007 – Sem Tempo para Morrer, o vigésimo quinto filme oficial da franquia mais duradora do cinema, tem estreia programada para o dia 30 de setembro de 2021 – após ser adiado do ano passado devido à pandemia. Como forma de irmos aquecendo os motores para esta nova superprodução que, como dito, faz parte de uma das maiores, mais tradicionais e queridas franquias cinematográficas da história da sétima arte, resolvemos criar uma nova série de matérias dissecando um pouco todos os filmes anteriores, trazendo a você inúmeras curiosidades e muita informação.

Aqui, continuamos com a primeira continuação da franquia para o cinema do personagem saído das páginas de livros de espionagem, escritos pelo autor britânico Ian Fleming. Moscou Contra 007 elevou ainda mais o jogo, sendo enaltecido por todos os fãs como superior ao original, e estabelecendo muito do que seria parte da mitologia do personagem em sua trajetória no cinema. Confira.

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Produção



Com o sucesso de 007 Contra o Satânico Dr. No (1962), o primeiro filme do espião James Bond no cinema, pelo mundo, os produtores não demoraram para confeccionar uma sequência. De fato, a confiança na série cinematográfica era tanta que a produção do segundo 007 já havia começado antes do primeiro longa ser lançado nos cinemas britânicos. E como avisava o desfecho de Dr. No, James Bond voltaria em Moscou Contra 007 (From Russia With Love). A escolha do próximo livro a ser adaptado ao cinema era batata, já que Moscou havia sido eleito pelo presidente norte-americano John F. Kennedy como um de seus livros preferidos, e esta popularidade foi o que colocou água na boca dos produtores para adaptarem ao cinema as obras do autor Ian Fleming.

Com o dobro do orçamento fornecido pela EON em relação ao original, Moscou Contra 007 foi também o último filme lançado com o autor Ian Fleming ainda vivo.

James Bond

Tendo funcionado perfeitamente bem no papel, é claro que Sean Connery retornaria ao personagem que fez sua carreira. E não apenas isso, o resultado do segundo filme agradou tanto seu intérprete, que Connery não escondida sua predileção em relação a este longa. Para o ator, assim como para muitos fãs, Moscou Contra 007 é o filme favorito da franquia. Isso é tão verdade, que Sean Connery sairia de sua aposentadoria, em 2005, para dublar o personagem na adaptação de um videogame de From Russia With Love.



Mesmo com tamanha paixão, Connery, percebendo o quanto os produtores ganhavam com a obra em relação a ele, o astro, verbalizava já nesta época o desagrado em relação ao salário, mesmo tendo assinado contrato para cinco filmes. Assim, os produtores acharam por bem garantir-lhe, já nessa segunda incursão, um bônus de US$100 mil de agrado, além de seu salário.

Missão Secreta

O tema aqui é vingança. Mas não a vingança de James Bond, e sim vingança da organização criminosa SPECTRE em relação ao vilão do filme original, Dr. No (Joseph Wiseman), um membro eliminado por 007. Assim, agindo de todas as frontes, a organização contrata um assassino para eliminar o agente, além de uma Femme fatale para agir de isca e facilitar a morte do sujeito imbatível. Embora seja alvo da SPECTRE, Bond está por dentro da cilada, e está disposto a participar desta charada e virar o jogo para seus inimigos. Um dos momentos mais lembrados dos fãs é o combate corpo a corpo entre assassinos, passado no interior do expresso do oriente – o trem para o qual, curiosamente, Connery retornaria anos depois na adaptação de Agatha Christie, Assassinato no Expresso do Oriente (1974).

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Outra curiosidade, é que o autor Ian Fleming estava cansado do personagem quando escreveu este livro, e assim decide mata-lo no desfecho. É claro que com o hype gerado pela declaração do presidente Kennedy, numa manobra tipicamente usada em Histórias em Quadrinhos, Fleming traz o personagem de volta, vivinho da Silva, para novos livros.

Bondgirls e Aliados

Em relação ao “interesse romântico” de James Bond no segundo filme, podemos afirmar com certeza que há um upgrade. Embora Ursula Andress e sua Honey Ryder sejam mais icônicas, a bondgirl deste filme, a russa Tatiana Romanova é um personagem bem mais interessante e repleta de camadas. Interpretada pela beldade italiana Daniela Bianchi, Tatiana é dita ser uma desertora russa, precisando ser protegida por Bond a fim de lhe entregar um artefato tecnológico capaz de comprometer seu governo durante a Guerra Fria vigente. É claro que ela é a “isca” mencionada anteriormente, e tudo não passa de um plano da SPECTRE em uma cilada. E Bond sabe bem disso, o que não o impede de se divertir um pouco com a moça. Porém, existe conflito na Bondgirl aqui, em servir seu país ou fazer o que é “certo”.

Fora isso, se no primeiro filme ganhávamos logo de cara a primeira aparição do “parceiro” americano de Bond, o agente Felix Leiter (nas formas de Jack Lord), é neste segundo que temos a primeira aparição do fiel escudeiro tecnológico de Bond, o Major Boothroyd, popularmente conhecido como Q – já desta data, interpretado pelo ator Desmond Llewelyn, que permaneceria no papel até a fase de Pierce Brosnan.



Vilões

Em relação ao original, Moscou Contra 007 também dá um upgrade em sua galeria de vilões. Aqui temos, por exemplo, a primeira “aparição” do arqui-inimigo de James Bond, o líder da organização criminosa SPECTRE, Ernst Stavro Blofeld. Bem, ou quase, já que ganhamos apenas um vislumbre de suas mãos acariciando o famoso gatinho branco e nunca vemos seu rosto. A esta altura ele também era referido apenas como “Número 1”. A “face” da organização no segundo filme é a de Rosa Klebb (e seu “sapato de lâmina mortal”). O filme é inclusive enaltecido por não “fetichizar” sua vilã, já que Klebb é interpretada pela “senhorinha” húngara Lotte Lenya. Klebb é a número 3 da organização. E sim, foi daqui a inspiração da paródia Austin Powers para a vilã Frau Farbissina (Mindy Sterling).

Mas o principal antagonista de Moscou Contra 007 é o anti-James Bond: o assassino Donald ‘Red’ Grant. Vivido pelo ator indicado ao Oscar Robert Shaw (que ficaria imortalizado como o pescador linha dura de Tubarão, 1975), Red Grant é quase uma “cópia carbono maligna” de 007. Tão bom, duro e eficiente quanto 007, ele é o assassino designado para dar cabo do espião. O que rende um dos trechos de ação mais viscerais da franquia e definitivamente da era Connery, com os dois se digladiando numa luta mortal mano a mano a bordo do expresso do oriente.

Relatório

Creio que até mesmo os mais entusiastas de Dr. No (1962) no fim das contas prefiram Moscou Contra 007 (1963). Esta sequência é um filme superior em todos os aspectos. Como dito, segue como o preferido de muitos de todos os filmes da franquia, e era o favorito do homem em pessoa, Sean Connery. Este segundo 007 é ainda um filme mais intimista, com Bond se tornando mais vulnerável, já que é alvo de assassinato. Fora isso, temos uma olhada maior na organização criminosa que é parte integral do cânone do universo do espião, e percebemos como esta agência do terrorismo funciona, de forma extremamente organizada. São muitas peças agindo ao mesmo tempo, todas com o mesmo objetivo, dar fim ao herói.


Porém, nem tudo é perfeito. E assim como Dr. No (1962) em seu retrato racial estereotipado de asiáticos e negros, em Moscou Contra 007 (1963) nem tudo pode descer redondo em relação ao retrato feminino. Bem, é claro que esta era apenas a mentalidade da época, e aqui falamos da década de 1960. Mesmo assim, estejam avisados que nem tudo apresentado no longa será aceitável para os padrões de hoje. O trecho que mais chama atenção como “dolorido” é a luta entre duas mulheres numa comunidade nômade (o termo cigano é considerado ofensivo hoje, e foi o que levou ao cancelamento da atriz Elizabeth Olsen). No filme, elas lutam pelo afeto de um homem. No meio da luta, há um ataque da SPECTRE, o qual é impedido por Bond. Como forma de recompensa-lo, o povo nômade lhe concede um desejo e ele pede para o fim da luta entre as mulheres. Sentimento nobre. No entanto, o líder do local oferece as duas para cuidarem dele?! E bem, você pode imaginar o que acontece depois…

Por conter esta cena, Moscou também é considerado como precursor da imagem extremamente sexual que seria atrelada ao personagem, já que em pleno ano de 1963, antes da liberdade sexual que seria instaurada pelo movimento hippie, o filme “sugeria” escancaradamente para quem quisesse ver ou entender, que James Bond ia para a cama com duas mulheres. Um assunto que seria recorrente, mas também mudaria sua abordagem ao longo das décadas. Mas isso é assunto para próximos textos desta série de matérias – que retorna em breve com 007 Contra Goldfinger (1964).

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