Não existe época mais empolgante para os cinéfilos e amantes de cinema em geral do que a época de premiações. E a maior delas é o Oscar. O resto é apenas treino para esta grande noite. Digam o que quiserem os cínicos, o prêmio da Academia é o que todo profissional desta indústria no mundo almeja. Vejam, por exemplo, como estão felizes os envolvidos com a produção do sul coreana Parasita.

Pensando nisso, para entrar no clima desta grande festa, que se estende até o dia 9 de fevereiro (quando a cerimônia será transmitida mundialmente), o CinePOP resolveu voltar no tempo, 40 anos no passado, para relembrar os filmes prestigiados na 53ª Edição dos Prêmios da Academia de Artes e Ciências Cinematográficas.

Gente como Martin Scorsese, Robert De Niro, Robert Redford, Roman Polanski, David Lynch e Sissy Spacek estavam na crista da onda com seus então mais recentes trabalhos. Vem com a gente revisitar estes verdadeiros clássicos da sétima arte.

Gente Como a Gente

Este drama familiar sobre perda foi o grande vencedor da noite, levando quatro dos seis Oscar aos quais estava indicado, incluindo melhor filme. Baseado no livro de Judith Guest, a história fala sobre uma família que perde seu filho mais velho num terrível acidente e a forma com que cada um de seus membros lida com o ocorrido. O filho mais novo (papel de Timothy Hutton) se sente culpado e cai em depressão, se tornando suicida. A mãe (Mary Tyler Moore) o ressente e se torna hostil e o pai (Donald Sutherland) tenta acalmar os ânimos no meio de tudo.

O título em inglês já diz, Ordinary People – algo como “Gente comum”. O filme marcou a estreia do ator Robert Redford como cineasta (que depois viria a comandar mais 8 longas até o momento). Em seu debute, Redford abocanhou a estatueta de melhor diretor da noite. Gente Como a Gente ainda levou os prêmios de melhor ator coadjuvante para Timothy Hutton (você lembrava que ele tinha um Oscar?) e roteiro adaptado – além das indicações de atriz protagonista (Mary Tyler Moore) e mais uma de coadjuvante para Judd Hirsch (que interpreta o psicólogo do rapaz).

Touro Indomável

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Curiosamente, nem sempre o filme eleito como o melhor no Oscar é o que se torna memorável e resiste ao teste do tempo. Afinal, se você for perguntar para dez diferentes cinéfilos, todos dirão que esta obra de Martin Scorsese é muito superior ao drama familiar acima. Este é a produção inesquecível e icônica desta edição do Oscar, definitivamente. Considerado por muitos uma obra-prima, Touro Indomável é a biografia do boxeador Jake LaMotta, baseado em seu próprio livro.

Vivido de forma espantosa pela grande Robert De Niro (que muda sua forma física ao longo do filme), o protagonista é um sujeito tempestuoso e violento, dentro e fora dos ringues. Todo filmado em preto e branco, o longa é um dos filmes mais queridos do grande Scorsese, enaltecido por muitos como um de seus melhores trabalhos no cinema. Touro Indomável foi indicado para oito prêmios, mas terminou levando apenas dois – demonstrando que Scorsese sempre foi um dos grandes injustiçados pela Academia de todos os tempos.

Dentre as vitórias: melhor ator para De Niro e edição para a fiel escudeira do diretor, Thelma Schoonmaker. O longa ainda obteve as indicações de filme, diretor para Scorsese, ator coadjuvante para Joe Pesci (que vive o irmão de LaMotta), atriz coadjuvante para Cathy Moriarty (a segunda mulher do protagonista no filme), fotografia e som.

O Homem Elefante

Outra produção renomada inteiramente criada em preto e branco, O Homem Elefante é o único outro filme da lista (além de Touro Indomável) a resistir ao teste do tempo, se tornando um dos filmes mais elogiados do público até hoje – ambos fazem parte da lista dos 250 melhores filmes de todos os tempos na opinião dos usuários do IMDB. Além destas semelhanças, esta também é uma biografia baseada num livro (de Frederick Treves). O assunto aqui, porém, é John Merrick, um sujeito extremamente deformado, tratado como aberração, mas descoberto como alma gentil e intelectual por um cirurgião (papel de Anthony Hopkins) na era vitoriana.

A razão por ambos Touro Indomável e O Homem Elefante sobressaírem ao teste do tempo se deve a seus diretores, mestres inquestionáveis, ainda em atividade e muito cultuados. Aqui, quem está por trás da direção é David Lynch (Twin Peaks). O Homem Elefante, por outro lado, não levou nenhum dos oito Oscar aos quais estava indicado. Eles foram o de melhor filme, diretor para Lynch, ator principal para John Hurt (que interpreta Merrick), roteiro adaptado (Lynch foi um dos roteiristas), direção de arte, figurino, edição e trilha sonora.

Uma curiosidade é que nesta edição não existia a categoria de melhor maquiagem, caso contrário, O Homem Elefante teria ao menos um Oscar em seu currículo.

Tess – Uma Lição de Vida

Roman Polanski é igualmente um diretor muito renomado e segue em atividade até hoje. No entanto, mesmo tendo sido sucesso nesta edição do Oscar, Tess não se tornou um de seus filmes mais comentados – sendo esquecido no meio de uma filmografia pra lá de memorável. Quem sabe foi por se tratar de um tema muito comum para os padrões de hoje, ou por seu tempo de projeção excessivo dentro do gênero – com quase 3 horas de duração. Este é mais um filme da lista baseado num livro, desta vez, um clássico de Thomas Hardy.

A história, um drama romântico passado na era vitoriana, apresenta uma camponesa, uma mulher forte, no meio da disputa de dois homens por seu afetado. Para o projeto, Polanski bancou a alemã Nastassja Kinski, então uma novata em início de carreira (aos 19 aninhos), e a transformou numa estrela. Tess foi indicado para melhor filme, melhor diretor para Polanski e melhor trilha sonora, mas levou para casa os Oscar técnicos de fotografia, direção de arte e figurino.

O Destino Mudou Sua Vida

Fechando a categoria principal de melhor filme, o último candidato foi mais um drama biográfico – deu para sentir uma tendência nesta edição, certo? Aqui, no entanto, um filme com um diferencial, uma pegada musical country. O longa trata da história de Loretta Lynn, humilde filha de um trabalhador de mina de carvão no Kentucky, que consegue superar a pobreza e se torna uma cantora de sucesso mundial, transformando para sempre a música country. Daí o título original “Coal Miner’s Daughter”, algo como “A filha do mineiro de carvão”.

Quem dá vida para a protagonista é a atriz Sissy Spacek, que quatro anos antes havia incorporado a personagem Carrie White, de Carrie – A Estranha (1976), baseado no livro de Stephen King, filme que rendeu sua primeira indicação ao Oscar. O Destino Mudou Sua Vida, ao contrário do filme citado acima, deu para Spacek uma vitória no Oscar de melhor atriz – a única de sua carreira no total de seis indicações.

O Destino Mudou a Sua Vida, além da vitória de Spacek como atriz principal, recebeu outras seis indicações ao Oscar: melhor filme, roteiro adaptado, fotografia, direção de arte, som e edição.

Filmes Populares

É claro que o cinema também é história. E alguns filmes ainda muito populares hoje em dia foram lembrados pela Academia nesta edição. O mais famoso de todos é O Império Contra-Ataca, o segundo filme de Star Wars a ser lançado nos cinemas e ainda hoje considerado o melhor episódio da franquia pelos fãs. No entanto, ao contrário do original, de 1977 (que foi indicado na categoria de melhor filme – acredite!), esta continuação, embora seja considerada superior, não obteve a mesma repercussão com os votantes da Academia. No entanto, um dos filmes mais adorados da história do cinema, foi indicado para três prêmios (direção de arte e trilha sonora), e levou o de som. Além disso, ganhou um Oscar especial por suas conquistas no terreno técnico – uma prévia do prêmio de efeitos visuais, que ainda não havia sido implementado.

Outros filmes populares que figuraram nesta edição do Oscar foram A Lagoa Azul (clássico da Sessão da Tarde, indicado ao prêmio de fotografia); Em Algum Lugar do Passado (drama romântico de viagem no tempo com Christopher Reeve, indicado para figurino); Como Eliminar Seu Chefe (comédia com Jane Fonda, Lily Tomlin e Dolly Parton, indicado para canção – da própria Parton); o musical Fama (indicado para melhor roteiro original, som, edição e canção por “Out Here on My Own”, e vencedor de trilha sonora e canção pela música tema “Fame”); e os cult Viagens Alucinantes (de Ken Russell, um dos melhores filmes do ano, indicado para som e trilha sonora) e O Último Metrô (thriller francês de nazismo, dirigido por François Truffaut, protagonizado por Catherine Deneuve e Gérard Depardieu, indicado para filme estrangeiro).

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