próprias jornadas.

Tentando fazer um estudo de personagem, Os Eleitos explora as particularidades de cada um dos membros do grupo Os Sete Originais (Mercury Seven), que formaram a primeira equipe de astronautas da história da NASA. Com suas infidelidades, desvios de caráter e dubiedade em suas personalidades, eles são trazidos aqui para além dos belos retratos estrategicamente montados pela revista Life, que acompanhou o processo de desenvolvimento dos pilotos dentro da agência de aviação. Extraindo aquela perfeita película que os tornou imaculados diante da opinião pública, a série tenta fazer um hibridismo entre o íntimo drama de cada um desses homens, em meio à revolução midiática e tecnológica que os Estados Unidos estavam prestes a enfrentar.



Com dinamismo nas cenas e um elenco profundamente carismático liderado por Patrick J. Adams (Suits) e Jake McDorman (Aquamarine), a série consegue criar o equilíbrio necessário entre o gênero de ficção científica e a dramaticidade natural de cada um de seus protagonistas. Acertando mais nesse aspecto do que a produção Away da Netflix, Os Eleitos é mais estratégica ao abordar os primórdios da NASA – que à época ainda patinava para se firmar diante do governo americano -, sempre com pequenos vislumbres mais técnicos e pragmáticos, mas que não comprometem a experiência do público geral.

Desmitificando tanto os astronautas, como a instituição que os selecionou, a primeira série do Nat Geo para o Disney+ traz um ar um pouco mais conceitual em sua estética, com uma edição de imagem mais suave, que garante uma atmosfera mais vintage, como uma forma de referenciar os anos 50 e 60 – período em que a narrativa se passa. Com figurinos de época bem elaborados e um design de produção de qualidade cinematográfica, a série é bem ambientada e ainda traz uma direção simbólica, que explora os contrastes entre a luz e as sombras, a partir também da caracterização e expressividade dos personagens.

Delicada na maior parte do seu tempo, mas às vezes estática demais para uma produção espacial, a série se esbalda em uma trilha sonora oldschool com clássicos hits, a fim de embalar o seu público naquelas cenas em que o ritmo narrativo segue um pouco mais lento. Com uma proposta excelente que explora a genuína humanidade por trás de figuras consideradas quase mitológicas para os patriotas mais inveterados, Os Eleitos possui fôlego para uma segunda temporada, mas precisa de alguns ajustes em seu ritmo narrativo. Com seus momentos enérgicos sendo fragmentos soltos em meio ao forte drama, a série pode desagradar aqueles que esperam ansiosamente pela intensidade de um bom sci-fi. Ainda assim, isso não anula o potencial que Os Eleitos possui para decolar a níveis mais altos. Mas tudo dependerá do quão disposta a Disney está para bancar o restante dessa viagem.

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