OS ADDAMS DA MÁFIA

Conhece a expressão “filme de uma piada só”. Pois A Família, nova produção estrelada pelos veteranos Robert De Niro (O Casamento do Ano) e Michelle Pfeiffer (Bem Vindo à Vida), se encaixa justamente no quesito. Não que isso seja uma coisa ruim, e na maioria das vezes se refere à estrutura e tema de certos filmes. Essa é a fórmula do peixe fora d´água, usada repetidamente no cinema, e imortalizada em muitas franquias de sucesso como A Família Addams e A Família Buscapé – para ficar dentro da temática de famílias.

A Família é exatamente assim. Troque apenas o clima macabro de terror dos Addams, e a inocência campestre e sem sofisticação dos Clampett, por tudo relacionado a crimes e violência implícita na máfia. Na trama, a família Manzoni é relocada por agentes federais, como parte do programa de proteção às testemunhas, depois que o patriarca Giovanni delatou um poderoso chefão. Correndo risco de vida, a família adere ao programa, artifício muito usado nos Estados Unidos, e assim passam a viver sob nova identidade.

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O problema é que essa família estava mais do que acostumada a seu estilo de vida, e constantemente não conseguem se adaptar às novas comunidades, precisando ser novamente relocada. Sua última parada é na Normandia, França, local no qual encontramos a família durante o filme, sob a alcunha de Blake. Assim como os filmes citados, todo tipo de comportamento inadequado é cometido pela família, é claro sempre utilizando a temática da obra. Daí o termo “filme de uma piada só”.

A mãe (Pfeiffer) taca fogo num mercado porque os funcionários criticam os americanos, o pai dá sumiço em um encanador que queria extorqui-lo, a filha (Dianna Agron, da série Glee) espanca um sujeito abusivo a raquetadas, e o filho (John D´Leo, Viajar é Preciso) realiza um verdadeiro esquema em seu colégio, e por aí vai. A questão é que dentro de sua fórmula, o filme se sai relativamente bem, e consegue se tornar um passatempo que não dará dor de cabeça ao público.

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Baseado no livro de Tonino Benacquista, A Família é dirigido por Luc Besson, cineasta francês de renome, responsável por filmes como Nikita – Criada para Matar, O Profissional e O Quinto Elemento. Besson andava meio sumido dos holofotes, e essa produção marca sua volta aos filmes chamativos, depois de 14 anos (desde quando escorregou com Joana d´Arc). Anteriormente intitulado como Malavita, o filme apresenta um conceito e ideias mais interessantes do que sua realização de fato.

Por exemplo, ao pensarmos em filmes sobre mafiosos, pensamos automaticamente em De Niro. O ator já participou de tantos projetos sobre o tema, que tê-lo num filme assim já é clichê. De Niro já fez até comédias sobre o assunto. Com Michelle Pfeiffer ocorre o mesmo, já que a atriz esteve em produções como Scarface e De Caso com a Máfia. Juntá-los em um filme assim é natural, e se torna uma grande homenagem. Além de ser o primeiro trabalho juntos desses icônicos atores americanos.

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O tom de A Família é ácido, e na maioria de suas cenas faz uso de um humor negro. Tragédias criadas para arrancar risadas. Esse é um filme que deve ser recomendado apenas como passatempo despretensioso, já que seu conceito (que pode ser visto nos trailers e sinopses) não causará surpresa alguma. O longa é exatamente o que você espera dele, e um filme morno pode ser muito pior do que uma obra realmente detestável ou um prazer culposo, para muita gente.

A certa altura temos De Niro querendo se enturmar num clube de filmes. E adivinhe qual é o filme ao qual irão assistir. Não, não é esse, mas é aquele outro. Até isso se torna uma cena óbvia demais, e nada realmente é tentado com ela, a não ser o reconhecimento de algo familiar. “Sim, eu lembro que ele esteve nesse filme, e agora ele está assistindo ao filme, dentro de outro filme. Não é engraçado?” Ah sim, ainda temos Tommy Lee Jones (Lincoln), ou será que temos.

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