‘Michael’: Diretor de ‘Deixando Neverland’ detona cinebiografia por ignorar denúncias de abuso sexual: “Era pior que Jeffrey Epstein”

Destaque'Michael': Diretor de 'Deixando Neverland' detona cinebiografia por ignorar denúncias de abuso sexual: "Era pior que Jeffrey Epstein"

Dan Reed, o documentarista por trás do impactante Deixando Neverland(2019), criticou severamente a cinebiografia Michael. Em declarações recentes, o cineasta acusou a produção de ignorar deliberadamente as denúncias de abuso sexual e outras polêmicas que cercam o legado do “Rei do Pop”.

Conforme relatado pela Entertainment Weekly, Reed comentou sobre a persistente popularidade do cantor, mesmo diante dos relatos de Wade Robson e James Safechuck, que afirmam terem sido abusados por Jackson quando crianças.

“Isso mostra que as pessoas não se importam que ele fosse um molestador de crianças. Literalmente, as pessoas simplesmente não se importam. Acho que muita gente apenas ama a música dele e faz ouvidos moucos. E, tirando a existência de um vídeo real mostrando Michael Jackson mantendo relações sexuais com uma criança de 7 anos, não sei o que seria suficiente para mudar a opinião dessas pessoas”, afirmou Reed.

Recentemente, o diretor da cinebiografia, Antoine Fuqua, defendeu o projeto em entrevista à The New Yorker, sugerindo que “às vezes as pessoas fazem coisas desagradáveis por dinheiro”. Reed rebateu a fala com ironia:

“Para Antoine Fuqua acusar pessoas de estarem atrás de dinheiro é meio irônico. Parece para mim que todos os envolvidos nesse filme estão ganhando muito dinheiro”, destacou.

O documentarista questionou a autenticidade de uma obra que omite o lado sombrio da trajetória do artista: “Como você pode contar uma história autêntica sobre Michael Jackson sem sequer mencionar o fato de que ele foi seriamente acusado de ser um molestador de crianças? Se alguém está ganhando dinheiro, é o espólio de Michael Jackson e as pessoas que trabalharam nessa cinebiografia”.

Reed também saiu em defesa de Robson e Safechuck, ressaltando que ambos não lucraram com suas participações no documentário de 2019.

“Wade e James, os protagonistas de Deixando Neverland, nunca ganharam um centavo com suas acusações. As pessoas parecem não entender: se você entra com um processo, não recebe dinheiro até vencer na Justiça. E quando vence, isso significa que provou seu caso, certo?”, afirmou.

Além disso, o cineasta criticou a postura de parte da imprensa, que ele acredita estar “bajulando a máquina Jackson” por medo de represálias da base de fãs ou por interesses financeiros.

“Acho claramente que parte da imprensa está bajulando a máquina Jackson porque: A, o espólio e a base de fãs sempre garantiram que criticar Michael custaria anos de insultos e difamações. E B, há muito dinheiro a ser ganho com qualquer associação à marca Jackson. Muita gente, eu acho, engole qualquer desconforto que possa ter e apenas diz: ‘Ah, bem, é um ótimo filme musical’, ignorando completamente o fato de que esse cara era pior que Jeffrey Epstein”, concluiu.

‘Michael’: Elenco defende decisão da cinebiografia de não abordar polêmicas da carreira do astro

Michael Jackson foi acusado pela primeira vez de abuso sexual em 1993 por Jordan Chandler, então com 13 anos. O cantor negou as alegações e posteriormente firmou um acordo em um processo civil movido pela família do jovem, no valor superior a US$ 20 milhões. As autoridades investigaram o caso, mas afirmaram não ter encontrado provas suficientes para apresentar acusações criminais.

Em 2003, Jackson voltou a ser investigado e acabou preso sob acusações de abuso infantil. Posteriormente, foi indiciado por dez acusações criminais. As denúncias partiram de Gavin Arvizo, além do filho de um ex-funcionário da residência do artista, que também o acusou de abuso. Em junho de 2005, o cantor foi absolvido de todas as acusações.

Michael Jackson morreu em 2009, aos 50 anos.

Em 2013, Wade Robson acusou o artista de anos de abuso sexual ao abrir processos contra o espólio do cantor e as empresas MJJ Productions e MJJ Ventures. No ano seguinte, James Safechuck apresentou uma ação semelhante. Ambos os casos foram arquivados em 2017 por questões processuais, sem que a Justiça analisasse o mérito ou a credibilidade das acusações.

Lembrando que originalmente, o roteiro planejava avançar na cronologia para abordar as acusações de abuso infantil de 1993 e as investigações que se seguiram. Contudo, advogados do espólio descobriram que um acordo jurídico firmado no passado com um dos acusadores impedia qualquer menção ou representação direta dessa pessoa em produções cinematográficas.

Essa barreira legal forçou a equipe a desenvolver um novo terceiro ato para o longa. A mudança exigiu 22 dias de refilmagens e gerou um custo adicional estimado entre US$ 15 milhões e US$ 20 milhões, impactando o cronograma e o orçamento final da obra.

Dirigido por Antoine Fuqua e realizado em colaboração com o espólio do cantor, o filme foca na trajetória de Jackson desde a infância no Jackson 5 até o fenômeno global da turnê Bad, em 1988.

‘Michael’: Cinebiografia sobre o rei do pop é MASSACRADA pela crítica internacional; Confira!

Michael’ está em cartaz nos cinemas nacionais.

Crítica 1 | ‘Michael’ – Antoine Fuqua constrói uma singela carta de amor a Michael Jackson com a cinebiografia

Crítica 2 | ‘Michael’ é uma embalagem bonita para uma caixa VAZIA. Para alguns, isso basta…

Dirigido por Antoine Fuqua (‘Dia de Treinamento’, ‘O Protetor’), o filme propõe um retrato cinematográfico profundo sobre a vida e o legado de Michael Jackson. A trama vai além dos palcos, acompanhando a jornada do artista desde a descoberta de seu talento precoce como líder dos Jackson Five até sua transformação em um visionário global, impulsionado pela busca incessante de se tornar o maior artista do mundo.

O roteiro, assinado pelo três vezes indicado ao Oscar John Logan (‘Gladiador’, ‘O Aviador’), oferece ao público um lugar na primeira fila para observar a vida de Michael fora dos holofotes, alternando com as performances mais emblemáticas do início de sua fase solo.

A cinebiografia marca a estreia de Jaafar Jackson no cinema, assumindo o desafiador papel de seu tio. O elenco principal conta ainda com nomes de peso da indústria: Colman Domingo, Nia LongMiles TellerLaura Harrier e Juliano Krue Valdi.

A produção executiva está sob o comando do vencedor do Oscar Graham King (‘Bohemian Rhapsody’), em parceria com John Branca e John McClain, figuras ligadas diretamente ao espólio de Michael Jackson e responsáveis por projetos como This Is It’.

José Guilherme
José Guilherme
José Guilherme é jornalista formado e apaixonado por boas histórias desde a infância. Atua na cobertura de cultura desde 2023, com foco em cinema, séries e animes. Entusiasta do audiovisual, também valoriza boas conversas tanto quanto grandes narrativas.

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