Período em que o autor ficou à frente do título é considerado como o melhor do grupo formado pelos vilões

O projeto do Esquadrão Suicida voltou aos olhos do público. Após uma primeira incursão fracassada no cinema, mas com retorno financeiro considerável, em 2016, o time formado por alguns dos mais ilustres vilões da DC Comics vai ganhar nova chance com o próximo filme do diretor James Gunn. Com o primeiro trailer revelado recentemente a obra já dá dicas de que não vai tentar renunciar à sua origem fantasiosa.

Pelo contrário, os figurinos exibidos pelos personagens indicam uma ampla variedade de cores e exageros dignos das diversas fases do grupo nos quadrinhos e olha que ela remonta há um bom tempo. A primeira vez que o nome apareceu nas páginas quadriculadas foi em 1959 na revista The Brave and Bold #25, escrita por Robert Kanigher, com uma ideia inicial bem diferente do que veio a se tornar.



Protagonizada pelo piloto Ricky Flag (um piloto veterano da Segunda Guerra) a história narra o surgimento de um monstro marítimo que começa a causar o caos e que parece não sofrer danos com as armas convencionais. Dessa maneira a Força Tarefa X é acionada e com ela o Esquadrão Suicida; essa equipe de experientes militares parte então para o combate com o monstro. 

Protótipo do Esquadrão Suicida em 1959

Apesar da história, estruturalmente falando, ser bem curta (seguindo à risca o modelo de edição das publicações da época em que cada revista comportava pelo menos três aventuras diferentes e sem ligação entre si) e não trazer nenhuma interação de fato com outros personagens da editora, ela é interessante por apresentar desde cedo a ideia de um grupo especializado em missões altamente perigosas e o qual nenhum deles está à salvo.

Até então o único grupo de fato dos quadrinhos era a Sociedade da Justiça criada nos anos 40, porém esta era formada por personagens que tinham vastos poderes ou não eram humanos. Já a proposta do Esquadrão Suicida foi algo contra a corrente, oferecendo uma alternativa focada em humanos altamente treinados mas que também eram dispensáveis por não serem criaturas extraordinárias. Fora que isso foi em 1959, um ano antes do surgimento da Liga da Justiça e quatro antes dos Vingadores.



No entanto, a minissérie durou apenas três edições (além de curiosamente ter sido sucedida na The Brave and Bold justamente pela recém criada Liga da Justiça) e permaneceu no limbo da editora por décadas. Até que em 1987 John Ostrander resgata o título com a intenção de reformular tudo mas também preservando o conceito base. A ideia de uma equipe secreta do governo permanece, a Força Tarefa X, para lidar com missões de grande perigo, porém seus integrantes agora seriam os vilões da longa galeria da DC.  

Aproveite para assistir:



Sob a caneta de Ostrander o grupo foi reinventado e viveu sua Era de Ouro

A liberdade que Ostrander recebeu foi algo bem poucas vezes visto antes. Utilizando um material que já existia, mas nem de longe tinha apelo com o público, ele retrabalhou algumas figuras que, de outro modo, não teriam destaque. Um exemplo foi o próprio Rick Flag que permaneceu como um militar ligado a Força Tarefa X mas que teve a personalidade expandida pois agora precisava lidar com colegas de equipe que eram tão perigosos quanto as missões.

Foi por volta de 1987, na revista Suicide Squad Vol.1 #1, que a nova proposta foi apresentada: Um governo corrupto inicia um projeto de suporte a um grupo terrorista formado por super humanos que matam sem remorso (as primeiras páginas já apontam a periculosidade pois um treinamento requereu deles que as pessoas em um aeroporto fossem massacradas). Não demora até que o governo dos EUA saiba que esse grupo tem o presidente como próximo alvo e inicia um plano de ataque preventivo.

Para evitar um escândalo internacional que poderia ser gerado por um ataque oficial é mobilizada a Força Tarefa X comandada pela ameaçadora Amanda Waller, tendo Rick Flag como seu representante em campo, para o recrutamento da equipe. A primeira formação ficou famosa por introduzir rostos que são parte da equipe até as edições atuais como Pistoleiro e Capitão Bumerangue; no geral, além dos dois mencionados, foram recrutados Tigre de Bronze, Magia, Plastique e Mindboggler.



Amanda Waller foi uma das mais importantes adições ao Esquadrão

Para atrair o interesse dos prisioneiros, Waller lhes oferecia reduções de dez anos das penas caso a missão fosse concluída. Para evitar possíveis fugas, cada membro do esquadrão receberia uma pulseira com um explosivo, de modo que ela só é removida ao final das missões. A escrita que Ostrander trouxe para a série é bem interessante, não se limitando apenas a histórias fechadas como na versão dos anos 50. Elas tendem a dialogar muito mais com o universo DC.

Um exemplo foi na edição #3 quando ninguém menos que Darkseid decide enviar uma força de invasão à prisão de segurança máxima Belle Reve (que também é quartel general do Esquadrão) para retomar o prisioneiro Glorious Godfrey, que era um de seus servos até falhar durante o arco Legends e acaba preso. Um embate entre o Esquadrão e os invasores é inevitável, mas os vilões terráqueos são facilmente derrotados. Mesmo assim, essa edição é importante para mostrar que essa não era uma equipe insignificante e que até o vilão mais poderoso da editora poderia confrontá-los. 

Outra subversão bem utilizada por Ostrander foi o de retirar os membros da equipe de seus postos vilanescos naturais; para tanto o autor se apoiava justamente nas missões repassadas a eles como geralmente envolvendo inimigos tão corruptos ou tão perigosos que o leitor poderia esquecer por um tempo que os heróis daquela história tinham tentado matar Batman ou Superman em outras revistas.

William Hell foi um dos primeiros vilões da fase Ostrander mas seu plano era bem diabólico

Em Suicide Squad #4 o time recebe a missão de parar um novo vigilante que está ganhando atenção conhecido como William Hell. A principio Hell age como um vigilante padrão, até mesmo não matando os criminosos, porém a subversão vem justamente do posicionamento particular do homem por trás da máscara cujas ações de vigilantismo se concentram em bairros e visam criminosos de pele negra justamente para incitar o conflito racial na sociedade. 

O que a fase iniciada pelo quadrinista em 87 mostra é que a história ideal para a equipe é sempre operar em trabalhos pequenos mas urgentes, afinal esse foi o diferencial proposto por Ostrander; colocar aqueles personagens em missões black ops (aquelas que não tem reconhecimento oficial do governo e nunca vem a público) com a intenção de impedir o caos. Porém, jamais se esquecendo que eles são vilões e não hesitariam em fazer o mesmo.



Essa ideia funcionou muito bem na animação Assalto ao Arkham mas esteve ausente no longa da equipe em 2016 dirigido por David Ayer, que apresentou um desafio grande e chamativo demais para tal time; um futuro jogo no qual a equipe irá enfrentar a Liga da Justiça está em produção pela Rocksteady (mesma desenvolvedora da trilogia Arkham) mas pouco se sabe do escopo técnico. Com Gunn é esperado que essa tradição seja recuperada e o Esquadrão Suicida se prove também nos cinemas como uma das melhores e mais tradicionais equipes da DC Comics. 

Comentários

Não deixe de assistir:

🚨 INSCREVA-SE NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE 🚨http://bit.ly/CinePOP_Inscreva

SE INSCREVA NO NOSSO CANAL DO YOUTUBE