Um dos maiores ícones do esporte brasileiro e mundial segue sem ter uma novelização de sua vida até hoje. Em 2010, o documentário Senna: O Brasileiro, O Herói, O Campeão chegou aos cinemas e logo se tornou um dos filmes documentais mais bem sucedidos da história. No entanto, assim como ídolos do esporte brasileiro, como Pelé e Heleno de Freitas, os fãs queriam um filme biográfico. E não foi por falta de tentativa que esse filme ainda não aconteceu. Diretores como Walter Salles, Michael Mann e até mesmo o lendário Ridley Scott já demonstraram interesse em realizar uma adaptação da vida e da carreira do piloto, mas sempre acontece algum empecilho e a produção não acontece.

O primeiro a ser sondado oficialmente para dar vida ao lendário piloto e brasileiro ilustre foi o espanhol Antonio Banderas. Pouco se sabe sobre a trama, se seria uma biografia, um épico ou uma ficção baseada na vida de Ayrton. Em 1996, a irmã de Ayrton Senna, Viviane, chegou a anunciar para a imprensa brasileira que o filme não apenas iria acontecer, mas também iria emocionar muito a todo o público.

Em entrevista de 2011 ao programa Mais Você, apresentado por Ana Maria Braga, Antonio Banderas falou um pouco sobre sua relação com o filme: “Eu gostava muito do Ayrton, de sua vida no esporte e em sua vida particular, mas no momento que surgiu o convite eu estava fazendo o musical ‘Evita’. Saí de Buenos Aires e conheci Viviane Senna. Eu estava muito aberto a conversar […] Eu estava mais próximo da idade do Ayrton naquela época. Hoje em dia não estou mais”.

Em 2015, quando o ator passou pelo Brasil para divulgar sua marca de perfumes, ele falou ainda mais sobre o filme cancelado em entrevista ao Uol. O ator também divulgou o motivo pelo qual o projeto foi cancelado: Sylvester Stallone. “Era um projeto do produtor Michael Mann. Até estive com Viviane e Leonardo Senna em São Paulo. Depois, fizeram um filme muito ruim sobre automobilismo [Alta Velocidade, estrelado por Sylvester Stallone] e Hollywood se convenceu de que a Fórmula-1 era um tema ruim para ser explorado […] Hollywood é muito covarde. O dinheiro é muito covarde”, concluiu.



Antonio Banderas era apenas alguns meses mais novo que Ayrton Senna

Porém, Antonio Banderas não era a primeira opção do próprio Ayrton Senna para vivê-lo nas telonas. Enquanto concorria ao Oscar por Creed – Nascido Para Lutar, o ator Sylvester Stallone revelou que começou uma amizade em 1994 e admirava muito o piloto brasileiro. “Senna foi um dos maiores corredores de todos os tempos, e ele queria que eu atuasse em sua biografia. Então, conversando por telefone há muitos anos, ele me disse: ‘você é realmente muito bom, adoro seus filmes e coisas do tipo’. Eu respondi: “muito obrigado”. Eu comecei a estudar muito sobre ele, e continuamos nos falando cada vez mais pelo telefone. [Stallone interrompe e mostra o capacete] Deixe eu te mostrar as cores. Elas são muito semelhantes às que Rocky usava, amarela e preta. Aquilo mexeu comigo. E ele me enviou este capacete. É realmente incrível, eu nunca vi um capacete como este. Infelizmente, ele morreu aquele terrível acidente, e eu pensei que não poderia fazer o filme, porque seria muito duro. Mas este capacete que ele me deu esteve na minha casa durante os últimos 15 anos, e é maravilhoso”, disse o ator.

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Ayrton Senna era muito fã dos filmes do Rocky Balboa. No entanto, mesmo sem viver Ayrton nos cinemas, Stallone prestou uma homenagem ao amigo em Alta Velocidade, no qual ele interpretava um piloto de Fórmula Indy. As cores do uniforme e do carro foram baseadas nos modelos usados e dirigidos por Senna pela McLaren. Conforme dito anteriormente, esse longa não fez sucesso e acabou enterrando um projeto focado no brasileiro.

Alta Velocidade” é tipo até hoje como exemplo de como NÃO se fazer um filme sobre corridas

Por fim, em 2012, um projeto feito em parceria com a família Senna voltaria a estampar os noticiários esportivos e de cinema sobre uma novelização da vida de Ayrton. O brasileiro Rodrigo Santoro, que havia sido escalado para o papel do piloto, afirmou ao Collider que a equipe estava tendo problemas em como desenrolar a história, mas que seria um filme grandioso para os padrões nacionais: “É um projeto realmente muito grande. Para o Brasil, é o maior de todos os tempos”.

Rodrigo Santoro já havia vivido outro ícone dos esportes, o polêmico Heleno de Freitas.

No ano seguinte, Rush – No Limite da Emoção chegou aos cinemas e foi super elogiado pela crítica. O longa, estrelado por Chris Hemsworth e Daniel Brühl, agradou muito ao contar de forma emocionante a histórica rivalidade entre James Hunt e Niki Lauda dentro e fora das pistas. Imediatamente, milhares de fãs foram à internet cobrar um filme conta a rivalidade entre Ayrton Senna e Alain Prost, mas Viviane disse temer que diretores internacionais focassem apenas na ousadia do irmão dentro das pistas e esquecessem da doçura, fé e busca pela vitória que Ayrton adotava na vida.

Em 2019, a Folha de São Paulo noticiou que o Instituto Ayrton Senna havia fechado um acordo com a produtora Gullane para enfim rodar o drama sobre o piloto. A equipe tentou angariar fundos e investidores no último festival de Cannes, mas nenhuma outra notícia foi dada. Ainda existe a expectativa de que o filme aconteça, mas teremos que esperar para ver os rumos que o cinema tomará após a pandemia.



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