Filme de Dario Argento contém todos os elementos que tornaram o subgênero adorado

Em ambas as décadas de 60 e 70 o gênero do terror recebeu uma adição com o subgênero Giallo (amarelo em italiano); tal nome veio das capas de cor amarela que eram bastante comuns em romances policiais populares. Aliás, essa era a temática desses filmes: geralmente elas traziam um assassino misterioso que eventualmente cruza o caminho do protagonista, daí gerando não só um conflito como toda uma investigação do mesmo para descobrir a identidade do antagonista.

De imediato se percebe as similaridades com o também subgênero do slasher norte-americano; isso não é coincidência visto que o slasher que se popularizou bastante a partir dos anos 70 e principalmente nos 80 teve muito de seus conceitos importados do giallo porém adaptados (principalmente para atender a demanda do seu público alvo que eram os jovens) ao novo país.

Além disso, como ocorre com qualquer segmento no cinema certos nomes se tornaram sinônimos de determinadas fases; cineastas que assinaram obras cuja importância moldou toda uma leva de filmes. Quando se trata do Giallo, poucos estão no patamar de Dario Argento.



Argento é um dos mestres do terror italiano.

O diretor italiano é mundialmente conhecido por Suspiria, indiscutivelmente sua obra mais famosa, porém sua filmografia é verdadeiramente extensa e variada. Mesmo sendo um dos arquitetos do Giallo, ele sempre trafegou entre diversos estilos do terror. Ainda assim, quando se trata de histórias sobre um assassino misterioso amedrontando suas vítimas, poucos trabalhos dele são tão importantes como Profondo Rosso.

Lançado em 1975, seu enredo não se desvia muito do que já era trabalhado no Giallo. Um professor italiano tem sua conhecida assassinada, ao chegar ao local do crime a imprensa tira uma foto sua e o identifica como uma testemunha. Sua única esperança de sobreviver é descobrir quem é o criminoso e para isso ele vai contar com a ajuda de uma repórter (interpretada por Daria Nicolodi, esposa e contribuidora de longa data do Argento).

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A relação entre protagonista e antagonista, representada por uma abordagem ao estilo gato e rato, evoca conceitos que, em 1976, já estavam estabelecidos por obras prévias; Torso, filme de Mario Bava de 1973, utiliza a mesma fórmula de perseguição para trabalhar o suspense da produção.

Com o filme “Torso”, Mario Bava pavimentou o caminho do Giallo para Argento.

Algo que Argento traz de diferente para Profondo Rosso é a estética visual, essa que é a principal característica de seus filmes. Como de praxe, o diretor concede especial atenção, e é de seu desejo que o público perceba, aos cenários. Um exemplo sendo o local em que o assassino habita estando repleto de bonecas simulando enforcamentos, tornando o cenário uma exposição do sadismo íntimo do antagonista.



De acordo com o co-roteirista do filme, Bernardino Zapponi, a inspiração para muitas das cenas de morte no filme (cujo roteiro tinha originalmente 500 páginas mas, por sugestão do pai e irmão do Dario Argento, foi reduzido para 321) veio de conversas entre ele e o diretor sobre formas dolorosas com que alguém poderia morrer. 

Esse detalhe é perceptível principalmente quando se nota a variabilidade de maneiras com que o assassino elimina seus alvos. Profondo também traz algumas parcerias que estiveram com Argento em produções futuras, a maior sendo Suspiria no ano seguinte, como o envolvimento de Salvatore e Claudio Argento na produção e o envolvimento da banda Goblin na composição musical.

Logo após sua estreia Profondo Rosso já era saudado como uma das grandes realizações do diretor italiano. Foi uma obra feita no tempo certo e que aproveitou muito da procura por obras do Giallo para que sua fama se espalhasse mundo a fora.

 

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