Por: Lucca Torres

Há 11 anos, o episódio final de Lost ia ao ar, chocando – e frustrando – muita gente com sua revelação bombástica, que encerrou anos de teorias dos fãs e acabou virando um meme de proporções mundiais. Afinal, as pessoas acompanharam o seriado esse tempo todo só para descobrir que os personagens estavam mortos? Pois bem, ao contrário do que foi difundido pela internet, o final deixa claro que eles NÃO estavam mortos desde o começo. Confira no texto.

Se você vive pela internet, com certeza já deve ter escutado sobre o polêmico fim da série Lost. Muitos até falam que o final é muito ruim porque todos estavam mortos esse tempo todo. O que faz com que algumas pessoas realmente passem longe da série por conta desse equívoco. Elas nem pensam em começar a ver porque já sabem do “final ruim”. Porém, essa história de “todo mundo quase morto” é fruto de um falso entendimento, que se tornou uma falsa memória coletiva. Hoje, até algumas pessoas que assistiram a série acreditam que todos estavam mortos desde o primeiro episódio.

Portanto, entenda de uma vez por todas o verdadeiro final da série, e porque você deveria dar uma chance a esse marco da TV.



Para começar, precisamos falar sobre como Lost foi a série precursora de teorias e discussões na internet. A cada novo episódio os fóruns online explodiam com milhões de teorias e comentários. Teorias essas que os produtores Carlton Cuse e Damon Lindelof amavam instigar com referências escancaradas na própria série.

Essas teorias iam desde “a ilha é um experimento científico” até “eles estão mortos e a ilha é um purgatório”, e os produtores sempre davam um jeito de dar uma instigada nessas e outras teorias mirabolantes, mas realmente a do purgatório era a mais popular entre elas.

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Estavam mortos desde o começo?

Lost sempre foi conhecido por inovar na sua forma de contar a história, seja com os famosos flashbacks que mostram acontecimentos do passado dos personagens e também flashforwards, que inovaram mostrando acontecimentos do futuro. Porém, na sexta e última temporada, a narrativa introduziu os flash-sideways, que mostravam uma espécie de realidade alternativa onde a ilha vivia submersa e o avião da Oceanic 815 nunca caiu. E durante toda a última temporada acompanhamos essa realidade alternativa paralelamente ao que era mostrado na “realidade normal”.



A Ilha submersa.

Mas o mundo e as pessoas desses flash-sideways eram totalmente diferentes das que conhecíamos. James Sawyer, por exemplo, era um golpista totalmente imoral. Já nesse “mundo paralelo”, era um policial boa pinta. Percebemos então que aquela realidade não era um simples mundo onde eles não caíram na ilha. As coisas eram bem diferentes.

Foi aí que a trama começou a mostrar a verdade. Desmond lembra de tudo que viveu na ilha e tomou como missão fazer todos se lembrarem. Então, durante a parte final da última temporada, somos brindados com momentos lindos e inesquecíveis de personagens amados, mas que já haviam morrido, se reencontrando.

Charlie e Claire se reencontram.

Porém, os flash-sideways eram intercalados com os acontecimentos do presente na ilha, então, durante toda a última temporada, temos duas tramas:

● Na ilha: Os sobreviventes tentando lutar contra a ameaça da “fumaça preta”;

● Na realidade alternativa: Desmond reunindo todos com a intenção de fazer com que se lembrassem.



Descobrimos então que a realidade alternativa nada mais era do que um afterlife, um “pós-morte”. Nem céu, inferno, purgatório ou umbral. Aquilo era um meio termo, um lugar onde todos poderiam “seguir adiante” juntos.

E é o que acontece no último episódio. Ao mesmo tempo em que acompanhamos Jack literalmente dando sua vida pela ilha e caminhando em direção a morte, temos o mesmo Jack no pós-morte relembrando tudo com o auxílio do “O Guia”, que é representado pelo falecido pai do personagem.

O Guia.

Jack pergunta se ele é real, e O Guia responde: “Eu sou real, você é real, tudo que aconteceu com você foi real, todas as pessoas ali são reais”.

Então Jack pergunta se todos que estão no afterlife estão mortos e tem como resposta: “Todo mundo morre um dia, Jack. Alguns antes de você e outros, depois”.


Ou seja, todos que estão na ilha estão vivos, enquanto aqueles que estão no afterlife estão mortos. E a explicação de todos estarem juntos ao mesmo tempo é que não existe “agora” no afterlife.

Esses diálogos vieram praticamente para mostrar a todos que tudo aquilo que eles viveram na ilha aconteceu. E o afterlife, que foi introduzido na sexta e última temporada, era um pós-morte.

Então, toda aquela teoria de que eles estavam mortos desde o começo caiu por terra, porque todos se lembram dos momentos que passaram na ilha, e a fala do Guia a Jack é auto-explicativa: tudo na ilha aconteceu mesmo.

Mesmo que não vejamos alguns personagens como Hurley, Sawyer e Kate morrerem, não significa que isso não acontecerá um dia, como diz O Guia: “Todo mundo morre um dia”. Então podemos pressupor que Sawyer poderá morrer com 100 anos de idade. Mas, independentemente disso, eles sempre vão se encontrar ali no afterlife.

Na cena final da série, vemos Jack morrendo na “realidade da ilha”. Ao mesmo tempo, todos no afterlife estão se encontrando e se abraçando, sentados numa igreja para seguir adiante.

E apesar de ser uma igreja, Lost não determina qual religião é correta, fica a seu critério determinar para onde estão partindo. Seja para o além, céu ou qualquer lugar. Então a série encerra com Jack fechando os olhos, fazendo um paralelo com a primeira cena do primeiro episódio, onde ele abre os olhos e acorda na ilha.

Os paralelos entre a primeira e a última cena da série

Muitas pessoas não entenderam esse final e espalharam por aí que todos estavam mortos, mas a verdade é que tudo que aconteceu na ilha foi real. Todas as temporadas, todos os momentos felizes e tristes, todos os mistérios e intrigas aconteceram. O pós-morte é apenas um elemento introduzido na última temporada para encerrar a série. Tudo aquilo que aconteceu… Bem, aconteceu.

As seis temporadas de Lost estão disponíveis no Globoplay.

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