A mais recente plataforma de streaming chegou com tudo ao Brasil, já conquistando uma legião de fãs. Funcionando há mais de um ano nos EUA, a HBO Max estreou em nosso país recentemente, trazendo muitas novidades como blockbusters novíssimos e badalados (Mulher-Maravilha 1984 e Godzilla vs Kong), séries adoradas (Friends e Família Soprano), programas recentes e promete uma janela bem pequena em relação ao cinema. Ou seja, os filmes, pouco tempo depois das telonas, já estarão disponíveis na plataforma – como o caso do terror Invocação do Mal 3.

Com o acervo de toda a filmoteca da Warner Bros, as superproduções da DC e as séries de prestígio da HBO (ainda a campeã no mercado em produção de qualidade na TV, vide Game of Thrones, Westworld, Big Little Lies e Mare of Easttown), a HBO Max entra no mercado com a proposta de fazer frente às gigantes que o dominam, a Netflix e a Amazon. Se depender das cartas que tem na manga, não ficará apenas na promessa. Além de todos os atrativos citados, um que se destaca com louvor é o acervo de clássicos da plataforma. E quando digo clássicos, me refiro a algumas das produções mais emblemáticas da história da sétima arte, ainda hoje citadas pelos especialistas como algumas das melhores obras do cinema. Isso é justamente o que muitos cinéfilos buscam, um lugar para encontrar tais filmes que todos que dizem gostar de cinema não podem passar mais um dia sem. Confira abaixo 10 clássicos absolutos para assistir na HBO Max.

Casablanca (1942)

Uma das histórias de amor mais celebradas do cinema, Casablanca é tão emblemático para a Warner que o estúdio utiliza a música do filme como apresentação do seu logomarca no início de todos os filmes da casa. Na trama, Rick Blaine (Humphrey Bogart) é o dono de um café-restaurante em Casablanca, Marrocos, na época do domínio nazista. Em seu estabelecimento um dia aparece seu amor perdido do passado, a bela Ilsa Lund (Ingrid Bergman), por quem ainda é apaixonado. Acontece que a mulher lhe pede um favor, que a ajude a fugir do local ao lado do marido, já que estão sendo perseguidos pelos alemães, considerados traidores. Vencedor do Oscar de melhor filme e mais duas estatuetas, Casablanca recebeu 8 indicações ao total e se encontra entre os 48 melhores filmes de todos os tempos no IMDB.



Cidadão Kane (1941)

O que dizer desta obra-prima que ainda não tenha sido dito? Exibição obrigatória para estudantes de cinema e crítica cinematográfica, o filme foi muito importante na época de seu lançamento pois quebrou diversas barreiras técnicas, sendo considerado revolucionário. Na época, era o que havia de maior no cinema, comparável aos filmes da Marvel hoje em termos de investimento. A história é o dilema clássico do “homem que tem tudo, mas não tem nada”, e narra sobre um magnata da mídia que depois da morte começa a ser investigado. A trama é contada em flashback da sua vida. Show de Orson Welles que, com 26 anos apenas, produziu, escreveu, protagonizou e dirigiu. Cidadão Kane foi indicado para melhor filme e mais 8 categorias, levando a de melhor roteiro. O filme está entre os 94 melhores de todos os tempos no IMDB e é considerado por muitos o melhor já produzido.

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E o Vento Levou (1939)

O mais recente “cancelado” pelo revisionismo histórico, E o Vento Levou retrata uma época trágica para a humanidade: o conflito conhecido como Guerra da Secessão, que dividiu os EUA entre escravistas e abolicionistas. O problema é que a superprodução aborda justamente o ponto de vista de protagonistas do Sul do país, os tais escravistas e o “drama” que passaram para manter seu estilo de vida. Num aspecto técnico, o filme é revolucionário, criando para a época visuais e cenários inimagináveis. Um verdadeiro épico, E o Vento Levou pode ter uma visão muito antiquada e deturpada para os dias de hoje. Porém, a HBO Max fez bem em não varrer o filme para debaixo do tapete, pelo contrário, muito sabiamente tratou de incluir um recado no início do filme. Afinal, é preciso conhecer e estudar a história e o passado para aprendermos com ele. Vencedor de 10 Oscar, incluindo melhor filme, e ainda se encontra dentre os 200 melhores no IMDB.



O Mágico de Oz (1939)

1939 foi um ano muito bom para o cinema. De lá saíram pelos menos duas obras inesquecíveis e que continuam muito em voga hoje, sendo comentadas (mesmo que por suas polêmicas) mais de 80 anos depois de suas estreias. No mesmo ano de E o vento Levou, era lançado O Mágico de Oz, provavelmente a fantasia família mais querida da sétima arte. Até mesmo sem querer, você provavelmente conhece a história da menina Dorothy (Judy Garland), vinda de uma fazenda numa área rural, que ao lado do cãozinho Totó é transportada para um novo mundo, um mundo mágico, regido pelo Mago de Oz. Lá ela conhece e faz amizade com um espantalho sem cérebro, um homem de lata sem coração e um leão sem coragem. Juntos eles precisarão enfrentar a bruxa má do Oeste. O Mágico de Oz concorreu a melhor filme no Oscar e mais 4 indicações, levando trilha sonora e canção para a icônica ‘Over the Rainbow’.

Cantando na Chuva (1952)

Agora finalmente chegamos à década de 1950 para o que é provavelmente o musical preferido de 9 entre 10 cinéfilos e amantes da sétima arte. Lançado em 1952, no auge da febre do gênero, Cantando na Chuva é estrelado pelo eterno Gene Kelly como Don Lockwood, um astro da era muda de Hollywood, precisando se reajustar aos novos tempos dos filmes falados. Mesmo assunto abordado no vencedor do Oscar O Artista (2011). Ao lado de Kelly, Debbie Reynolds, mãe da eterna Princesa Leia, Carrie Fisher. Cantando na Chuva recebeu duas indicações ao Oscar e está entre os 98 melhores no IMDB.

King Kong (1933)

Godzilla vs Kong se tornou um dos maiores sucessos desta primeira metade de 2021, gerando a maior bilheteria possível nestes tempos pandêmicos. Mas o longa deve muito e precisa agradecer seu sucesso a um filme que tem nada menos que 88 anos de seu lançamento. Filmado em preto e branco, e utilizando o que de melhor a técnica do stop-motion tinha a oferecer na época, este é outro filme que traz uma história atemporal, ainda rendendo frutos até hoje. A triste jornada do gorila gigante tirado de seu habitat e levado para Nova York para ser exibido num show por dinheiro foi recontada diversas vezes ao longo dos tempos. Mas na HBO Max você pode conferir onde tudo começou.

Bonnie & Clyde (1967)



Agora avançamos ainda mais no tempo, para a subversiva década de 1960. Foi aqui que teve início um movimento que iria mudar para sempre a cultura mundial e também Hollywood. A forma de se fazer filmes deixava o lado conservador para aderir a um lado mais subversivo e real, abordando temas considerados polêmicos. O movimento da “nova Hollywood” tinha seus primórdios aqui, e um dos fortes representantes era a história do casal de assaltantes e assassinos da vida real chamado Bonnie & Clyde. Em Uma Rajada de Balas, Warren Beatty e Faye Dunaway se tornaram astros, e seus personagens na vida real igualmente eram vistos como celebridades, mesmo estando do lado errado da lei. Bonnie & Clyde foi indicado para 10 Oscar, incluindo melhor filme, e saiu vitorioso com duas estatuetas – fotografia e atriz coadjuvante.

Disque M para Matar (1954)

No acervo da HBO Max temos algumas produções do mestre do suspense Alfred Hitchcock, e algo me diz que em breve teremos mais ainda. Esta é uma das mais famosas e imperdíveis Extremamente influente, a história inspirou e continua a influenciar muitas narrativas no cinema e audiovisual. Como de costume, Hitchcock usa o crime como motivador do ponto de partida do filme. Aqui, um sujeito pra lá de endividado, planeja o assassinato da esposa para herdar sua fortuna. O plano também é arquitetado porque a mulher visava deixar o marido para ficar com o amante. Porém, algo sai terrivelmente errado na hora de concretizar o ato. Este é um dos três filmes que o diretor fez ao lado de sua musa Grace Kelly (que vive a esposa). Disque M para Matar está entre os 154 melhores no IMDB. Ah, para quem tiver a curiosidade e quiser fazer uma dobradinha, uma refilmagem foi lançada em 1998, com Michael Douglas e Gwyneth Paltrow, sendo um dos raros casos de remake à altura do original. O remake também está na plataforma e se chama Um Crime Perfeito.

Ben-Hur (1959)

Por falar em refilmagens, Ben-Hur ganhou a sua em 2016, mas, digamos, que esta é melhor esquecer e focar no original do fim dos anos 1950. Bem, se formos ainda mais literais, podemos afirmar que o original mesmo é uma produção de 1925, da era do cinema mudo. A versão de 1959, de William Wyler, é um verdadeiro épico de 3h32min de projeção, dono de momentos inesquecíveis e grandiosos como a corrida de bigas. A trama pega emprestado do clássico de Alexandre Dumas, O Conde de Monte Cristo, lançado em 1844, transportando para uma história bíblica. Charlton Heston vive o príncipe judeu Judah Ben-Hur, traído por um amigo nobre romano, e transformado em escravo. Ao ganhar sua liberdade, ele planeja a vingança. Ben-Hur venceu 11 dos 12 Oscar aos quais estava indicado, incluindo melhor filme e se encontra entre 207 melhores no IMDB.


Doutor Jivago (1967)

Outro épico que revolucionou e transformou para sempre Hollywood. Em meio à Guerra Fria vigente na década de 1960 entre EUA e Rússia (então União Soviética), Hollywood decide fazer uma obra que soa como carta de amor ao país “inimigo”. Dirigido por David Lean (Lawrence da Arábia, 1962), Doutor Jivago é baseado num livro de sucesso e se tornou um épico grandioso, de 3h17min de projeção. A história acompanha o personagem título (vivido pelo egípcio Omar Sharif), um médico russo bem sucedido e proeminente na sociedade da época. Inadvertidamente, ele se apaixona por uma revolucionária, papel da belíssima Julie Christie, e termina por sentir as consequências de seus atos, durante a Primeira Guerra Mundial e a Revolução Russa. Doutor Jivago foi indicado a 10 Oscar, incluindo melhor filme, e saiu vitorioso com 5 estatuetas, incluindo roteiro adaptado.

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