007Sem Tempo para Morrer, o vigésimo quinto filme oficial da franquia mais duradora do cinema, tem estreia programada para o dia 30 de setembro de 2021 – após ser adiado do ano passado devido à pandemia. Como forma de irmos aquecendo os motores para esta nova superprodução que, como dito, faz parte de uma das maiores, mais tradicionais e queridas franquias cinematográficas da história da sétima arte, resolvemos criar uma nova série de matérias dissecando um pouco todos os filmes anteriores, trazendo a você inúmeras curiosidades e muita informação.

Aqui, começaremos com o marco zero, a primeira adaptação para o cinema do personagem saído das páginas de livros de espionagem, escritos pelo autor britânico Ian Fleming. O Satânico Dr. No foi o pontapé inicial e aqui conheceremos um pouco mais do início da mitologia do personagem e sua trajetória no cinema. Confira.

Produção

Na década de 1950, o autor Ian Fleming já tinha em seu repertório uma série de livros protagonizados pelo agente secreto da Rainha britânica, James Bond. O escritor, além de jornalista, havia servido como oficial da inteligência naval e usou todo o seu conhecimento para detalhar as aventuras do personagem. No entanto, o movimento para levar às telas uma adaptação de um de seus livros só se deu quando o então presidente norte-americano John F. Kennedy elegeu From Russia With Love um de seus livros preferidos. A repercussão de tal anúncio elevou o status das obras a outro patamar e assim, não perdendo tempo algum, os produtores Albert R. Broccoli e Harry Saltzman adquiriram os direitos para o cinema.



Através de sua produtora, a EON Pictures (Everything or Nothing), a dupla selecionou Dr. No para dar o pontapé inicial da franquia nas telonas. Curiosamente, este não é o primeiro livro da série, mas sim o sexto.

James Bond

Comprar os direitos para uma adaptação é só o primeiro passo. Talvez o mais difícil seja escalar um intérprete. E assim a epopeia dos produtores Broccoli e Saltzman começou no início da década de 1960. Alguns grandes nomes da época foram visados, mas muitos recusaram (acredite). Foi quando bateram os olhos num jovem ator escocês, então com 29 anos, no filme infantil de fantasia da Disney ‘A Lenda dos Anões Mágicos’ (1959), que os engravatados perceberam estar diante do que queriam, um intérprete carismático e dono de grande potencial. Na época Sean Connery já havia feito trabalhos importantes, mas nem de longe era um rosto conhecido. Vindo de origem humilde, o ator já havia sido fisiculturista e servido marinha, ou seja, tinha o porte e a disciplina para a função. No entanto, era um homem rústico, o que precisou ser corrigido para a suavidade e elegância que o papel exigia. Assim, o diretor Terence Young (eleito para dirigir o longa), um playboy bon vivant, pegava a tarefa de escolar Connery na arte de “viver bem”, o vestindo adequadamente, o levando a bons restaurantes e a frequentar altos círculos. Trabalhinho chato, não é?

Podemos dizer que funcionou maravilhas, já que em sua primeira incursão, Sean Connery deixaria sua marca e a primeira vez que diz as palavras “Bond, James Bond” entraram para os anais da sétima arte.



Missão Secreta

Na trama, Bond recebe a missão de investigar o desaparecimento de um agente do MI6, o serviço de espionagem britânico, e embarca para Kingston, na Jamaica. Ou seja, esperem locações lindíssimas como praias e mares, além de cenários tropicais. Já nessa primeira investida, o personagem se mostrava um cidadão do mundo e o conceito de “conhecer o globo através de seus filmes” já se estabelecia.

As pistas o levam para uma pequena ilha isolada a 30 milhas ao norte da Jamaica, a fictícia Crab Key. No local, os nativos contam sobre a lenda de um “dragão” cuspidor de fogo, que chega com o anoitecer, o qual temem feito uma assombração. Na verdade, trata-se de uma base fortemente guardada por homens armados, regida pelo misterioso Dr. No, e destinada a um propósito escuso e muito perigoso. Bem, apesar do alto nível de vilania e terrorismo, o “satânico” do título foi “presente” de nossa tradução brasileira, sempre disposta a nos surpreender com sua criatividade.

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Bondgirls e Aliados

O primeiro a gente nunca esquece. E se Sean Connery é constantemente eleito por muitos como o melhor 007 do cinema, sua contraparte feminina muito lembrada pelos fãs vem deste filme também. A “bondgirl”, como ficaram conhecidas as personagens que contracenavam com o agente secreto em suas aventuras, invariavelmente se envolvendo amorosamente com ele, pode até ser um termo considerado politicamente incorreto na atualidade. Mas é um legado que muitas atrizes se orgulham e pelo qual fizeram suas carreiras. A primeira que marcou um golaço foi a suíça Ursula Andress – o biotipo da beldade da época: loiríssima e vestindo um biquíni. Bem, e a personagem marca por sua beleza, já que seus traços de personalidade são considerados quase infantis de tão ingênuos. Ela é uma pescadora de conchas e corais, que entra na trama de espionagem internacional meio que de paraquedas.

Mesmo sendo uma franquia atemporal, importantíssima e a ainda muito influente, isso não impede qualquer filme que seja de ser um retrato de sua época. Em nossa sociedade em eterna evolução, é claro que muito do que vemos retratado em tela se encontra muito datado, e alguns elementos descem atualmente bem quadrados, tendo envelhecido mal. É o caso com o estereotipo racial, situação que a arte do passado não via problema, mas hoje é visto como ferida aberta dolorida. Temos por exemplo, a personagem Miss Taro, uma Femme fatale asiática. O problema é que ela é interpretada pela britânica Zena Marshall, usando maquiagem para se passar por asiática. Algo bem delicado. Fora isso, o personagem Quarrel (John Kitzmiller) também recai em alguns estereótipos raciais desagradáveis.

Vilões



O mesmo pode ser dito do vilão principal do filme, Dr. No. Ele é interpretado pelo canadense Joseph Wiseman, e descrito no livro como um descendente de alemão-chinês. Para o feito, a produção usou maquiagem étnica em Wiseman, adicionando as tais feições asiáticas. Apesar de tal desconforto, unicamente direcionado ao período, Wiseman e Dr. No podem orgulhar-se de serem os primeiros inimigos de uma produção de 007, e fazerem história. O curioso mesmo é que o vilão só aparece com 1h20min de projeção do filme, surgindo quase como aquelas grandes revelações do suspense, quando descobrimos o culpado de algum crime. Dr. No é a mente perversa por trás de todas as maquinações que vemos ao longo da trama. Ao final temos revelado que ele é um dos membros da SPECTRE, organização terrorista que será uma pedra do sapato do herói por toda a sua trajetória, e já dava as caras nessa sua primeira missão. Outro detalhe bacana na composição do antagonista é que ele não possui nenhuma das duas mãos, mas ao invés as substituiu por mãos robóticas poderosas, capazes de amassar sem esforço uma estatueta de metal maciço. O que dá ao algoz um aspecto bem cartunesco de História em Quadrinhos, bem típico da cultura Pulp.

Relatório

No fim das contas, 007 Contra o Satânico Dr. No se comporta muito mais como um filme de suspense e espionagem, do que como uma obra de ação sem freios, um blockbuster histérico como a franquia veio a se tornar e a ficar conhecida. Aqui tudo era mais minimalista, e talvez por isso muitos ainda o tenham como uma das produções mais queridas do acervo. Tudo é contido e crível – bem, quase tudo. Outros irão sentir falta justamente de tais elementos cimentados posteriormente na série, como bugigangas tecnológicas e em especial as citadas cenas de ação de tirar o fôlego. Fora isso, muitos definem este primeiro longa quase como obra B do cinema, já que não existia o parâmetro do que seria a esta altura. É indiscutível também que Dr. No possui um ritmo deliberadamente lento, e que a trama começa a engatar em sua metade.

Com um orçamento de um pouco mais de US$1 milhão, 007 Contra o Satânico Dr. No teve sua pré-estreia no Reino Unido no dia 5 de outubro de 1962. O filme estreou em circuito no país no dia 10 do mesmo mês e ano, e chegou nos EUA no ano seguinte, em 29 de maio de 1963. Por aqui no Brasil, estreava no dia 7 de setembro de 1963. A Obra fez uma bilheteria mundial de US$59 milhões, garantindo seu sucesso absoluto de público e abrindo portas imediatas para uma continuação – que viria logo no ano seguinte. Mas isso é assunto para o próximo Dossiê…

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