Oscar 2019 | Melhor Diretor – Nossos Palpites para os Indicados

Oscar 2019 | Melhor Diretor – Nossos Palpites para os Indicados


Sim, amiguinhos! A temporada de prêmios já está entre nós. 2018 passou voando, como de praxe, e já estamos na reta final do ano. Só nos resta um pouco mais de dez dias para que 2019 se forme diante de nossos olhos e mais uma edição do Oscar traga o que de melhor passou pelas telas mundiais. É claro que antes da maior premiação do mundo do cinema, outras de grande importância irão aportar – como os prêmios dos Sindicatos e o Globo de Ouro (ambos fortes termômetros para as indicações nos prêmios da Academia).

Os especialistas já começaram a falar e apontar, e nós do CinePOP também iremos dar nossos pitacos sobre o que pode acontecer no próximo janeiro. Lembrando que até lá ainda tem chão pela frente e favoritos agora podem perder força, e vice versa. Lembrando também que muitas destas produções ainda não aportaram em nosso país.

Oscar 2019 | MELHOR ATRIZ – Nossos Palpites para as Indicadas

Sem mais delongas, vamos conhecer os potenciais candidatos para a categoria de Melhor Diretor.

Bradley Cooper (Nasce uma Estrela)

Aproveite para assistir:


Diversidade é a palavra de ordem. Atores, atrizes e diretores negros precisam de maior inclusão no grande prêmio do cinema, assim como diretoras mulheres. Isso sem esquecer as descendências latinas e asiáticas. É claro, precisa existir merecimento acima de tudo. É curioso, então, que começaremos a lista com um favorito na categoria, e que não se encaixa em nenhum destes padrões de minorias. O ator Bradley Cooper, porém, é um iniciante na função e despertou tanto amor do público em seu debute, que a maioria dos especialistas dá como certa sua indicação. E quem não foi arrebatado por Nasce uma Estrela? O mérito é de Cooper.

Oscar 2019 | Melhor Ator – Nossos Palpites para os Indicados

Spike Lee (Infiltrado na Klan)

Como dito no item acima, é esperado uma maior inclusão de cineastas negros e mulheres na categoria de melhor diretor. Mesmo os que não tiverem mérito? É claro que não. O que acontece é que este ano temos uma gama para escolher. Um nome que vem aparecendo com maior destaque é o do veterano Spike Lee, que com quase 40 anos de carreira e mais de 80 créditos como diretor, tem indicações como melhor roteirista (Faça a Coisa Certa) e produtor do documentário Quatro Meninas. Em 2016, o cineasta foi prestigiado com um Oscar honorário. Este ano, Lee entregou uma das melhores produções cinematográficas de 2018, com Infiltrado na Klan.

Oscar 2019 | Melhor Atriz Coadjuvante – Nossos Palpites para as Indicadas

Alfonso Cuarón (Roma)

A inclusão precisa vir de todas as formas, de todas as nacionalidades. Quando temos apenas 5 vagas na categoria de diretor, essa missão se torna realmente difícil e profissionais talentosos sempre acabam preteridos. A verdade é que o mexicano Alfonso Cuarón está no auge de sua forma, se comportando como um dos melhores cineastas da atualidade. Quer prova disso, é só olhar para seu trabalho anterior, a elogiadíssima ficção Gravidade (2013), que de uma tacada só lhe rendeu duas estatuetas do Oscar: melhor diretor e melhor edição. Este ano, Cuarón volta com tudo no celebrado drama em preto e branco Roma, produção da Netflix. O mexicano é um dos favoritos para indicação nada categoria, porém, dois fatores jogam contra o talentoso cineasta na hora da vitória. O primeiro é justamente o mencionado acima, Roma é uma produção da Netflix e pode existir (ainda) certo preconceito com os votantes mais puristas. E segundo, pela vitória do seu compatriota este ano – Guillermo del Toro foi o melhor diretor na última edição por A Forma da Água. A Academia presentearia por dois anos seguidos diretores mexicanos? E um que já tem sua estatueta?

Oscar 2019 | Melhor Ator Coadjuvante – Nossos Palpites para os Indicados

Peter Farrelly (Green Book: O Guia)

Quem diria? A vida é feita de surpresas e o destino está sempre nos mostrando que “nunca diga nunca” não existe. Este ano, poderemos ter, por exemplo, indicações para Lady Gaga como melhor atriz. Não que a artista não mereça, é só que se isso fosse dito há dois anos, ninguém acreditaria. O mesmo segue como verdade quando se trata de Peter Farrelly, um dos irmãos Farrelly. Ao contrário dos irmãos Coen, os Farrelly ficaram conhecidos por suas comédias impróprias de baixo calão – que nos tempos politicamente corretos de hoje, podem ser revistos com muito maus olhos – a exemplo de Quem Vai Ficar com Mary? (1998), Eu, Eu Mesmo e Irene (2000) e O Amor é Cego (2001). Justamente talvez por isso, Peter tenha seguido outro rumo com sua carreira, entregando um filme que fala sobre racismo de uma forma quase didática, pronto para se tornar o feel good deste Oscar e roubar algumas estatuetas (será?). O filme Green Book: O Guia vem caindo nas graças do público e se comporta como uma espécie Conduzindo Miss Daisy (1989) às avessas.

Adam McKay (Vice)

Se depender meramente da comparação com o Globo de Ouro, o próximo Oscar pode ser o dos diretores de comédia na categoria de direção. Depois de Peter Farrelly, Adam McKay pode voltar aos holofotes com seu novo trabalho. Lembrando que o cineasta já foi indicado ao Oscar na categoria de diretor em 2016 por A Grande Aposta, levando para casa a estatueta de roteiro adaptado. Previamente, o diretor era associado a comédias escrachadas, como O Âncora (2004) e sua continuação Tudo por um Furo (2013), além de outras comédias protagonizadas por Will Ferrell. Sua transição para “filmes mais sérios” ocorreu de forma satisfatória, lembrando que ambos A Grande Aposta e o recente Vice fazem uso de muito humor, apenas mais adulto e menos escrachado. No próximo ano, McKay poderá ser lembrado pela biografia de Dick Cheney (vivido pelo camaleônico Christian Bale), vice-presidente de George W. Bush (Sam Rockwell), figura polêmica dentro do governo norte-americano.

Damien Chazelle (O Primeiro Homem)

Menino de ouro de Hollywood, o jovem Damien Chazelle vem emplacando em épocas de premiações desde seu primeiro longa: Whiplash – Em Busca da Perfeição (2014). De lá pra cá foi além e explodiu com La La Land – Cantando Estações (2016). No entanto, algo curioso ocorreu com sua obra mais ambiciosa, a biografia O Primeiro Homem, sobre o herói americano Neil Armstrong, o astronauta que foi o primeiro humano a pisar na lua. Apesar de ser um forte preferido a indicações numa fase preliminar à temporada, o filme não tem aparecido muito nos primeiros prêmios mais importantes e até agora só emplacou verdadeiramente no Critic´s Choice. Isso não significa, no entanto, que o longa e Chazelle ficarão de fora do Oscar.

Yorgos Lanthimos (A Favorita)

Ao contrário do filme de Damien Chazelle, A Favorita é um dos queridinhos da temporada de prêmios, e ao lado de Nasce uma Estrela e Pantera Negra, é um dos três que já tem lugar garantido nas indicações a melhor filme. Bem, se o grego Yorgos Lanthimos irá ser agraciado com uma indicação também, nos resta ver. Se for, não deixa de ser uma inclusão: um diretor grego entre os melhores do ano. Além disso, só de imaginar que um cineasta que tem no currículo produções alternativas como O Lagosta (2015) e O Sacrifício do Cervo Sagrado (2017), possa ser indicado ao Oscar – entregando seu filme, digamos, mais palatável ao grande público, é uma grande conquista.

Barry Jenkins (Se a Rua Beale Falasse)

No começo da temporada, os que gostam de ver o circo pegar fogo todos os fãs queriam assistir a um novo embate dos diretores de La La Land e Moonlight. Para quem pegou o bonde andando, pela primeira vez na história dos prêmios do Oscar o anúncio do filme vencedor foi o do errado. La La Land foi anunciado, mas o vitorioso era de fato Moonlight. O momento virou piada e todos esperavam por uma nova possibilidade dos filmes de Barry Jenkins e Damien Chazelle se enfrentarem, além dos próprios diretores. Afinal, não passa de uma rivalidade saudável – construída pelos fãs, já que os diretores se dão muito bem. Se a Rua Beale Falasse dividiu opiniões, e não causou a comoção de Moonlight, por exemplo. Mesmo assim, o cineasta Jenkins ainda possui chances – e é um dos representantes negros para a categoria.

Ryan Coogler (Pantera Negra)

Bem, seguindo a linha de raciocínio de que Pantera Negra tem sido a maior grata surpresa do ano em indicações, quebrando inclusive a barreira do “filme de quadrinhos” junto a prêmios importantes – e podendo vir a se tornar o primeiro do subgênero super-heróis a ser indicado como melhor filme na história do Oscar (barreira esta quebrada no Globo de Ouro, por exemplo), podemos imaginar que seria apenas natural seu comandante ser igualmente agraciado com tal honraria. Pantera Negra é sinônimo de representatividade, de mudança no cinema, mas é também sinônimo de Ryan Coogler. O filme, como o conhecemos, existe graças ao seu diretor e o talentoso cineasta Coogler já havia demonstrado sua capacidade em outros longas. Definitivamente a produção da Marvel é seu maior passo na carreira e seria muito legal vê-lo entre os diretores indicados no maior prêmio da sétima arte, apesar de não ter aparecido até então nos principais eventos.

Steve McQueen (As Viúvas)

Por falar em representatividade, o diretor Steve McQueen (indicado ao Oscar na categoria em 2014 por 12 Anos de Escravidão, e vencedor do prêmio como produtor do longa) é o último cineasta negro com chances de indicação ao próximo Oscar, depois de Spike Lee, Barry Jenkins e Ryan Coogler. Suas chances são pequenas, talvez menores que os outros colegas, mas ainda assim não está completamente fora da corrida, já que seu nome tem força junto aos votantes. O que acontece aqui é que As Viúvas, apesar de suas inúmeras qualidades e de se comportar como um thriller de assalto talvez mais voltado ao entretenimento, dividiu opiniões (mais dos críticos) e não aconteceu como deveria nas premiações. No Globo de Ouro, por exemplo, passou em branco – além da maioria dos prêmios de círculos de críticos pelos EUA. No Critic´s Choice apareceu nas categorias de melhor elenco (inegavelmente um dos melhores do ano), melhor edição e filme de ação. É claro que no Oscar isso pode mudar.

Debra Granik (Sem Rastros)

Agora entramos num território ainda mais dramático para a representatividade: a feminina. Era de se esperar que após a inclusão ano passado de Greta Gerwig, de Lady Bird, uma nova indicação para uma cineasta fosse ocorrer. Bem, muitos acreditavam que no lugar da musa indie poderiam ter sido incluídas outras diretoras de maior gabarito, vide Kathryn Bigelow (Detroit em Rebelião), Dee Rees (Mudbound) e alguns inclusive citavam o desempenho de Patty Jenkins em Mulher-Maravilha. Este ano, tivemos diversos trabalhos relevantes e elogiadíssimos vindos de diretoras. O problema: nenhum filme se destacou o suficiente no consciente coletivo como Lady Bird fez. Entre eles está Sem Rastros, filme muito elogiado em festivais, mas que passou em branco junto ao grande público – ao ponto de no Brasil ter sido lançado direto em vídeo. A diretora Debra Granik já havia sido preterida no passado, de certa forma, quando seu primeiro filme de sucesso (Inverno da Alma) obteve indicação na categoria principal, e indicou ainda a protagonista Jennifer Lawrence (além de coadjuvante para John Hawkes e roteiro para a própria Granik). Quem sabe a Academia não resolve se retratar com a cineasta.

Marielle Heller (Poderia me Perdoar?)

Dentre os filmes dirigidos por mulheres este ano, um que vinha despertando grande falatório era este drama, protagonizado por Melissa McCarthy e que pode indicar (é quase certo) a atriz. A jovem Marielle Heller, de 39 anos, é quem comanda a obra. Heller já havia chamado atenção com sua estreia atrás das câmeras em 2015, com o drama juvenil O Diário de uma Adolescente – apesar de ser mais conhecida e ter mais trabalhos no cinema como atriz. Seu longa, no entanto, veio perdendo momento ao longo da temporada e não está mais nas cabeças para indicação na categoria principal como prevista – é claro que não está escrito em pedra e este fato pode mudar. Apesar de McCarthy continuar aparecendo em todas as listas, Heller e o longa têm sido eclipsados. Outra cineasta que merecia atenção é Karyn Kusama, que entregou uma das obras mais impactantes do ano – o thriller policial O Peso do Passado, filme que vem indicando a protagonista Nicole Kidman em vários prêmios.

Rob Marshall (O Retorno de Mary Poppins)

O Oscar tende a ser uma caixinha de surpresas, ao menos nas indicações. Portanto, os que tentam prever através de prêmios prévios, vide Globo de Ouro, Critic´s Choice e prêmios de sindicato, terminam sempre se surpreendendo por aquele elemento inesperado (atores, atrizes, diretores e até mesmo filme). Ano passado, por exemplo, poucos previram a indicação de The Post – A Guerra Secreta e Trama Fantasma em tantas categorias, por terem sido filmes que apareceram na última hora e não tinham sido vistos por quase ninguém antes da indicação. O mesmo ocorreu com O Destino de uma Nação – a indicação de Gary Oldman era certa, mas a do filme pegou todos desprevenidos. Este ano, O Retorno de Mary Poppins tem sido a surpresa, aparecendo em muitas listas de premiações, como o Globo de Ouro e o Critic´s Choice – enaltecendo ainda mais os filmes populares em grandes premiações. Isso levanta muito as chances do filme no Oscar (será que Mary Poppins e Pantera Negra terão lugar juntos neste ano?). A protagonista Emily Blunt vem sendo muito citada também, e para a surpresa ficar completa, quem sabe o comandante da obra, Rob Marshall (indicado ao Oscar 2004 por Chicago), encontrelugar na categoria. Tudo pode acontecer.

Por outro lado, outro filme pop disputa lugar entre os melhores do ano. Trata-se de Bohemian Rhapsody – que vem emplacando em algumas premiações e indicado, inclusive, seu protagonista Rami Malek – um Freddie Mercury inspirado. Neste caso, o diretor Bryan Singer é certo de ficar de fora. Tudo devido ao escândalo recente envolvendo seu nome num assédio sexual que o afastou da direção do longa, deixando o trabalho para ser finalizado por Dexter Fletcher.