O estúdio Laika continua com seu terror para os pimpolhos

Com Coraline e o Mundo Secreto (2009), o estúdio Laika, especialista na técnica de Stop-Motion, criou uma aventura delirante e psicodélica. Talvez assustadora demais para crianças menores, a trama da menina que viaja até um mundo paralelo ecoa A Viagem de Chihiro (2001), mas é baseada no pesadelo deturpado que o romancista Neil Gaiman chama de mente. Em sua segunda investida, Paranorman (2012), o estúdio apostou na bela homenagem ao cinema de terror da década de 1980.

Com o climão “podreira” que regeu a década, zumbis, fantasmas e bruxas tomam conta da cidade e sobra para um grupo de pré-adolescentes, no melhor estilo Goonies/Monster Squad, salvar o dia. Sobram referências para Halloween e Sexta-Feira 13, séries que reinaram na época. A criatividade continua na hora de escolher o tema para o seu mais recente lançamento. Os Boxtrolls volta ainda mais no tempo para homenagear os verdadeiros clássicos do terror, que remete aos monstros da Universal.

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Centrando sua trama no século XIX, num pequeno vilarejo inglês, com todo o estilo das locações de Drácula, Frankenstein e O Lobisomem, o cenário é um grande atrativo. Irá impressionar os mais velhos, que apreciarão o que foi confeccionado e as referências, e para os pequenos é ótima fonte de inspiração e porta para uma estrutura de cinema mais adulto – mesmo que por enquanto apenas o cenário, a época, figurinos e personagens.

O trabalho dos dubladores brasileiros na versão nacional é primoroso e não fica devendo nada para a versão original, que conta com as vozes do veterano Ben Kingsley (como o vilão) e da menina Elle Fanning (Winnie) como chamarizes. Uma curiosidade é que Dakota Fanning, irmã de Elle, dublou a protagonista no primeiro filme do estúdio, Coraline. Apesar da Laika continuar acertando no visual e no clima, Os Boxtrolls é definitivamente seu filme com a trama menos inspirada. A história soa estática, sem uma narrativa convincente. Os personagens são apenas esboçados sem um aprofundamento devido.

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Os Boxtrolls soa apenas como ideia conceitual, ou seja, criar o conceito de monstrinhos em caixas vivendo nos esgotos e subterrâneos do vilarejo, e não fazer nada com ele. As criaturas não são explicadas, e não me refiro à sua origem, mas suas motivações. O mesmo pode ser sentido com os personagens humanos. O filme carece da maturidade psicológica e existencialista de Coraline e da diversão contagiante de ParaNorman.

Por outro lado, pode vir a se tornar o maior sucesso do estúdio, justamente por seu lado mais amistoso para as crianças. Afinal, os bonequinhos das criaturinhas são mais icônicos do que qualquer personagem apresentado nos filmes anteriores, e de certa forma se parecem com os Minions (em versão repugnante). Além disso, outro ponto negativo é o terceiro ato. Levado de forma automática, Os Boxtrolls apresenta o desfecho mais preguiçoso do cinema, que já virou um plotpoint muito satirizado nos EUA. Na dúvida, acrescente um robô gigante para ser combatido.

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