O mexicano Guillermo Arriaga, roteirista de sucessos como Amores Brutos, 21 Gramas e Babel, e diretor de Vidas que se cruzam, passou pelo Festival do Rio para lançar seu mais recente projeto, o filme Falando com Deuses (Words with Gods), que teve première mundial no Festival de Veneza, em setembro. O longa, que tem como tema a religião, é dirigido por Arriaga e outros nove diretores de nacionalidades diferentes – entre eles o brasileiro Hector Babenco e o espanhol Alex de la Iglesia – e é o primeiro de uma série de quatro filmes coletivos com temas distintos.

Antes de receber o prêmio FIPRESCI de Personalidade Latino-Americana do Ano, Arriaga conversou com o CinePOP. Simpático e falando em português, o cineasta contou que aprendeu o idioma para fazer o seu episódio no filme Rio, Eu te Amo.

“Eu queria falar a mesma língua da equipe e dos atores”, disse, acrescentando que ficou muito feliz quando foi convidado para o projeto. “Eu amo o Rio. Conheço bem a cidade, adoro Santa Tereza. Também já fui a São Paulo. O Brasil é minha segunda casa, gosto de estar aqui, então aprendi português ouvindo as pessoas. Você acha que falo bem?”

Diante da minha afirmativa de que o português dele é muito bom, Arriaga se empolga e comenta sua participação no Festival do Rio.

“Estou orgulhoso de apresentar meu filme aqui, e também grato pela homenagem. Ano passado nesta época estava na cidade filmando Rio, Eu te Amo e é bom estar de volta”.

Sobre Falando com Deuses, Guillermo Arriaga, que é ateu, esclarece que o filme vai além da religião.

“Cada vez mais temos que tratar desse assunto. Guerras acontecem por causa de assuntos religiosos. E não deveriam, porque a religião é para unir, não para separar”.

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Questiono se ele acha que, no mundo atual, as pessoas estão se apegando mais as religiões, e ele concorda.

“As coisas estão difíceis então cada um se agarra em algo. E a religião é uma possibilidade de segurança para muita gente. Pessoas que precisam ter alguma coisa para acreditar.”

Os próximos três filmes da série já têm seus temas definidos: sexo, política e o consumo de substâncias ilícitas ou não.

“São temas profundos e senti a necessidade de explorá-los de forma colaborativa, pelo olhar de diretores que admiro e que possuem uma marca própria”, contou Arriaga, acrescentando que não vai repetir os diretores em nenhuma das produções.

Ex- parceiro do também mexicano Alejandro Gonzalez Inarritu (Birdman), com quem formou uma das duplas de roteirista/diretor mais importantes do cinema, Arriaga – que também é escritor – não gosta de falar sobre o rompimento dos dois. Diante da gentileza do cineasta, não toco na ferida, mas pergunto se ele pretende continuar dirigindo, ou se, algum dia, poderá escrever um roteiro para outro cineasta dirigir. A resposta vem com toda a educação que o mexicano mostrou ao longo dos 15 minutos de entrevista.

“A vida é muito curta. Agora que eu produzo e dirijo meus próprios filmes, não vou entregar meu roteiro para outro dirigir e dizer que o filme é só dele. Eu prefiro escrever minhas histórias, produzi-las e dirigidas. Deu certo uma vez, então farei isso sempre”, encerra, com um sorriso.

 

 


Fotos: Rogério Resende/R2Foto

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