Tom Cruise adere aos videogames de última geração

Baseado num light novel (ou romance rápido) chamado All You Need is Kill (nome inicial da produção cinematográfica igualmente), de Hiroshi Sakurazaka, No Limite de Amanhã se tornou uma das grandes apostas da Warner para o verão americano de 2014, e o novo filme do astro Tom Cruise (Oblivon). A trama é adaptada pelo vencedor do Oscar Christopher McQuarrie, que tem no currículo os roteiros dos irregulares O Turista (2010), Jack Reacher: O Último Tiro (2012) e Jack – O Caçador de Gigantes (2013).

No filme Cruise é Cage (nome sugestivo e antônimo de qualidade), um militar covarde. A escolha pela característica é interessante e serve para desmistificar a figura do ator, sempre atrelada a do herói de ação. Esse momento inicial, com o protagonista tentando escorregar de todas as formas de suas obrigações no campo de batalha, rende o melhor esforço da obra e ficamos desejando mais. O filme nos apresenta um futuro caótico em guerra, no qual os humanos são forçados a enfrentarem uma raça alienígena testando sua capacidade ao limite.

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A decisão pelo título genérico é outro erro. Tanto no original quanto em sua tradução em nosso idioma, será um desafio para qualquer um lembrar o nome deste filme. Entra em cena a melhor coisa da produção, o Primeiro Sargento Farell, interpretado pelo veterano Bill Paxton. Ele é durão e tem como tarefa colocar na linha o medroso protagonista.  Não por acaso, este momento pré-guerra tem como forte referência Aliens – O Resgate (1986), filme marco sobre combate militar contra raça alienígena. E que contém Paxton como o medroso soldado Hudson. Pode-se argumentar inclusive que Aliens serviu como base para os exoesqueletos deste filme (alguém lembra da grande empilhadeira amarela?).

Outro argumento é que esta nova produção contém a mensagem subliminar da Cientologia sobre vencer o medo, um dos mantras da religião, utilizado fortemente em Depois da Terra (2013). Os astros Tom Cruise e Will Smith são adeptos da fé. Daí No Limite do Amanhã se desenvolve e torna-se dois filmes (ou quem sabe alguém consiga achar mais). O primeiro é um básico e direto filme sobre combate alienígena, com muitas cenas geradas em computador onde a carnificina corre solta. São jatos caindo em soldados, explosões e todo tipo de caos no campo de batalha (que começa no ar).

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O segundo é um filme sobre “repetição do dia”. Quando Cruise é morto, ele volta exatamente para o ponto de seu recrutamento. Quem já viu produções como Feitiço do Tempo (1993) ou Contra o Tempo (2011) sabe exatamente. Filmes assim podem ser divertidos, não é o caso aqui. Temos também Rita Vrataski, personagem da bela (e agora sarada) Emily Blunt (Meus Dias Incríveis). Conhecida como “Anjo de Verdun”, por seus atos heroicos no campo de batalha e como “Full Metal Bitch” (“Megera de Ferro” no Brasil) pelos companheiros soldados – referência ao filme de guerra de Stanley Kubrick, Nascido para Matar (Full Metal Jacket, 1987).

A personagem de Blunt carrega um grande pedaço de metal usado como espada, que seria mais adequado para um dos robôs de Círculo de Fogo, jamais por uma mulher em seus 50 kg. Mas sem dúvidas fica legal visualmente. O que promete agradar o público alvo, jovens aficionados por videogames. Tudo em No Limite do Amanhã é simplesmente confuso demais. É um desafio para qualquer um tentar entender a trama, ou pior, se importar. O núcleo do filme é raso, guerra contra aliens, sem que exista algo para compensar (diálogos interessantes, personagens bem explorados ou momentos de ação memoráveis). Não existe subtexto aqui.

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A fotografia do vencedor do Oscar Dion Beebe (Lanterna Verde e O Elo Perdido) é demasiadamente escura (uma tendência nos blockbusters deste ano), fato que prejudica bastante o resultado. As cenas de ação, que deveriam vender a obra, são aceleradas demais e incompreensíveis para os que já passaram dos trinta. Este é o tipo de filme que faz jus ao cinema de Michael Bay e seus Transformers. O combate aos aliens é neste nível, sem que consigamos sequer dar uma boa olhada no que os heróis enfrentam. O americano Doug Liman (diretor do filme) começou a carreira de forma promissora em obras como Swingers (1997) e Vamos Nessa! (1999), e inclusive no gênero já viu dias melhores, vide A Identidade Bourne (2002), Sr. & Sra. Smith (2005) e Jumper (2008).

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