Cada fim do ano os críticos e os jornalistas de cinema têm a chance de selecionar numa lista o que de melhor assistiram e assim provocar nas pessoas o interesse de conferirem produções que muitas vezes não chegam ao radar de todos. Mas existe também o outro lado desta mesma moeda. Os Piores Filmes do Ano. Muitos podem achar antiético. Outros degustam desta lista como uma vingança contra os longas que nos fizeram sofrer e perder duas horas (pelo menos) de nossas vidas, que nunca mais iremos recuperar. Como diriam os grandes críticos Roger Ebert e Gene Siskel, a lista dos piores pode ser conhecida também como “a vingança dos críticos”, uma chance dos jornalistas “baterem de volta”, retribuindo o “favor” de filmes que provavelmente receberam uma bolada e nada de bom deram ao seu público.

A verdade é que estas listas dos piores são divertidas. É preciso entrar na brincadeira e levar numa boa. Sabendo que nem sempre pode se ganhar todas. É preciso levantar, sacudir a poeira e dar a volta por cima. Temos certeza que todos os envolvidos com os filmes ruins desta lista em breve entregarão novos trabalhos de excelência. O Framboesa de Ouro é um ótimo exemplo deste espírito esportivo, e já levou grandes estrelas de Hollywood, como as Oscarizadas Halle Berry e Sandra Bullock, a entrarem na brincadeira. Sem mais delongas, esses são os 10 piores filmes de 2021 na opinião dos críticos. Comente abaixo, diga se concorda e faça você mesmo sua listinha do “lixo”.

10) Justiça em Família

Quando foi anunciado como um de seus maiores lançamentos para o ano, este longa da Netflix chamou atenção pela presença do campeão de bilheteria Jason Momoa (o Aquaman em pessoa) e a jovem promissora Isabela Merced, vivendo pai e filha no thriller de ação. Só por isso a produção já tinha nosso interesse, pronta para deixar a adrenalina correr solta. Inicialmente, o longa até nos prende com a história sobre um marido em busca de vingança contra a empresa farmacêutica que “deixou sua mulher morrer”, funcionando de forma nada sutil como crítica aos magnatas de tal indústria que visam sempre o lucro acima de vidas humanas. Mas aí acontece o primeiro entrave ao percebermos que este é um veículo muito mais de Merced, deixando o astro Momoa em segundo plano. O que deixou todos a ver navios, no entanto, foi a reviravolta final estapafúrdia, que se achou muito esperta, e é a grande “sacada” por trás do filme. A obra soma 20% de aprovação da imprensa.



09) O Sétimo Dia

Esse aqui é da “rival” Amazon Prime Video. Imagine uma mistura entre O Exorcista (1973) e Dia de Treinamento (2001), pois é isso o que temos aqui nesse terror. Na trama, um renomado exorcista se une a um padre novato para o seu primeiro “dia de ronda”. Assim como no filme de Denzel Washington e Ethan Hawke, a dupla aqui mergulha profundamente na linha que divide o bem e o mal, numa jornada desesperadora. Guy Pearce é quem protagoniza no papel do exorcista. O filme soma 17% de aprovação da imprensa, que o acusou de não ter história, de ser muito introspectivo quando deveria ser mais exagerado, e de misturar os gêneros dos filmes de exorcismo com os buddy cop, mas só tirar deles as piores partes.

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08) Infinito

Infinito era para ser o carro-chefe de lançamento da plataforma Paramount+, do clássico estúdio de Hollywood. Isto é, seria o primeiro grande lançamento da casa direto em sua plataforma, o que deveria vender o streaming para o grande público. Protagonizado pelo astro Mark Wahlberg e dirigido pelo talentoso Antoine Fuqua, o longa de ficção científica mistura A Origem (2010) com Highlander – O Guerreiro Imortal, mas o resultado final terminou fazendo dele um dos maiores fiascos de 2021, um filme que quem viu não gostou, e a maioria sequer ouviu falar. Com 16% de aprovação dos críticos, ele foi considerado “um thriller de ficção científica inicialmente intrigante, que rapidamente descamba para a incoerência, Infinito é tão insano quanto é inconsequente”.



07) Na Mente do Demônio

Outra “preciosidade” contida no acervo da Amazon Prime Video. Outro “pseudo terror”. Já se foi o tempo em que o diretor Neill Blomkamp era considerado uma voz de talento promissor na ficção científica. O sul africano chegou fazendo barulho com Distrito 9 (2009) e foi até indicado ao Oscar (o filme); mas a cada nova produção seu brilho ia se apagando mais um pouco – com Elysium (2013) e Chappie (2015). O próprio diretor brinca com o fato e diz que sua saída de um filme do Alien que não vingou foi porque Ridley Scott assistiu à Chappie. Só resta ao jovem diretor atualmente falar mal de Denis Villeneuve em suas redes sociais – já que o franco-canadense está na crista da onda, dominando um gênero onde Blomkamp deveria estar no topo. Seja como for, esse é oficialmente o fundo do poço para o cineasta, Na Mente do Demônio mistura assombração e tecnologia, marcando o retorno do cineasta aos baixos orçamentos. O filme soma 15% de aprovação da imprensa.

06) O Resgate: O Dia da Redenção

Parece que ficaremos nos revezando entre os streamings mais populares da atualidade. Depois de dois “pontos” marcados para a Amazon, agora empatamos o jogo com um dos mais recentes lançamentos da Netflix. O Resgate (não confundir com o filme original da Netflix com Chris Hemsworth) é um filme de ação que fala sobre uma arqueóloga sequestrada por terroristas no Marrocos. Agora, cabe ao seu marido, um herói de guerra, superar seus traumas, se armar até os dentes e ir lá buscar sua esposa. Uma coisa chama atenção aqui: a presença de Gary Dourdan, astro da série CSI, apresentando ótima aparência e forma física. O que prova que um boato que circulou na internet mostrando o ator como usuário de crack destruído pelas drogas era falso, se mostrando uma das primeiras fake News da internet. O filme, porém, soma 13% de aprovação, sendo considerado “uma comédia involuntária”.

05) Últimas Notícias de Yuba County

E com essa, a Amazon Prime Video “lidera” novamente como a plataforma com os filmes mais desastrosos de 2021 – a disputa está sendo boa. Aqui quem protagoniza é a vencedora do Oscar Allison Janney. Às Vezes ficamos sem entender o que se passou na cabeça de atores e realizadores talentosos para embarcarem em tamanha furada. Quem comanda esta comédia “sem noção” é o geralmente talentoso Tate Taylor (Histórias Cruzadas e A Garota no Trem), que ultimamente vem dando muitas bolas fora (Ma, Ava e agora este). Na trama, Janney vive uma mulher que flagra o marido com outra, o sujeito morre e ela o enterra no quintal. Depois disso, ela vira uma celebridade em sua pequena cidade. O elenco conta ainda com nomes como Mila Kunis, Juliette Lewis, Awkwafina, Regina Hall, Ellen Barkin e Matthew Modine. O filme soma irrisórios 11% de aprovação da imprensa.

04) Radhe



Aqui temos um caso curiosíssimo. Esse filme indiano de ação, suspense e crime provavelmente entrará para a história como um dos mais “odiados” em anos recentes. Ele tem o recorde como um dos “mais populares” no IMDB, isso porque mais de 174 mil usuários fizeram questão de acessar a página de Radhe no site… para dar uma nota baixa ao filme. No IMDB é medido também quantas pessoas acessaram a página de um filme para dar nota, é o famoso “falem mal, mas falem de mim”. Assim Radhe guarda o recorde como o 12º filme mais “popular” (ou seria impopular) do ano no quesito de acessos, o problema é que esses acessos foram para dar ao filme uma nota baixíssima de 1.9 num total de 10 estrelas. A trama mostra o policial Radhe (Salman Khan) voltando da suspensão para combater a máfia da Índia. O filme soma 9% de aprovações, dos corajosos jornalistas que encararam o filme.

03) Music

A intenção era boa, temos certeza. Mas de boas intenções o inferno está cheio. Hoje, o mundo politicamente correto está muito delicado em relação ao retrato de minorias no cinema, nas séries, e nas artes em geral. É preciso ter feeling para não abordar um tema polêmico de forma errada. Mas foi exatamente isso que a musa pop “secreta” Sia conseguiu ao decidir estrear sua carreira de diretora de cinema num filme sobre autismo. E o pior, o filme também foi escrito por Sia. Na trama, Kate Hudson, de cabeça raspada, vive uma jovem alcoólatra se “limpando” em uma clínica de reabilitação. É no local que ela recebe a notícia de que deverá ser a guardiã de sua meia irmã, uma jovem autista chamada Music. Pelo filme, Sia recebeu muitas críticas negativas e foi alvo de imensa polêmica nas redes sociais por ter escalado Maddie Ziegler, a menina dançarina de seus clipes, no papel de uma autista. A polêmica só aumentou quando Sia debateu e defendeu a escolha de sua protegida. O “musical sobre autismo” de Sia foi indicado ao Framboesa de Ouro de pior filme e “venceu” em várias categorias. Mas também foi indicado ao Globo de Ouro de melhor filme. O que será que isso diz sobre a premiação da imprensa estrangeira em Hollywood? Music soma 7% de aprovação da imprensa e foi considerado um filme ofensivo.

02) Conquista

Com essa a Amazon Prime Video assume o “pódio” do streaming com filmes mais detonados de 2021 e ninguém o tira o posto. Pobre Morgan Freeman, que a esta altura de sua carreira precisa passar por estas. Mas quem é rei nunca perde a majestade, e nada irá tirar do ator veterano o seu prestígio conquistado por muitos anos de carreira. Protagonizando, temos outra “musa” polêmica. A exótica Ruby Rose chegou em cena impressionando na série Orange is the New Black, e em pouco tempo se tornava uma queridinha, aparecendo em projetos como Resident Evil 6, Triplo X Reativado, John Wick 2, A Escolha Perfeita 3 e Megatubarão. Sim, é seguro dizer que ela estava em todo lugar. E isso a leva até a série Batwoman, onde viveu uma heroína lésbica nas telinhas. Porém, após entrar em atrito com a comunidade LGBTQ, a atriz abandonou a série e terminou descambando para projetos menos relevantes. Esse aqui, onde interpreta uma ex-criminosa manipulada por um policial corrupto, o coloca para atuar com o grande Morgan Freeman e talvez esse tenha sido o atrativo. Porém, o filme soma 5% de aprovação, o colocando no posto de um dos piores de 2021 para os críticos.


01) Os Filmes de Bruce Willis

Recentemente escrevi uma matéria sobre o declínio da carreira de Bruce Willis. Ao que parece, o antes carismático ator está de “saco cheio” e tem trabalhado apenas por dinheiro nos últimos tempos. Dessa forma, aparece, faz suas cenas (geralmente em um dia), cede seu rosto para o cartaz do filme (mesmo que seu tempo em cena seja curtíssimo), desconta seu contracheque e parte para o próximo. Embora para ele seja uma ótima fórmula, isso resulta numa queda brusca, tanto em sua popularidade com o público e na qualidade de tais obras feitas à toque de caixa. Somente em 2021, Willis entregou três filmes “fedorentos”, que amargaram o fundo do poço cinematográfico. O primeiro, o melhorzinho do trio, é Meia-Noite no Switchgrass, que embora anuncie o protagonismo de Willis, é estrelado na verdade por Megan Fox como uma policial. O suspense tem 8% de aprovação. Em sequência chega Invasão Cósmica, ficção científica espacial, cheia de figurinos e cenários bacanas, mas que soma 3% de aprovação dos jornalistas. E ganhando a medalha de ouro no acervo recente de Bruce Willis, seu mais novo longa, Apex, outra ficção científica mequetrefe, soma 0% até o momento. Será que alguma alma caridosa o erguerá aos 1% pelo menos?

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