Celebrado oficialmente (de forma tardia) desde 2011, o Dia da Consciência Negra é uma data mais do que especial e necessária. Essencial para refletirmos sobre o passado e mirarmos apenas em melhorias para o futuro no que tange a questões raciais e sociais. O feriado visa homenagear Zumbi dos Palmares, símbolo de liberdade que lutou no combate à escravidão no país, sendo considerado um verdadeiro herói nacional.

Aqui no CinePOP, fazendo a nossa parte e contribuindo com o que sabemos de melhor, falar de filmes, selecionamos uma lista com 15 produções recentes imprescindíveis para entendermos um pouco mais a data e, acima de tudo, homenagearmos a cultura negra, dando protagonismo a atores da raça e espaço de voz como protagonistas de obras diversas dos mais variados gêneros. É curioso pensar que mesmo numa meca como Hollywood, que é um farol para o mundo, ainda é necessário caminhar muito até se ter a igualdade de protagonismo.

Nossa lista, no entanto, visa colocar em foco produções não tão faladas ou conhecidas do grande público, dando preferência a escolhas não tão óbvias, muitas das quais acabam de chegar nos mais variados canais de streaming disponíveis. Ah sim, também recomendamos filmes que adoramos e achamos imperdíveis dentro do tema, como Pantera Negra, Infiltrado na Klan, Moonlight, Se a Rua Beale Falasse, Corra!, Nós, O Ódio que Você Semeia, entre outros, mas como dito, estes são as produções que todos costumam indicar, já que são extremamente famosas.

Veja abaixo e vem com a gente descortinar essas pérolas escondidas, e algumas não tão escondidas assim, e comemorar este dia tão importante, hoje, no fim de semana e sempre – afinal esta é uma causa que merece ser lembrada diariamente.



Harriet

Aproveite para assistir:



Biografia da revolucionária Harriet Tubman, fugida da escravidão para a ajudar a libertar centenas de escravos, mudando assim para sempre a história e se tornando uma das maiores heroínas norte-americanas de todos os tempos. Harriet foi indicado para dois Oscar, melhor canção e atriz protagonista para Cynthia Erivo – apesar disso, não foi exibido nos cinemas brasileiros. O longa encontra-se agora em streaming. No elenco, Janelle Monáe, e a direção é de Kasi Lemmons. E pensar que Julia Roberts era visada para viver a protagonista no passado – isso seria muito errado.

Luta por Justiça

Outro longa que chega nos streamings, após uma rápida passagem pelas salas de cinema no início do ano, Luta por Justiça relata uma edificante história real sobre a luta pelos direitos civis. Baseado no livro do próprio Bryan Stevenson, um renomado advogado de defesa, que luta para libertar da cadeia um homem erroneamente condenado à pena de morte. No filme, o ótimo Michael B. Jordan vive Stevenson, e o Oscarizado Jamie Foxx interpreta Walter McMillian, o injustiçado.

Desculpe te Incomodar



Sucesso no Festival de Sundance, esta comédia com doses de ficção científica marca a estreia na direção do músico Boots Riley. Passado numa versão alternativa de Oakland, um vendedor de telemarketing descobre a chave para o sucesso profissional: soar “branco” pelo telefone. Deu para ver por esta premissa que o longa funciona na pura base da ironia e acidez para apontar nosso racismo cotidiano. Quem protagoniza é o ainda subestimado Lakeith Stanfield. E o filme recebe o apoio da empoderada Tessa Thompson coprotagonizando. E qual produção não fica melhor com a presença da atriz?

A Fotografia

Essa é para os corações apaixonados. Lançado no início de 2020, com distribuição da Universal nos EUA, o longa foi escrito e dirigido pela cineasta Stella Meghie. Novamente quem protagoniza é Lakeith Stanfield, desta vez fazendo par com outro nome feminino do momento: a humorista sensação Issa Rae (idealizadora, protagonista e produtora da série Insecure, da HBO). A trama apresenta uma série de histórias de amor interligadas, onde o centro é a personagem de Rae, filha de um famoso fotógrafo que se apaixona por um jornalista (Stanfield) investigando a vida de sua falecida mãe.

Cores da Justiça



Na lista temos filmes de todos os gêneros, para todos os gostos. O que não falta é opção de produções representativas. Aqui, é a vez de um thriller policial repleto de ação e tensão, dirigido por Deon Taylor. No filme, a indicada ao Oscar Naomie Harris (Moonlight) interpreta uma policial que sofre preconceito em seu antigo bairro de Nova Orleans por ter aderido à força e agora ser considerada a “inimiga” pelos residentes do local humilde. No entanto, sua lealdade será verdadeiramente testada quando ela presencia um crime cometido por seus colegas de trabalho corruptos e agora se vê jurada de morte, precisando buscar refúgio com um antigo amigo da vizinhança (Tyrese Gibson).

Ponto Cego

Outro que passou voando pelos cinemas brasileiros e merece uma segunda chance é este Ponto Cego. Cria do Festival de Sundance e sucesso absoluto de crítica, com impressionantes 94% de aprovação no Rotten Tomatoes, o filme narra as desventuras de Collin (Daveed Diggs), recém liberado da prisão e em condicional, ele precisa cumprir os últimos dias para conseguir mudar sua vida de vez. No entanto, esta tarefa pode não ser tão fácil quanto imagina, graças a seu melhor amigo problemático (Rafael Casal). O interessante aqui é que a dupla de protagonistas também escreveu o roteiro desta comédia dramática criminal.

As Ondas



Sucesso em Telluride e Toronto, este drama familiar despertou grande falatório de Oscar na época de seu lançamento. O nome mais famoso do elenco é do ótimo Sterling K. Brown (This is Us), que interpreta um rigoroso patriarca de uma família negra dos subúrbios, exigindo de seus filhos somente por querer o melhor para seu futuro. Na saga desta família, alguns desdobramentos trágicos mudarão os rumos de suas rotinas. O elenco conta ainda com Renée Elise Goldsberry (a Angelica de Hamilton, da Disney) e Alexa Demie, a Maddy de Euphoria, da HBO.

Queen & Slim

Um corajoso e pungente relato de racismo, este é outro longa que passou batido pelos cinemas de nosso país, estreando diretamente nos canais de vídeo e streaming. Quem protagoniza aqui é o talentoso Daniel Kaluuya, indicada ao Oscar por Corra! (2017). Ele vive Slim, cujo primeiro encontro com Queen (papel da altíssima Jodie Turner-Smith, esposa na vida real do ator Joshua Jackson) sai terrivelmente errado após o casal ser parado por um policial em seu carro. Sofrendo grande abuso, Slim consegue tirar a arma do policial para se defender e acaba atirando no oficial. A dupla foge e logo é procurada como criminosos, numa espécie de Bonnie e Clyde modernos. Quem dirige é Melina Matsoukas.



Meu Nome é Dolemite

Não perdemos nunca a oportunidade de recomendar esta produção da Netflix e o faremos toda chance que tivermos. Fosse apenas por tirar do ostracismo e colocar no radar de prêmios novamente a carreira do icônico Eddie Murphy, talvez o humorista negro mais importante da história, o filme já valeria a pena. Mas esta é uma bela homenagem a um artista do passado e todo um movimento do cinema negro conhecido como blaxploitation, saído diretamente dos anos 1970. No filme, Murphy vive Rudy Ray Moore, comediante e astro do cinema B americano. Ah sim, o longa resgata também o sumido Wesley Snipes.

Superfly: Crime e Poder

Por falar em blaxploitation, Super Fly (1972) é um dos mais emblemáticos representantes do gênero e um verdadeiro ícone do cinema criminal negro. Este remake atual tem como proposta levar mais a sério o tema de um traficante bem vestido e estiloso, pensando em um último grande trabalho antes de se aposentar de vez da contravenção – mesmo precisando lidar com policiais e colegas de trabalho psicóticos. Quem protagoniza é Trevor Jackson, e o filme conta ainda com Kenneth Michael Williams no elenco.

Invasão


Protagonizado pela bela, carismática e talentosa Gabrielle Union este filme de suspense arrepiante, com doses de terror e ação, é dirigido por James McTeigue, responsável pela adaptação V de Vingança (2005), com Natalie Portman. O longa sobre três bandidos invadindo a casa de uma família, com uma mãe e seus dois filhos pequenos, ganha toda uma nova conotação quando a mulher e seus filhos são negros e os bandidos são brancos. Provocativo e aberto a interpretações para além do entretenimento escapista, Invasão é distribuído pela Universal e também inédito nos cinemas brasileiros.

Do Que os Homens Gostam

Voltamos para o tema das comédias, mas ainda muito representativas. Vocês lembram do sucesso Do que as Mulheres Gostam, protagonizado por Mel Gibson vivendo um machista entrando em contato com seu lado feminino? O longa está completando 20 anos em 2020, e nada melhor do que uma reimaginação focada agora nas mulheres, e não apenas isso, mas uma mulher negra, vivida pela indicada ao Oscar Taraji P. Henson. Na trama, num mundo masculino dos produtos esportivos, a protagonista ganha uma vantagem quando começa a ouvir os pensamentos dos homens.

A Chefinha

Outra comédia bem feminina e representativa, que não por menos conta com roteiro e direção de Tina Gordon (um nome que ainda iremos ouvir muito, tenho certeza), também a roteirista do item acima. Aqui temos a volta de Issa Rae emprestando seu carisma na pele de uma sofrida funcionária, trabalhando para uma megera no melhor estilo O Diabo Veste Prada. No entanto, a verdadeira protagonista é sua chefe, papel de Regina Hall, que num passe de mágica dá uma de Quero Ser Grande e De Repente 30 e volta a ser criança, precisando da ajuda de sua esnobada subalterna.

Tio Drew

Prato cheio para os amantes de esportes, em especial basquete, o filme brinca com personalidades reais e escala como protagonistas jogadores como Kyrie Irving, Shaquille O’Neal, Chris Webber, Reggie Miller, Nate Robinson e até mesmo Lisa Leslie, jogadora de basquete feminino dando um reforço. A graça do filme está no fato de todos eles interpretarem versões idosas de jogadores do passado, tentando recuperar sua glória num campeonato. O longa é a adaptação de uma série de comerciais da Pepsi Max veiculados nos EUA desde 2012.

Homem-Aranha no Aranhaverso

Se Pantera Negra (2018) é o filme de super-herói representativo mais famoso do cinema, com uma indicação ao Oscar na categoria principal para provar, Aranhaverso não fica atrás tendo levado o Oscar de melhor animação para casa e derrotado gigantes na categoria como a Disney. E por que um filme do Homem-Aranha é representativo, você pergunta? Simples, porque aqui quem veste o uniforme do herói é sua nova versão, o adolescente negro saído do gueto, Miles Morales. Precisa dizer mais? Como se não bastasse o filme ainda conta com um estilo de animação único e revolucionário. Coisa linda mesmo. E que venha a sequência.

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