Globo de Ouro 2019 – Os Esnobados e as Surpresas

Globo de Ouro 2019 – Os Esnobados e as Surpresas


Pois bem, queridos amigos e leitores do CinePOP. A temporada de prêmios do cinema já está entre nós. Uma das maiores provas disso acaba de chegar com o anúncio dos indicados ao Globo de Ouro, segundo maior prêmio do cinema após o Oscar – além de prestigiar também produções da TV. E como sempre também, a cada novo anúncio (assim como certamente ocorrerá com o Oscar), muitos artistas e filmes são jogados para escanteio, e tantos outros surgem em cima da hora, parecendo emergir do nada para nos surpreender.

Dentre os indicados, muitos já vinham prometendo lugar na lista – é só conferir nossas matérias sobre os possíveis indicados ao Oscar 2019 (Melhor Atriz, Melhor Ator, Melhor Atriz Coadjuvante e Melhor Ator Coadjuvante). Lembrando que o Globo de Ouro, prêmio da imprensa estrangeira em Hollywood, serve de termômetro para as indicações da Academia.

Para comentar o fato, faremos nossa nova lista – com os esnobados e as surpresas da edição 2019 do Globo de Ouro. Vem conferir.

Esnobados

As Viúvas



Com o renome dos talentos por trás do thriller de assalto com fortes tintas políticas, muitos cinéfilos e especialistas acreditavam no potencial do filme para indicações. Até o momento, As Viúvas vem se mantendo afastado das principais premiações de círculos de críticos nos EUA, e agora parece jogar a toalha tendo sido solenemente esnobado no Globo de Ouro. Mas isso não significa que o longa tenha sido nocauteado de vez para o Oscar.

Dentre as possíveis indicações do longa, a mais esperada era a de melhor atriz para Viola Davis. Particularmente, me alegraria muito de ver o estupendo e intimidador desempenho de Daniel Kaluuya (Corra!) reconhecido. O diretor Steve McQueen, o roteiro de Gillian Flynn (Garota Exemplar) e as atuações de Elizabeth Debicki, Michelle Rodriguez e Colin Farrell, membros de um dos melhores elencos do ano, também mereciam.

Hereditário

Ao contrário de As Viúvas, este baita terror dramático tem sido muito prestigiado por associações de críticos pelos EUA, indicado, por exemplo, para melhor atriz (o desempenho literalmente assombroso de Toni Collette) pelos críticos de Washington, melhor filme e atriz no Independent Spirit Awards e vencedor de melhor atriz no Gotham Awards e no International Online Cinema Awards.

Com esta bagagem, seria um presentão se premiações mais sérias abraçassem o longa, que contra ele tem o preconceito ainda muito entranhado na mente dos votantes por se tratar de um filme de gênero, e um que não costuma emplacar no mainstream: o terror. Inegavelmente, a performance de Toni Collette é um dos chamarizes do longa, e a atriz entrega um dos retratos dramáticos mais carregados da temporada, independente de prêmios.

Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)

Quando foi exibido no Festival do Rio deste ano, no mês passado, o novo trabalho do diretor de Moonlight dividiu opiniões – caminho que seu famoso longa vencedor do Oscar já havia trilhado. Bem, prestígio é o que não falta e o filme recebeu indicações de melhor produção – drama, melhor roteiro (Jenkins) e melhor coadjuvante para Regina King. Porém, nada de Jenkins na direção.

Ethan Hawke (First Reformed)

Uma das performances masculinas mais elogiadas do ano foi a de Ethan Hawke no drama First Reformed – ainda não lançado no Brasil. O problema é que o filme não explodiu lá fora como deveria e muitos sequer ouviram falar no longa. Contra ele, ainda o fato de ter sido lançado na primeira metade do ano – o que prejudica todos os filmes que não fazem um barulho estrondoso (como foi o caso com Meia Noite em Paris, de Woody Allen, por exemplo, em 2011).

Assim, anunciado como a redenção de Paul Schrader (roteirista de Taxi Driver), First Reformed apareceu somente em premiações menores, e pode ficar fora do Oscar – mesmo dono de 19 indicações e 14 vitórias até o momento. No filme, Hawke faz o papel de um padre.

O Primeiro Homem

Outro filme cuja trajetória não correu como planejado foi a biografia do astronauta Neil Armstrong – confeccionada pelo menino de ouro Damien Chazelle. Desde que surgiu no mundo do cinema – primeiro com Whiplash, depois com La La Land -, o cineasta vem ganhando cada vez mais prestígio. E O Primeiro Homem é sua obra mais ambiciosa. Além disso, toca em assuntos muito abraçados pelos americanos, já que retrata um de seus maiores heróis.

Eram esperadas indicações para filme, Chazelle e Ryan Gosling na pele de Armstrong. Bem, elas não têm acontecido e no Globo de Ouro foram esnobadas – o que pode significar sua exclusão do Oscar também. Quem não ficou de fora foi a talentosa Claire Foy, lembrada na categoria de coadjuvante por seu desempenho como Janet Armstrong, esposa do protagonista. Ou seja, embora tenha sido esnobado, não foi um chega pra lá completo, e o filme, além da categoria de coadjuvante feminina, também recebeu a indicação de trilha sonora.

Diretoras Mulheres

Sim, é necessário cada vez mais diversidade e inclusão. As últimas edições de grandes prêmios, como o Oscar e o Globo de Ouro têm demonstrado justamente isso. Desta forma, pensava-se que teríamos diretores negros e mulheres incluídos na categoria. Bem, ao menos no Globo de Ouro, dentre as opções de Steve McQueen, Barry Jenkins e Spike Lee, só o cineasta veterano entrou. Por outro lado, quando foi a hora de alguma cineasta entrar no páreo, a associação da imprensa estrangeira em Hollywood deixou a desejar.

Cada vez mais temos trabalhos seguros e de muita qualidade entregues por diretoras. Esse ano as promessas eram: Debra Granik (Sem Rastros), Marielle Heller (Can You Ever Forgive Me?), Lynne Ramsey (Você Nunca Esteve Realmente Aqui) e Karyn Kusama (O Peso do Passado).

Outros Esnobados

O novo filme do octogenário Clint Eastwood, A Mula, também não causou impressão nos votantes do Globo de Ouro. Esta é a despedida de Eastwood como ator, e significa sua última chance de ser indicado na categoria. Os votantes também não mostraram amor por Steve Carell: Querido Menino recebeu apenas uma indicação, para Timothée Chalamet, e Bem-vindos a Marwen, de Robert Zemeckis, também ficou de fora.

Vox Lux, protagonizado por Natalie Portman na pele de uma diva da música pop; O Ódio que Você Semeia, drama adolescente sobre racismo e violência policial; Colette, que traz Keira Knightley na pele da escritora real, no filme sobre feminismo e liberdade sexual; Vida Selvagem, estreia na direção de Paul Dano, que traz o melhor desempenho da carreira de Carey Mulligan; e O Favorito, drama político de Jason Reitman, com uma brilhante atuação de Hugh Jackman, todos foram exibidos em festivais (como o do Rio), têm pompa de prêmios, mas passaram em branco no Globo de Ouro.

Surpresas

Elsie Fisher (Oitava Série)

Com apenas 15 anos de idade, a loirinha Elsie Fisher entra para o panteão dos grandes prêmios ao receber sua primeira indicação a um dos mais importantes eventos de cinema do mundo. A menina é a protagonista do drama cômico Oitava Série, que vem sendo muito mencionado nesta temporada, e fala sobre as desventuras de uma colegial introvertida.

Rosamund Pike (A Private War)

Ninguém imaginaria que a “Garota Exemplar” Rosamund Pike fosse voltar ao radar de prêmios este ano. Ainda mais com um filme que até o momento não vem sendo muito comentado. A verdade é que depois de sua indicação ao Oscar pelo filme citado, a atriz não vem fazendo nada de muito relevante. Bem, isto é, até o lançamento desta obra, que pode começar a fazer crescer o hype em torno de Pike de novo. No filme, ela interpreta Marie Colvin, uma das mais celebradas repórteres de guerra de nossos tempos, que utiliza um indefectível tapa-olho em sua composição, após ter perdido o olho ao adentrar uma área de conflito.

John C. Reilly (Stan & Ollie)

Embora tenha construído uma carreira pautada na comédia, John C. Reilly é um excelente ator dramático também – acredite. E este projeto traz justamente a possibilidade de ambos os gêneros para o ator. A biografia dos humoristas Oliver Hardy e Stan Laurel, conhecidos como os ícones do humor ‘O Gordo e o Magro’, é um prato cheio para os especialistas e os que possuem paladar pela história do entretenimento, TV e cinema. No filme, C. Reilly vive Hardy, o Gordo.

Podres de Ricos

A comédia romântica de representatividade asiática foi um dos maiores fenômenos do ano, e serviu para abrir novas portas dentro do cinema de Hollywood – assim como Pantera Negra fez. No entanto, ninguém esperava vê-lo indicado para melhor filme (comédia e musical). O longa entrou também na categoria de melhor atriz em comédia – para Constance Wu.

Pantera Negra

Bem, essa é uma surpresa, mesmo sem ser totalmente. Muitos esperavam que um dos maiores filmes do ano – em questão de bilheteria mundial e representatividade – estivesse presente nas premiações. Mas se formos levar em conta que nenhum outro filme de super-heróis havia tido a honra de estar entre os melhores do ano no Globo de Ouro, o feito de Pantera Negra fica ainda mais impressionante.

Séries de TV

Esnobados

Maniac

Uma das melhores séries de 2018 – mas igualmente complexa e não recomendada para todos os públicos – foi completamente esquecida pelos votantes do Globo de Ouro. Com desempenhos impressionantes de Emma Stone e Jonah Hill, além da fabulosa direção de Cary Joji Fukunaga, Maniac deveria ter muitas indicações nesta temporada.

A Maldição da Residência Hill

O que dizer do fato do Globo de Ouro ter deixado uma das séries mais elogiadas da temporada e do ano – enaltecida por dez entre dez críticos e adorada pelo público – no churrasco? Decepção. Apenas.

This is US

O melodrama mais amado pelas premiações também sentou no banco dos reservas este ano no Globo de Ouro. Nem mesmo o talentosíssimo Sterling K. Brown encontrou vaga na categoria de ator. Será que os votantes andaram assistindo a O Predador?

The Handmaid´s Tale (O Conto da Aia)

Apesar de ter rendido indicações para a protagonista Elisabeth Moss e a coadjuvante Yvonne Strahovski, a cobiçada vaga de melhor série dramática do ano, ao menos no Globo de Ouro, não será ocupada pelo segundo ano desta série que desperta comoção dos fãs e críticos.





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