UMA MINI-ODISSEIA NO ESPAÇO

O filme de maior expectativa do ano, Gravidade era vendido como um projeto de alto conceito e originalidade do diretor Alfonso Cuarón (Filhos da Esperança).  No ano da ficção científica como fonte de blockbusters para Hollywood, no qual tivemos Círculo de Fogo e Elysium, obras voltadas para um público mais jovem de certa forma, Gravidade é um filme experimental de dezenas de milhões de dólares, que inicialmente foi anunciado como sendo apenas dois atores flutuando no espaço. O maior inimigo de qualquer grande produção é a expectativa gerada por ela. E mais ainda, elogios superinflados. Críticos americanos que puderam conferi-lo em primeira mão em festivais, anunciavam ser a melhor coisa do cinema em anos.

Alguns chegaram ao ponto de afirmar ser superior ao quintessencial 2001 – Uma Odisseia no Espaço (1968), de Stanley Kubrick. O cineasta James Cameron, um especialista no gênero da ficção, declarou que Gravidade era o melhor filme passado no espaço que já tinha assistido. Sem revelar muito para não estragar a surpresa de todos, o quanto menos soubermos sobre o filme melhor – acredito que essa é a melhor forma de aprecia-lo, e foi assim que entrei no cinema. Uma coisa que posso dizer é que Gravidade é muito mais um drama de grande suspense, do que uma ficção científica. Seria inclusive mais bem definido como uma realidade científica.

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Na trama, uma equipe de astronautas está em missão a bordo de uma nave na órbita da Terra. Os únicos rostos conhecidos do elenco, e literalmente os únicos rostos do filme, são os dos atores George Clooney (Os Descendentes) e Sandra Bullock (As Bem Armadas). Clooney vive Matt Kowalski, o chefe encarregado da missão, e Bullock é a médica Ryan Stone. Devido a um acidente, que atinge sua nave, a Dra. Stone é arremessada na imensidão escura do espaço, e aí começa a sua grande jornada. Apesar de grande decepção com o conceito de “explodir nossas mentes”, muito alardeado lá fora, não é justo julgar o filme que não foi feito, o correto é analisar o que foi feito.

Gravidade é recheado de tensão, e embora não faça uso de muito diálogos, é um daqueles filmes que conseguem nos prender do começo ao fim de seus 90 minutos de exibição, sem perder o ritmo ou nos deixar ir. Nos torna reféns logo de início, somente com o uso de suas imagens, e isso é uma grande qualidade de um contador de histórias. Cuarón pega um material de difícil acesso para o grande público, e cria uma grande identificação e plausibilidade, sem que por momento algum o público se sinta enganado, acreditando ser impossível qualquer cena mostrada na obra. O clima criado é de puro nervosismo, e nos mantém à beira da cadeira.

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Esse é um show mais de Sandra Bullock, que entrega em minha opinião seu melhor desempenho nas telas (ao lado de Crash). Aqui, a atriz é pedida para explorar vários níveis diferentes de medo, desespero e aflição. Em uma cena em especial a atriz emociona. Muitos acreditam inclusive que a atriz sairá com o filme em busca de sua segunda indicação ao Oscar. Talvez merecida, afinal não é fácil levar um filme inteiro sozinho nas costas. Bullock exibe beleza também, e uma forma física invejável no auge de seus 49 anos. Além da expectativa não cumprida, Gravidade também decepciona por certa simplicidade em seu roteiro.

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As imagens e efeitos são belíssimos, criados pela equipe de técnicos de efeitos especiais. Mas como dizem, hoje em dia todos são capazes de criar efeitos, embora aqui eles realmente impressionem, e sejam sempre usados a favor da história, e não ao contrário. Os efeitos em 3D são ótimos. Gravidade não é capaz de explodir nossas mentes, apenas de criar talvez as situações mais sufocantes do cinema. Afinal, para quem está diante da morte, será que importa mesmo estar prestes a morrer no espaço, no mar sozinho e cercado de tubarões, como em Mar Aberto (2003), ou preso num caixão sem ar, como em Enterrado Vivo (2010)?


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