A saga de fantasia ‘Harry Potter’ carrega consigo um enorme impacto não apenas no cenário literário, como no cinematográfico. Enquanto os escritos de J.K. Rowling se tornaram um marco na literatura infanto-juvenil e influenciaram diversos romancistas ao redor do mundo, as adaptações fílmicas supervisionadas pela Warner Bros. Pictures permanecem como algumas das mais elogiadas e bem-sucedidas do século, tendo faturado bilhões de dólares e cimentado a carreira do “trio de ouro” formado por Daniel Radcliffe, Emma Watson e Rupert Grint.
É muito interessante pensar que a série reboot da HBO Max está programada para estrear no mesmo ano em que o último capítulo da franquia cinematográfica completa quinze anos desde seu lançamento – e mais insano ainda perceber que ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2’ chegou aos cinemas há uma década e meia. Afinal, o capítulo de encerramento se tornou o mais elogiado de todos e se tornou um marco do gênero fantástico, alcançando nada menos que 96% de aprovação no Rotten Tomatoes e arrecadando impressionantes US$1,343 bilhão ao redor do planeta (permanecendo no topo das bilheterias do estúdio até ser desbancando pelo live-action de ‘Barbie’, em 2023).
Os incontáveis recordes quebrados e a forte recepção de público e de crítica são resultado da antecipação em conferir as aventuras finais de Harry e seus amigos contra o maligno e psicótico bruxo das trevas Lorde Voldemort, que já nos vinha sendo construída desde 2001, com a estreia de ‘Harry Potter e a Pedra Filosofal’. E, ao retornar à cadeira de direção depois de ter comandado o quinto, o sexto e o sétimo filmes, o realizador David Yates sagrou a produção como a cereja do bolo de um monumental universo que, até hoje, é revisitado ou redescoberto pelos apreciadores da sétima arte – reiterando seu inegável status cultural.
A trama se inicia logo depois dos eventos de ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 1’, que terminou com Voldemort (Ralph Fiennes) finalmente colocando as mãos na cobiçada Varinha das Varinhas – um dos objetos mágicos que pertenceu à própria Morte e que torna quem a empunha praticamente imbatível. Com isso, Harry (Radcliffe), Hermione (Watson) e Rony (Grint) continuam sua missão para destruir as Horcruxes (receptáculos de fragmentos da alma de Voldemort que o tornam imortal) e, com isso, enfrentá-lo uma última vez para impedir que o mundo como o conhecem seja destruído por ele e por suas centenas de seguidores.
Navegando pelos intermináveis túneis subterrâneos do Banco Gringotes ou pelos becos da sombria Hogsmeade, o trio de heróis percebe que não há mais volta e que um grandioso e trágico conflito se aproxima deles. Não é surpresa que a tão aguardada batalha final tenha como palco a Escola de Magia e Bruxaria de Hogwarts, em que Harry se reúne com seus aliados – incluindo a família Weasley, Minerva McGonagall (Maggie Smith), Remo Lupin (David Thewlis) e vários outros. Munindo-se da coragem e da bravura daqueles que estão do lado certo da história e que desejam enfrentar os partidários de um insano e mortal demagogo, tudo culmina em uma catártica e apoteótica sequência de batalha que finaliza o arco do bruxinho titular da melhor maneira possível.
Yates, veterano da franquia, sabe exatamente o que está fazendo e como adaptar a segunda metade do romance original a ponto de transformá-lo em uma carta de amor aos fãs que acompanharam Harry desde o momento em que quase foi assassinado por Lorde Voldemort. Porém, considerando que este é o pináculo de tudo que nos foi apresentado, o diretor tinha um trabalho árduo em não nos frustrar à medida que encontrou um ponto de equilíbrio entre o legado construído e o momento em que o “trio de ouro” se encontra – exausto de ter sido privado de uma infância e de uma adolescência de verdades em prol de uma luta interminável pela paz e pela igualdade.
Steve Kloves, que volta à posição de roteirista pela última vez após ter feito um ótimo trabalho com os outros capítulos da franquia, investe esforços para garantir que os arcos sejam finalizados de forma sólida e memorável e, com isso, dá destaque a cada um dos personagens que aprendemos a amar ao longo de dez anos – permitindo que tanto o elenco jovem quanto os thespians (que inclui Alan Rickman, Gary Oldman, Michael Gambon, Robbie Coltrane e Helena Bonham Carter) brilhe segundo a segundo, caminhando para um grand finale que continua a ser citado.
Há uma década e meia, ‘Harry Potter e as Relíquias da Morte – Parte 2’ chegava aos cinemas e causava uma comoção generalizada entre os milhões de fãs da saga mágica, nos deixando satisfeitos e melancólicos ao nos guiar para uma conclusão dilacerante e emocionante – que viria a ser revitalizada anos depois com o já mencionado reboot da HBO.
Lembrando que a saga ‘Harry Potter’ está disponível na HBO Max.



